Aqui vai uma lista de três produtos energéticos que podem ser incluídos com moderação na alimentação.

Chocolate

O chocolate consiste de 8% de proteínas, 60% de carboidratos e de 30% de gorduras. Como se pode ver, a quantidade de gorduras se encontra num limite superior ao que é desejável para um alimento. Isso pode ser traduzido em altas calorias, por exemplo, uma barra de chocolate de 100 g fornece 520 calorias. Os menos calóricos são o amargo e o meio amargo, seguidos pelo ao leite e, por último, o chocolate branco. Para não engordar, o recomendado é ingerir apenas 25 a 30 g ao dia, no máximo três vezes por semana.

Essa gordura ou manteiga de cacau é essencialmente saturada e não conduz a um aumento dos níveis de colesterol.

Mas, o chocolate também fornece minerais (potássio, cloro, fósforo, cálcio, sódio, magnésio, ferro, cobre e zinco) e vitaminas (A, B1, B2, B3 e E, só não contém as vitaminas C e D). É por isso que ele é usado como porção alimentar de soldados e exploradores em situações de emergência.

Existem mais de 300 substâncias químicas no chocolate, porém, há três substâncias especiais que queremos chamar a atenção. Elas não são nutritivas, mas nos afetam e estão intimamente relacionadas com as indagações feitas anteriormente, como a dúvida se o chocolate realmente vicia.

As três substâncias são: feniletilamina, ácido oxálico e cafeína.

  • Feniletilamina (PEA, do inglês Phenylethylamine):

Essa é a substância responsável por provocar a sensação de bem-estar em nosso cérebro, pois ela pode acionar a liberação de dopamina, substância química do cérebro que causa a sensação de felicidade.

É verdade que o chocolate pode causar enxaqueca em algumas pessoas e isso se deve a essa substância, porque ela constringe as paredes dos vasos sanguíneos do cérebro. O corpo humano possui uma enzima (monoamina oxidase) que elimina a PEA, quando o corpo da pessoa não consegue produzir uma quantidade suficiente dessa enzima para evitar o aumento de PEA no organismo, há a enxaqueca.

  • Ácido oxálico:

Em cada 100 g de cacau há 500 mg dessa substância. Ela está presente em muitos outros alimentos como o ruibarbo. Se ingerido em doses acima de 1500 mg, ele pode até matar. O ácido oxálico reage com os metais essenciais como o ferro, o magnésio e o cálcio, presentes no alimento e impede que eles nutram o corpo.

O ácido oxálico mata pela diminuição abaixo do nível tolerado de cálcio em nosso organismo.

Mesmo em doses não letais, o ácido oxálico é perigoso porque ele forma oxalato de cálcio, que é insolúvel, que pode crescer na forma de pedras dolorosas na bexiga e nos rins.

  • Cafeína:

O chocolate contém um pouco de cafeína que dá a sensação de recuperarmos nossas energias e também possui efeitos medicinais.

É interessante notar que, embora o chocolate contenha várias substâncias ativas, [ele não] vicia.

FOGAçA, Jennifer Rocha Vargas. "Composição química do chocolate"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/quimica/composicao-quimica-chocolate.htm. Acesso em 28 de abril de 2020.

 

Chocolate no organismo

Ao leite, amargo, branco ou crocante. Independentemente do tipo, o chocolate é, sem dúvidas, um dos alimentos mais amados e consumidos no mundo. Produzido a partir do cacau, esse alimento possui alto teor energético e é o grande vilão de muitas dietas.

Apesar de ser calórico e possuir grande quantidade de gordura saturada e açúcares, está comprovado que o chocolate pode trazer benefícios à saúde. Entretanto, assim como qualquer outro alimento, deve haver moderação em seu consumo.

O chocolate apresenta polifenóis, tais como os flavonoides, que possuem propriedades antioxidantes e, portanto, causam benefícios ao sistema cardiovascular. Dentre esses benefícios, destacam-se a redução da oxidação do LDL (mau colesterol), inibição da agregação plaquetária e diminuição da resposta inflamatória, o que diminui o risco de formação de placa de gordura nos vasos sanguíneos. Além disso, os flavonoides provocam redução da resistência à insulina, aumento do fluxo sanguíneo e redução da pressão arterial.

Estudos também revelam que o chocolate é importante para a prevenção do câncer de intestino. Graças à sua ação antioxidante, ele protege as células de uma possível degeneração. O chocolate também protege as células nervosas, ameniza danos de um AVC e relaciona-se com a diminuição do risco de pré-eclâmpsia.

Além desses benefícios, podemos citar a melhora no quadro de humor de quem consome chocolate. Esse alimento apresenta em sua composição o aminoácido triptofano, responsável por estimular a ativação da serotonina e da dopamina, que estão relacionadas, além da melhora do humor, com a diminuição da depressão e da ansiedade. O chocolate também estimula a liberação de endorfina no cérebro, que proporciona sensação de prazer e aumenta a disposição mental.

Todavia, o chocolate pode trazer também alguns malefícios. Em algumas pessoas, sua ingestão pode provocar enxaqueca e alguns problemas gastrointestinais, como a diarreia. Seu consumo frequente também pode levar a quadros de sobrepeso e diabetes, em razão, principalmente, da quantidade de gorduras e açúcar.

É importante destacar que existem diferenças entre os tipos de chocolate em relação às substâncias que os compõem. Sendo assim, alguns são mais benéficos que outros. O chocolate amargo, por exemplo, apresenta maior quantidade de polifenóis quando comparado aos outros tipos, por isso, traz mais benefícios. Já o chocolate branco, que não é feito da semente do cacau, e sim da manteiga de cacau, é bastante prejudicial, uma vez que é rico em gordura e açúcar.

Dessa forma, o recomendado é que sejam mais ingeridos aqueles chocolates que possuem uma maior quantidade de cacau, como o amargo e o meio amargo. Vale destacar que o consumo deve ser feito com moderação, pois a ingestão exagerada pode provocar danos, sendo indicado o consumo de apenas 30g por dia.

Curiosidade: Muitas pessoas optam por ingerir o chocolate “diet” como uma forma de “manter a dieta”. Entretanto, esse chocolate apresenta grande quantidade de calorias, diferenciando-se apenas por não possuir açúcares. Sendo assim, ele é recomendado apenas para diabéticos. Para aqueles que desejam ingerir menos calorias, o ideal é o chocolate light.

SANTOS, Vanessa Sardinha dos. "Chocolate no organismo"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/pascoa/o-chocolate-no-organismo.htm. Acesso em 28 de abril de 2020.

 

Erva-Mate

O principal destaque na composição da erva-mate é a presença de alcalóides, como a teofilina e a teobromina, mas, especialmente a cafeína.

A bebida é um estimulante para o sistema nervoso central. Assim, naturalmente amplifica o vigor e a capacidade de desenvolver as atividades físicas e mentais. A vantagem é o efeito prolongado desse estimulante, sem que ocorram efeitos colaterais indesejados, como insônia e irritabilidade.

O consumo da erva contribui para o sistema digestivo. Seus componentes auxiliam na digestão e produzem efeitos anti-reumático, diurético, estimulante e laxante.

Estão entre os compostos da erva-mate os polifenóis, responsáveis por transmitir características como cor e sabor para alimentos e bebidas derivados de plantas. Segundo estudos recentes, os polifenóis têm importante ação antioxidante e são capazes de combater o envelhecimento das células e contribuir para prevenção de diabetes e doenças cardiovasculares.

A erva-mate é rica em flavonóides, um grupo de compostos químicos encontrados naturalmente em certas frutas, vegetais, chás, vinhos, nozes, sementes e raízes. Os flavonóides não são considerados vitaminas, mas tem funções nutricionais descritas como modificadores de resposta biológica; a maioria atua como antioxidante.

Composição:

  • Polifenóis: Flavonóides, em geral, constituem de 20% à 30% da composição da erva-mate e conferem o gosto adstrigente ao mate;

  • Alcalóides: a cafeína, teofilina e teobromina são três alcalóides, os compostos mais interessantes sob o ponto de vista terapêutico;

  • Taninos: Responsáveis pela adstringência ou aroma da erva-mate;

  • Aminoácidos;

  • Vitaminas: C, B1, B2, ácido nicotínico, A, ácido fólico e derivados do ácido pantotênico;

  • Componentes Minerais;

  • Outros: Saponinas, lipídios, proteína e enzimas;

"Propriedades da erva-mate”. Disponível em: http://www.ervamatemazutti.com.br/ propriedades-da-erva-mate/ . Acesso em 28 de abril de 2020.

Constituintes:

Polifenóis – Os flavonóides constituem 20-30% da composição da erva mate, são solúveis em água, incolores. Responsáveis pelo gosto adstringente do mate. Sabe-se que a qualidade da erva mate beneficiada é positivamente correlacionada com a concentração de flavonóides; quando este é alto confere excelentes características químicas à erva mate. Os principais flavonóides encontrados na erva mate são a rutina, a quercetina-3 e o canferol-3-rutinosídeo.

Alcalóides: Cafeína, teofilina e teobromina são os três alcalóides estreitamente relacionados encontrados na erva mate.

Taninos: A presença de substâncias tânicas confere adstringência (aroma) da erva-mate.

Aminoácidos: Os aminoácidos que podem aparecer na erva-mate são o ácido aspártico, ácido glutâmico, glicina, alanina, triptofano, cistina, arginina, histidia, lisina, tirosina, valina, leucina, isoleucina, treonina, metionina e asparagina.

Saponinas: São substâncias glicosídeas com a propriedade de provocar, em soluções aquosas, a formação de espumas.

Clorofila: É responsável pela coloração da erva-mate durante seu processamento.

Carotenóides: Constituem apenas 0,03 a 0,06% da erva-mate, mas são importantes na formação do aroma.

Lipídios: A presença de ácidos graxos insaturados derivados dos fosfolípidios é significativa na geração do aroma da erva mate.(2)

Erva-Mate”; Fármacia Verde. Disponível em: http://www.uniarp.edu.br/farmacia_verde/ plantas/20 . Acesso em 28 de abril de 2020.

 

Guaraná

Guaraná é o fruto de uma espécie de liana nativa da região amazônica pertencente à família Sapindaceae cuja semente é utilizada para produção do guaraná em pó e xarope. Sua etimologia é derivada da palavra indígena “wara’ná” que significa árvore que sobe em outra.

A Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) faz a estimativa da produção de sementes de guaraná no país. Aproximadamente 70% do total da produção é absorvida pela indústria de refrigerantes e os 30% restantes abastecem o mercado interno e externo, na forma de pó, bastão, extrato e xarope. O pó de guaraná é utilizado na medicina popular como dietético alimentar, estimulante orgânico (por conter cafeína), analgésico, antipirético, antifermentativo, diurético, antioxidante, tônico vascular e considerado como elixir de longa vida. A cafeína, um dos compostos químicos do guaraná, é uma substância psicoativa, um alcaloide derivado metilado de bases purínicas, identificado com a estrutura 1,3,7-trimetilxantina, está presente nas sementes do guaraná e em outras cerca de 63 espécies de plantas. A investigação científica aponta para resultados positivos sobre os possíveis efeitos da ingestão de guaraná. Os resultados estão relacionados a uma melhora nos casos de doenças metabólicas cardiovasculares, ligadas ao metabolismo lipídico e oxidação de proteína de alta densidade, a atividade biológica antioxidante dos polissacarídeos, o efeito protetivo em fibroblaste NIH-3T3 e a melhoria de pacientes com câncer no seio submetidos a tratamento quimioterápicos.

Os extratos do guaraná e seu uso corrente como bebida e outras formas de consumo são considerados benéficos para a saúde humana. No entanto, em doses elevadas podem causar efeito citotóxicos. Doses de até 20 mg/mL do extrato de guaraná apresentam menores impactos sobre a viabilidade das células da linhagem NIH3T3, indicando menor toxicidade nesta faixa de doses.

 

InfoEscola. Disponível em: https://www.infoescola.com/plantas/guarana/ . Acesso em 28 de abril de 2020.

 

Guaraná em pó

A Paullinia cupana é uma planta encontrada no Brasil, Venezuela e Guianas. Seu fruto, conhecido popularmente como guaraná, recebeu este nome em homenagem aos índios guaranis. Este fruto, ao passar por processo de secagem, pode ser triturado, moído ou pilado, se transformando em um pó de aspecto marrom e sabor amargo. Este, que contém maiores concentrações de cafeína que o próprio café, também contém teobromina, esta de propriedades semelhantes às da cafeína, porém mais brandas.

Estimulando a liberação de dopamina e adrenalina na circulação sanguínea, o pó de guaraná é empregado para conferir vigor e retirar o sono, sendo amplamente utilizado por estudantes e profissionais que enfrentam grandes jornadas de trabalho. Previne também cãibras, enxaquecas, problemas gastrointestinais e até mesmo a arteriosclerose.

Além de cafeína e teobromina, o pó de guaraná contém fibras vegetais, amido, ácido tânico, cálcio, ferro, fósforo, potássio, tiamina e vitamina A.

Importante: como seus efeitos duram aproximadamente seis horas, o ideal é que se ingira o guaraná em pó pela manhã, a fim de não perturbar o sono noturno. Quanto a este fator, existe o risco do indivíduo, ao ter o sono comprometido, ingerir nova quantidade pela manhã, em busca de um vigor que não foi recuperado à noite. Assim, tal atitude pode se tornar uma constante no dia a dia do sujeito, propiciando um quadro de dependência física e psicológica, apresentando ao indivíduo irritabilidade e dor de cabeça quando não há o consumo do guaraná.

ARAGUAIA, Mariana. “Guaraná em pó”; Mundo Educação. Disponível em: https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/saude-bem-estar/guarana-po.htm . Acesso em 28 de abril de 2020.

 

Guaraná contra o estresse

A mais conhecida planta nativa da Amazônia, o guaraná é um poderoso estimulante natural e pode ser utilizado também em molhos de receitas salgadas.

Sua ação energética não é lenda. Os índios brasileiros há centenas de anos já cultivavam a planta para ganhar energia e lucidez. Hoje sabe-se que a planta aumenta o entusiasmo, alivia o cansaço físico e mental, combate o estresse, tem ação cardiocirculatória (previne a arteriosclerose e regula o ritmo cardíaco), corrige distúrbios gastrointestinais, tem efeito diurético (elimina impurezas) e ainda é afrodisíaca.

Tudo isso por causa da composição das sementes do guaraná, que contêm cafeína, amido, ácido tânico (indicado para combater enxaquecas), fibra vegetal, cálcio, ferro, fósforo, potássio e vitamina A.

Mas, pelo alto teor de cafeína, substância que age sobre o sistema nervoso e as fibras musculares, o guaraná deve ser consumido com moderação. "A cafeína em altas doses pode provocar insônia, ansiedade, prejuízo de memória, arritmias cardíacas e danos gástricos", explica a nutricionista Ana Paola Monegaglia.

O alerta é dirigido especialmente a quem tem problema cardíaco ou sofre de hipertensão. O cardiologista Raimundo Marques, diretor da Sociedade Brasileira de Cardiologia, enfatiza que, para essas pessoas, o consumo de guaraná em pó ou do extrato da planta é totalmente proibido. "O guaraná provoca aumento da freqüência cardíaca e da quantidade de substâncias que levam à constrição das artérias", diz.

Para aproveitar as propriedades do guaraná sem sofrer os efeitos colaterais, o ideal é não ingerir mais do que 0,5 g do pó ou uma cápsula do extrato por dia. "Além de aumentar a pressão e os batimentos cardíacos, mais do que isso pode provocar dependência química", avisa Marques.

Quanto ao refrigerante de guaraná, não há motivos para preocupação: a bebida contém cerca de 1% do extrato da planta, quantidade que não é suficiente para provocar o efeito estimulante.

LUANDA NERA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Guaraná contra o estresse”; Sociedade Brasileira de Cardiologia. Disponível em: http://www.cardiol.br/imprensa/jornais/impresso/guarana.htm . Acesso em 28 de abril de 2020.