Afinal, quais são as razões de quem não adere à greve?

20 de Junho de 2009, por Desconhecido - 1111 comentários

Hoje eu estava passando o olho pelo grupo de e-mails do DCE hoje, por curiosidade, e me deparei com uma pergunta legítima de uma garota: afinal de contas, o que esse pessoal contra a greve pensa? Como eles se justificam?

 Eu parei para pensar e notei que enquanto os que defendem a greve centralizam bastante seu movimento e tem pautas de reivindicações bem claras, nós realmente não nos preocupamos em dizer o que pensamos a respeito da greve e nos contentamos em manifestar a decisão final contra ela. Por sentir que a dúvida da garota era de fato genuína eu resolvi escrever algo sumarizando o que eu penso sobre o assunto. Não cabe aqui no blog. Sinto muito, ficou meio grande. Como tudo que eu escrevo eu escrevi muito mais para mim mesmo, para solidificar meus raciocínios internos sobre o assunto, do que para ser lido por outras pessoas. Mas vou colocar aqui.

 É um pdf com 8 páginas. Mas o espaçamento é duplo e a largura do texto é a padrão de 60 caracteres, de forma que nem é tanto texto assim. Me custou umas duas horas para escrever e pode ser lido em uns 15 minutos. Vou colocar apenas o parágrafo inicial aqui e o resto fica linkado no pdf abaixo.

Aos que se interessam,

tendo percebido que há uma certa incompreensão por parte de alguns estudantes aderentes à greve a respeito das razões pelas quais outros estudantes não aderiram à greve, em parte por nossa culpa de não expor essas razões de maneira clara e objetiva, resolvi escrever essa carta. Fui motivado particularmente por uma discussão que li na lista do grupo de e-mails do DCE, que me mostrou que muitas pessoas querem de fato entender as razões e têm genuína dúvida a respeito disso.

 

Para continuar lendo clique aqui.



Violência e desinformação pode. Flash mob pacífico não pode.

19 de Junho de 2009, por Desconhecido - 4141 comentários

Hoje muita gente viu ao vivo na prainha da ECA e na praça do relógio o que significa democracia para um setor radical dos grevistas. Eles jogam com desinformação, cooptação e violência verbal e física. Nós estavamos lá espontaneamente, só para mostrar que há quem não queira usar esses métodos.

Na quarta-feira dessa semana, um pessoal em uma lista de e-mails da ECA deu a idéia de fazer um flash mob, uma reunião marcada rapidamente, com o único objetivo de aparecer em um certo local e em um certo horário. A idéia era mostrar fisicamente que existem pessoas contra a greve e contra os métodos da greve. Mostrar que não concordamos com radicalismos e com violência. Duas reuniões foram marcadas - um piquenique na prainha da ECA e um flash mob na praça do relógio.

Não houve líderes marcando nada, não houve nada organizado. Apenas um cartaz dando uma dica de horário e local. Isso é típico de um flash mob - não tem líderes nem organizadores. A idéia é lançada para se espalhar na internet e ver a coisa acontecer espontaneamente. A idéia era aparecer, ficar lá alguns por meia hora, uma hora que fosse, e ir embora. Simples assim. Pacífico assim. Só para mostrar uma resistência. Mas nada pode ser tão fácil na USP. Nada pode ser tão pacífico.

Eu sinceramente achei que não ia aparecer ninguém. Mesmo assim fui pra ver. Quando eu cheguei à prainha havia uma assembléia do Sintusp!! Para quem não sabe, a sede do Sintusp é próxima à prainha. Mas a escolha da prainha foi simplesmente porque quem lançou a idéia em primeiro lugar eram alunos da ECA. Não tinha nada a ver com provocar o Sintusp. Algum acéfalo espalhou a notícia de que queríamos invadir a sede do sindicato.

Fomos recebidos aos gritos de ''faxistas reacionários'' por parte deles. Logo a notícia de que estavamos lá para invadir o Sintusp se espalhou e quando surgiu um estudante distribuindo panfletos contra a greve, ele foi agredido por uma galera que voou em cima dele. Felizmente não houve nada de mais grave depois disso e nós fomos para o nosso canto na Prainha. Fiquei até as 13:30. Me disseram que houve confusão depois mas eu não vi. Mas também não duvido. 

Depois fui fazer minhas coisas e planejei voltar para o Flash Mob na Praça do Relógio. Cheguei bem antes do horário e fiquei esperando. Chegaram alguns grupos. Mais alguns. Mais alguns. Eu achando que ia miar e que meia dúzia iam aparecer. De repente, lá pelas 19:00, tinha pelo menos umas 200 pessoas. Legal, pensei. Interessante. Vamos conseguir fazer um negócio pacífico e ir embora dessa vez. Logo, logo tínhamos um pouco mais de gente. Acho que o pico deve ter chegado perto de 300. Não sou estimador oficial de multidões, mas certamente havia mais de 200 pessoas.(uma boa estimativa foram os 100 fliers que um colega meu distribuiu antes da multidão estar completa e não deu para metade do pessoal). 

Logo chega um carro da PM. Nos disseram que alguém do sindicato chamou a PM porque estava correndo boato de que nós iriamos invadir a sede do Sintusp. Explicamos para os policiais o que era que estavamos fazendo e continuamos lá, parados. 

 É verdade que houve um momento em que umas pessoas começaram a andar na direção da FEA. Rapidamente eles foram parados, avisados de que não seria uma boa idéia passar perto do Sintusp em multidão e todos voltamos numa boa para a Praça. O pessoal que estava colhendo assinaturas para mostrar que as assembléias do DCE não são bons indicativos de opinião dos alunos estavam lá, colhendo assinaturas (ao contrário do que foi dito, eles não organizaram o flash mob, só ficaram sabendo e resolveram ir). 

NUNCA HOUVE NENHUMA IDÉIA DE INVADIR O SINTUSP. NÃO É ISSO QUE QUEREMOS FAZER. NÃO QUEREMOS OS MESMOS MÉTODOS VIOLENTOS. 

Logo que os PMs viram que não era um ato violento, foram embora. Nisso deu a hora do pessoal ir pra aula e a multidão começou a se dispersar. E um grupo de pessoas a favor da greve apareceu. Houveram gritos de ''USP sim, greve não'', o pessoal da greve respondeu chamando-nos de fascistas. 

Sinceramente essa é uma alcunha que me ofende bastante. Eu não sou fascista. Ninguém ali é. Ninguém alí defende métodos violentos, ninguém alí estava disposto a confrontar ninguém. As pessoas querem ter direito de manifestar sua opinião diversa e ponto. Assumir que alguém que discorda de você é fascista só porque está do outro lado é uma coisa infantil. 

Quando percebemos que o grupo deles estava avançando, simplesmente viramos de costas e fomos andando na direção da FEA, visto que já tinha acabado o que queriamos, não estavamos dispostos a confronto algum, não tínhamos intenção de dar motivo para confronto e muita gente tinha aula. Eles continuaram seguindo gritando coisas. Alguns de nós gritaram ''a USP agora vai pra aula''. Continuamos andando e nos dispersamos.

Próximo aos bancos, dois do grupo foram encurralados e sofreram chutes e cusparadas. Algumas pedras voaram na minha direção e na da minha namorada. Corremos. Eles começaram a dizer que venceram. 

Venceram o que?? O concurso de quem é mais imbecil?? Nós nunca havíamos nos disposto a embate físico nenhum. Eu não brigo com meus coleguinhas de turma desde a terceira série eu acho. 

Um dos caras foi cercado em volta da porta de um dos bancos. Não vi quem porque eu estava mais adiante. Apenas ouvi a porta do banco sofrendo pancadas. O cara aparentemente conseguiu sair e a gente se reuniu dentro da FEA porque o grupo continuava a nos perseguir. Os capangas ficaram na frente da saída da FEA sem deixar a gente sair por uns 40 minutos. 

Um morador do CRUSP e outra pessoas que estavam na festa junina depois mostraram para nós o que o Sintusp espalhou de desinformação. Havia um papelzinho rolando nos quartos do CRUSP dizendo que eles tinham interceptado um e-mail dizendo que ''um grupo de extrema-direita'' queria botar fogo na sede deles, no DCE ou na FFLCH!!!  Uma moças vieram da festa junina dizendo que estavam espalhando que diziam que nós eramos fascistas que iam aparecer lá na festa levando tochas para queimar tudo.

Desinformaçao, violência, pedras, empurra-empurra, socos, pontapés, cusparadas. Isso é democrático, pró-operário e faz parte de manifestações legítimas. 

Flash mob pacífico. Isso é fascismo, praticado por camisas negras violentos, filhinhos-de-papai que querem por fogo no Sintusp.

É difícil para mim entender. 

(edit): IMPORTANTE

As pessoas que foram agredidas nos eventos depois do flash mob estão juntando evidências para levar o caso à justiça. Se você tirou fotos ou gravou vídeos, envie anonimamente para 19.junho.2009@gmail.com. Se você tem condições de testemunhar, voluntarie-se pelo mesmo e-mail.



Notícias frescas do Irã

14 de Junho de 2009, por Desconhecido - 1Um comentário

Houve hoje manifestações generalizadas no país, segundo os twitteiros. Fontes tradicionais falam em centenas de milhares, twitteiros falam em mais de um milhão. Como sempre é difícil confiar nos números que eles passam porque é claro que têm interesse em aumentar. Tome as notícias com um grande grão de sal. Durante a tarde Mir-Hossein Mousavi, o líder reformista que concorreu às eleições, fez um discurso para a multidão. 

Manifestantes em Tehran.
Manifestantes contra Ahmadinejad em Tehran.

 Uma notícia mais confiável é de que a polícia atirou com força letal na multidão. Não sei as circunstâncias. Pode até ser que tenha havido conflito provocado pela multidão. É até provável. Não se tem notícias sobre números, mas sabe-se que houveram mortos. ( http://twitpic.com/7hbae  - imagens fortes. Não clique se for sensível)

Muitos twitteiros estão reclamando que as forças de segurança que  estão sendo usadas para reprimir a multidão falam árabe e tem aparência libanesa, e muitos disseram abertamente se tratar do Hezbollah - o grupo paramilitar libanês fundado sob os princípios da Revolução Islãmica iraniana de Khomeini.  Não confundir com o Ansar-e-Hezbollah - um grupo de radicais iranianos pró-Revolução Khomeinista. Também é outra notícia não confirmada - não se pode ter certeza.



5 razões para crer que as eleições iranianas foram fraudadas

14 de Junho de 2009, por Desconhecido - 22 comentários

Adaptado de:http://www.youtube.com/watch?v=6mqf00InV9E

 

Background:

Históricamente em cada eleição presidencial iraniana dezenas de candidatos conservadores tentam participar e são recusados. Isso causou historicamente uma baixissima taxa de eleitores indo de fato às urnas porque não sabiam se seu candidato iria estar nas cédulas.

Dessa vez dois reformistas iriam participar da eleição, incluindo o ex-primeiro ministro Mir-Hossein Mousavi, então esse ano houve uma grande participação de 85% dos eleitores nas urnas. No final o ministério do interior declarou vitória de Ahmadnejad, o atual presidente, com 63% dos votos.

Mas coisas estranhas apontam para fraude eleitoral:

1) A região de Tabriz, cidade de origem de Mir-Hossein Mousavi tradicionalmente vota a favor dele ou de quem ele ou seu grupo étnico indicar. Entretanto parece que dessa vez eles votaram 2 para 1 em Ahmadinejad. Estranho?

É a mesma coisa que Lula ganhar a eleição em um enclave de extrema direita no Rio Grande do Sul.

2) A última eleição no Irã foi em 2005. Mesmo sendo mais popular naquela época, Ahmadinejad não conseguiu evitar uma fuga de eleitores às urnas e não teve uma porcentagem tão alta quanto agora.

3) O comparecimento às urnas foi gigantesco. E nos últimos 20 anos sempre que houve um grande comparecimento às urnas um candidato reformista ganhou. Todas as pesquisas pré-eleitorais indicavam que Ahmadinejad só ganharia se houvesse pequeno comparecimento.

4) Apesar no número enorme de votantes para os padrões iranianos, o ministério do interior anunciou o resultado apenas 2 horas após o fechamento das votações!!  Contaram milhões de urnas a mais em muito menos tempo do que levou nas últimas eleições!! E sem o milagre das urnas electrônicas brasileiras.

5) Muitos membros da campanha de Mousavi reportaram que ele foi contactado pelo ministro do interior para informá-lo de que ele tinha ganho as eleições, mas minutos depois o mesmo ministro foi à TV anunciar a vitória de Ahmadinejad.
 



Revolta virtual no Irã

14 de Junho de 2009, por Desconhecido - 44 comentários

O Irã está em revolta. Lá a polícia foi posta para atacar deslealmente estudantes e manifestantes com força letal e pessoas estão sendo presas, muitas desaparecidas. A cobertura da imprensa tradicional está sendo impedida e até redes de TV árabes como a Al-Arabyia estão sendo bloqueadas.

Eu até gostaria de fazer comparações entre lá e aqui mas não vou fazer porque não ajuda e vai soar como provocação. Vou focar em outro assunto - em como saber e espalhar notícia sobre o que está havendo lá. 

Como a BBC e outros canais de TV estão sendo impedidos pelo governo de fazer a cobertura adequada as fontes de informação - uma informação ruidosa e bem menos confiável, parcial porque vem só de um dos lados, mas direta e fresca, em tempo real - são os próprios estudantes das universidades iranianas que estão fazendo de tudo para conseguir usar o twitter e o facebook para passar informações para o ocidente.

Um bom site para adquirir informações de forma rápida e condensada é o site http://iran.twazzup.com/. Os perfis do twitter que mais falam sobre o assunto diretamente de lá são:

http://www.twitter.com/change_for_iran

http://www.twitter.com/tehranbureau

http://twitter.com/IranElection09

http://twitter.com/jimsciuttoabc

Lista de twitters sobre o assunto: http://www.h3x.no/2009/06/14/iranians-on-twitter-during-the-june-clashes/ 

Facebook: http://www.facebook.com/topic.php?uid=55425040820&topic=11769

Outras fontes, muita coisa em persa:

http://elections.7rooz.com/

 

 

 

Para os que não estão conseguindo acompanhar, o que está rolando no twitter pode ser resumido mais ou menos ao seguinte:

1) Depois da repressão aos manifestantes nas ruas, tanques foram levados à capital Teerã e ocupam locais estratégicos. 

2) Manifestantes no norte do país conseguiram tomar uma delegacia/quartel - não sei ao certo - em Kalantari Tajrish.

3) Universidades foram invadidas com forças policiais e mais de 100 estudantes foram presos, muitos feridos ainda estão entocados nos prédios e twittam de lá (exemplo: http://www.twitter.com/change_for_iran ).

4) Muitos twitters estão relatando que o Hezbollah está sendo usado ao invés da polícia para atacar os estudantes. 

5) A polícia está ocupando jornais e outros meios de comunicação e impedindo a veiculação de notícias. Além disso satélites usados pela BBC  Persia -  isso é notícia oficial - foram atacados com jamming de sinal. Outros veículos de imprensa - ocidentais e orientais - estão sendo impedidos de cobrir adequadamente. ( http://tinyurl.com/mwd348 http://tinyurl.com/lwxkds ).

 

 Fiquem de olho para ver o que continua acontecendo.  

 P.S.

Se alguém aí sabe ler persa por favor nos ajude a traduzir a página onde um dos candidatos ''derrotados'' na eleição está postando coisas:

http://sites.google.com/site/mousavi1388/