B. Alan Wallace é um físico budista, discípulo do dalai lama, e numa entrevista concedida à Revista Planeta em 2009, ele disse algumas coisas sobre o ponto de vista dele que eu pessoalmente concordo:

 

É impossível comentar a existência de Deus sem especificar o que exatamente estamos dizendo com a palavra "Deus". Há os que consideram essa uma questão inteiramente de fé ou crença religiosa, e os que argumentam que é uma questão de experiência pessoal. Mesmo os que dizem conhecer Deus pela própria experiência costumam interpretá-la de acordo com crenças, suas ou de seus pares.

 

Não acredito na existência de um Deus independente do mundo natural, que o cria, o governa, causa desastres naturais, premia com salvação eterna os que o seguem e pune com a danação eterna os que nele não acreditam e os que levam suas vidas no mal. Não posso acreditar que um Deus compassivo infligiria punição infinita por crimes finitos, e muito menos que puniria pessoas eternamente por suas crenças, religiosas ou não. É igualmente implausível a hipótese de que o universo é uma máquina sem mente, e que a consciência misteriosamente surja de alguma "ainda-não-explicada" configuração de substâncias químicas. Essa é a crença dos materialistas - mas, já que eles não conseguem explicar como isso acontece e não têm nenhuma forma de submeter tal crença a testes empíricos, ela não é verdadeiramente uma hipótese científica.

É somente uma opinião, como qualquer consideoutra assunção metafísica ou religiosa.

Mas nem todos os cristãos veem Deus dessa forma. Nicolau de Cusa, contemplativo cristão do século 15 que foi cardeal da Igreja Católica Romana, declarou: "Você não encontra nada em você como Deus, mas certamente afirma que Deus está acima de tudo isso, como causa, início e luz da vida de sua alma que conhece... Você se alegrará de ter encontrado Deus além de toda sua interioridade como a fonte do bem, de onde tudo que você tem flui para você. Você se dirige a Deus entrando cada dia mais profundamente em seu interior, renunciando a tudo que está fora, para que seja achado naquele caminho em que Deus é encontrado, para que depois disso possa perceber Deus na verdade."

Essa noção de Deus, que transcende a divisão de "dentro" e "fora", é muito mais próxima da visão budista do divino, como uma perfeição residente, que pode ser realizada por meio da busca contemplativa nas profundezas da consciência. Se for assim que definimos Deus, eu diria que Deus de fato existe, e que a busca experimental de Deus é o maior significado da existência humana.

 

Essa entrevista está na íntegra nessa página

http://www.terra.com.br/revistaplaneta/edicoes/446/artigo158579-1.htm

ou você pode acessar aqui

http://stoa.usp.br/briannaloch/files/-1/13033/Entrevista+B+Alan+Wallace.pdf

ou, se não conseguir em nenhum dos dois, acesse aqui (em rtf)

http://stoa.usp.br/briannaloch/files/ no fim da página

Ps: ainda que eu ache essa entrevista interessante, eu não sou budista... por favor não me perguntem quais são as bases da doutrina budista ou algo do tipo.