Um pouco de tudo, inclusive de mim mesma. Nem tudo vai agradar, mas essa sou eu e as coisas que me cercam. Eu mudei muito, mas e dai? Minha cara e o meu nome continuam a mesma coisa, me interessa fazer o que acredito ser o certo. Ter opinião diferente não obriga ninguém a brigar com ninguém, cada um é livre para pensar, falar e agir como quiser de acordo com o que acredita ser certo. Cada um é responsável pelas consequencias de suas próprias palavras, pensamentos e ações.

Da crina... à juba

10 de Novembro de 2007, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Mais uma vez... lua nova. Outra vez, uma fase obscura e tenebrosa se passando - ainda bem que isso não é regra na minha a toda lua nova, senão... certamente eu já estaria bem longe da faculdade a essas alturas.
Revolta é uma palavra que pra mim faz cada vez mais sentido, tem cada vez mais relevância, é um sentimento mais e mais constante a cada dia. As coisas me deixam revoltada, eu reajo externando minha revolta... e o "ambiente" reage de uma forma que me causa ainda mais revolta.

Depois de passada a data do Samhain - ou Beltane, dependendo do ponto de vista - sem que eu tenha feito absolutamente nada que fosse muito além da minha rotina de qualquer outra quarta-feira do ano, senti enfim o peso da minha distração: já fui mais relapsa que o aceitável, certamente mereço passar por mais uma lua nova "verdadeiramente obscura" e complicada. Castiga Cerridwen, castiga essa filha tua infeliz e ingrata! Eu sei que mereço! Não vá se apiedar, Macha! Deixa, deixa agora que Cerridwen me ensine...

O fato é que o próximo período de Esbath ainda está distante... e eu já percebi que, no meu caso, a lua nova é mais produtiva pra resolver as coisas do que a lua cheia - mal me lembro do que é passar um Esbath, ultimamente ele anda passando batido, ultimamente mal me lembro de ter parado para olhar o céu depois de passado os períodos de lua nova. Pois que seja, então, novamente uma oferta aos Deuses feita em lua nova.

Descrever coisas que eu quero deixar para trás já não me resolve nada. Como em setembro, sei que para "apagar" a memória de coisas passadas tem sido melhor deixar algo de concreto e físico para trás, funciona como se uma parte da minha mente ficasse presa no objeto que deixo para trás.

Resolvi, ao relembrar - em parte - do que me ocorreu em setembro, e do que fiz em relação à situação, que seria pertinente retomar o que fiz. Foi na lua nova de setembro que a imensa cabeleira, longa tal qual os tentáculos de medusas em águas marinhas, foi transmutada em uma crina eqüestre selvagem e rebelde. Pois agora, novamente com uma sensação indescritível de alívio, lembrei da minha bem guardada tesoura afiada, e a crina enfim tornou-se juba.



Negação literária

6 de Novembro de 2007, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Diga o que quiser
condene o quanto puder
que dos mortos estou farta!

 

Ralhe e condene,
maldiga a mulher
que decerto mal sabe
dizer o Português de rebuscos,
quanto mais fazer prosa e verso em Inglês!
Pois largue,
largue de uma vez,
largue de dar atenção
a uma mulher tão infame!


Pegue Foucault, Flaubert, Kafka, Balzac,
Calvino, Maupassant, Henry James, Anne Rice,
pegue e leve-os embora contigo!
Quero a prosa e a poesia
de fundo de quintal,
quero a literatura dos vivos!

 

Pois deixe de dar atenção
a uma mulher tão infame,
de versos fracos,
isenta de norte,
que é incapaz de extravasar
sua agressividade através de palavras!
Com tantos bons escritores
- escritores jovens e vivos
de que vale essa mulher?


Pois estou farta dos mortos!
De tudo que eu quero,
antes quero
uma literatura que não
seja morta!


Deixe, deixe de lado,
deixe de dar atenção
a uma mulher tão infame,
que não sabe o
que é literatura,
quanto mais fazer versos...
essa mulher não é literata!
Como pode um ser humano
em sã consciência
ignorar os clássicos?


Não me fale,
não comente, não me lembre,
eu não quero os versos de Camões!
Pare de citar os mortos,
não me fale de Horácio,
nem de Homero, Catulo ou Safo!
Às favas com os clássicos!
De tudo que eu quero,
antes quero uma
literatura viva!

 

(CRUSP, Cidade Universitária - São Paulo, Novembro de 2007)