Paranóia e ilusão auditiva - um estudo de caso

5 de Junho de 2009, por Desconhecido - 33 comentários

Em um texto do C.A. da FFLCH, um autor chamado Antônio cria uma grande celeuma a respeito de uma declaração supostamente facista de um jornalista do SBT, José Nêumanne Pinto.

No dia 04/06 desse ano o jornalista fez um breve comentário sobre a greve na USP no Jornal do SBT. Segundo o blog do C.A. da FFLCH ele teria dito:

O Jornalista José Nêumanne Pinto (...) afirmou em seu editorial na televisão chamado "Direto ao Assunto", que "essa gente deveria levar tiro" da polícia, referindo-se aos funcionários grevistas da USP, apoiados por estudantes e professores

(texto retirado do blog http://www.fflch.usp.br/df/caf/blog/antonio/vejam-exemplo-de-fascismo-no-jornalismo-brasileiro )

Quem em sã consciência apoiaria o jornalista tivesse ele dito tal absurdo? Eu mesmo fiquei assustado quando ouvi falar disso. Achei um exagero ridículo, uma declaração mais do que infeliz. Até assistir no youtube o vídeo original:

http://www.youtube.com/watch?v=xFBfr-8UobU

No vídeo se ouve perfeitamente:

 Essa gente devia tomar tino, você não acha?

Tomar tino, para quem não teve avó, significa tomar juízo, tomar tento. 

Poxa... isso me levou a especular sobre o que leva alguém a entender tiro ao invés de tino. Acho que isso tem muito da paranóia típica desses caras - a tensão é tanta na cabeça deles que até ouvem as coisas errado.

 



USP em greve. Será?

5 de Junho de 2009, por Desconhecido - 3131 comentários

Desde o fim dessa semana alunos e professores da USP estão em greve em apoio aos funcionários. Isso significa que em torno de 50 mil alunos de graduação, 20 mil alunos de pós-graduação e 5 mil docentes estão parados, não frequentam suas atividades e estão protestando, junto com os 15 mil funcionários que estão em greve já faz um tempo. 

Pelo menos é isso que o DCE, a ADUSP e o Sintusp querem fazer a sociedade acreditar com seus comunicados, panfletos e declarações à imprensa.

Bem. Vejamos. Ontem eu, aluno de pós-graduação do Instituto de Física, passei o dia todo na USP trabalhando, junto com praticamente todos os meus colegas do mesmo departamento. A biblioteca da Física estava aberta e operando normalmente, com todos os seus funcionários devidamente lá dentro trabalhando. As secretárias do IF todas trabalhando. A seção acadêmica também. Os alunos de graduação passavam de um lado ao outro com seu barulho habitual, e enchiam salas de aula para estudar e fazer provas. Todos os professores estavam nas suas salas ou dando aula, fazendo o seu trabalho de sempre. 

Pelo menos do Instituto de Física a greve tão noticiada por DCE, Adusp e e  Sintusp está bem longe.

Por curiosidade, acho bom que os repórteres tentem dar uma voltinha no campus. Poli, FEA,FAU, Química, ... todas as unidades parecem funcionar como sempre, sem interrupções. 

Até alguns alunos da ECA e da Letras me disseram que assistiram aula normalmente !! Cursos que, segundo o DCE, estavam totalmente parados. 

Parece que esse pessoal tá sem moral...

 



A tragédia como produto jornalístico

3 de Junho de 2009, por Desconhecido - 22 comentários

Eu não conheço nenhuma das pessoas que se acidentou no vôo da Air France. Não sei se eles eram bons em golf, ou se gostavam cães ao invés de gatos. E, sinceramente, pouco me importa.

Não!! Isso não é crueldade ou falta de sensibilidade. É simplesmente o reconhecimento do fato de que essas pessoas não fazem parte da minha vida, nunca fizeram. E não passam a fazer porque morreram num acidente. O meu interesse em conhecer suas vidas pessoais continua o mesmo que era antes de suas trágicas mortes: absolutamente nenhum.

Alguns eventos, em especial tragédias e acidentes, parecem que se tornam um imperativo jornalístico. Parece haver uma corrida incrível entre os jornalistas para cobrir todos os aspectos possíveis e imagináveis. Há uma urgência em se falar do assunto. Tudo sobre o assunto. No início isso é até positivo - todo mundo fica informado das coisas que interessam rapidamente. Mas depois acontece um fenômeno interessante: a pauta acaba, mas o interesse no assunto não. 

 Parece que há uma compreensão por parte dos jornalistas de que a população deseja avidamente consumir qualquer informação sobre o assunto. Daí surge todo tipo de anomalia na imprensa. Especialistas são chamados para fazer suas análises, que tão logo proferidas são exageradas e distorcidas pelo jornalista - exacerbando as partes interessantes e ignorando a moderação característica dessas análises. A vida das pessoas envolvidas são exibidas em todos os aspectos. Aspectos totalmente irrelevantes da tragédia passam a povoar o noticiário, junto com todo tipo de especulação imbecil. 

 Há pouquíssimas informações objetivas para se dar sobre a queda do vôo da Air France. Pouquíssimas. A pauta se esgotou em dois dias. Entretanto as notícias não param. 

É incrível ouvir como as especulações começam a se proliferar - foi relâmpago? Atentado? Foi uma onda gigante? Foi um pássaro  marinho? Foi um ovni? O avião estava com defeito?

Cacilda!!! Não dá para saber!! E para isso que existem investigações pô!! Há que se esperar as pessoas que sabem o que estão falando terem evidências o suficiente para falar. Investigações não se fazem levantando especulações baseadas em cada pequena peça de informação individualmente, mas recolhendo toda a informação disponível e produzindo evidências sólidas. Isso leva tempo. Semanas. Meses. Mas dá a resposta mais provável.

Também me espanta ouvir o tipo de informações e análises mais imbecis e irrelevantes sobre o assunto. A controvérsia sobre o tamanho do objeto que foi recolhido. A controvérsia sobre a influência das correntes marítimas no resgate de destroços. A controvérsia sobre os equipamentos usados para lidar com os corpos. A opinião de reporteres  e não-especialistas sobre  assuntos técnicos.

Eu não aguento mais ouvir as mesmas informações repetidamente sobre esse caso, nem ouvir informações irrelevantes, nem ouvir detalhes da vida pessoal das pessoas que morreram , nem ouvir idiotices e especulações.

Um avião caiu. Pessoas morreram. As causas estão sendo investigadas. Isso é notícia. O engenheiro que morreu tinha criava cães da raça Lhasa Apso e jogava golf. Isso NÃO é notícia. Enquanto isso notícias de verdade estão acontecendo por aí e estão sendo ignoradas para podermos gastar metade do tempo do jornal falando sobre um assunto irrelevante.

(edit) Eu até acredito que na maioria das vezes não é má fé por parte dos jornais. Eu acho que acontece mesmo é uma simbiose estranha entre os jornalistas e o público que acaba valorizando esse tipo de não-notícia. É um diálogo entre a sensibilidade os leitores tocada pela tragédia com uma avidez por satisfazer o público por parte dos jornalistas. O efeito coletivo desse diálogo é esse.



Google Wave - o serviço que vai mudar toda a web como conhecemos

29 de Maio de 2009, por Desconhecido - 22 comentários

Essa semana começou uma revolução na web para os usuários e para os programadores web. Principalmente para os usuários. 

Todos os serviços que usamos hoje na internet ficarão obsoletos e serão substituídos por um único sistema open source, capaz de oferecer todas as ferramentas hoje espalhadas em dezenas/centenas de sites e outras jamais imaginadas. E-mail, instant messagers (googletalk, MSN, ...), blogs (Blogger,Wordpress,...), wikis (Wikipedia), álbuns de fotos (flickr, picasa,...), redes sociais (facebook, orkut,...), social media (Twitter, Identica, Delicious,...). Todos simplesmente vão se tornar melhores, mais úteis e essencialmente uma única ferramenta, assim que o Google Wave for lançado.

Quando eu ouvi isso no começo da semana achei um grande exagero. Recebi um tweet sobre isso, li em diversos blogs, muita empolgação e pouca explicação sobre o que de fato era o tal Wave. Até que hoje finalmente o vídeo da palestra de lançamento dada no encontro Google I/O 2009 foi liberado no youtube. É tudo verdade!!! E vai acontecer esse ano.

Nessa palestra, os irmãos Rasmussen, gênios do time que desenvolveu o Google Maps, e outros membros da equipe descrevem uma plataforma de comunicação baseada no browser, open source, capaz de se comunicação com outras redes privadas desenvolvidas a partir do mesmo princípio (o tal do protocol federation), com um API público que permite que praticamente qualquer coisas seja construída usando o Wave como base de comunicação.

Qualquer coisa mesmo: desde jogos, wikis, blogs, corretores ortográficos perfeitos que usam contexto gramatical e uma base de dados gigantesca localizada no google, tradutores simultâneos quase perfeitos (coisas que já são possíveis com o que está pronto) até qualquer coisa que qualquer programador na face da Terra puder imaginar. Tudo isso com toda a parte de comunicação realtime já pronta, facilitando a vida dos programadores.

A palestra começa com uma afirmação que aposto que nunca tinha ocorrido à maioria dos web developers. O e-mail é um protocolo inventado 40 anos atrás, antes da web, antes até da internet existir, e ainda é a ferramenta de comunicação mais ubiquamente usada até hoje. Veio antes do instant messaging, antes dos wikis, antes dos blogs, antes do Twitter. A pergunta que o time do Wave se fez é: como seria o e-mail se tivesse sido inventado hoje?

A resposta que o time deu para essa pergunta é fantástica. E capaz de substituir praticamente todas as coisas que usamos hoje na internet. 

Não adianta eu ficar tentando resumir a palestra aqui. Ficaria o mesmo texto não-informativo que eu li em outros  blogs. O que eu vou fazer ao invés disso é implorar a vocês que ganhem uma hora das suas vidas assistindo o vídeo da palestra e sonhem com como isso vai transformar a internet.

E eu sugiro que os desenvolvedores web realmente espertos aprendam a usar essa API AGORA e tenham AGORA idéias inovadoras de como integrar esse serviço ao que você faz. Depois de assistir a palestra você vai entender porque. 

Enfim. Eis a palestra. Be amazed:
(sugiro assistir em HD e fullscreen para poder ver direitinho as coisas que eles vão mostrar)

{{video:http://www.youtube.com/watch?v=v_UyVmITiYQ}} 



Green Porno - a vida sexual dos animais por Isabella Rossellini

21 de Abril de 2009, por Desconhecido - 1Um comentário

Imagine Isabella Rossellini, a linda atriz filha de Ingrid Bergman e Roberto Rossellini, vestida de zangão, simulando a cópula com uma abelha de papel demonstrando como esses pobres animais perdem seu pênis ao copular com a abelha rainha e sangram até a morte.

Eu não estou descrevendo um sonho erótico bizarro, nem estou falando de bizarre x-rated movies. Estou falando de uma linda série de curtíssimos videos (~ 1 minuto) produzidos pela atriz, e agora diretora e produtora, sobre a vida sexual das mais bizarras criaturas. 

Acreditem, apesar do tema bizarro e de todas as expectativas estranhas que ele pode suscitar os vídeos são maravilhosos. Duas temporadas de oito filmes estão disponíveis no Sundance Channel para se assistir online:

http://www.sundancechannel.com/greenporno/

Isabella Rossellini é intensa. O cenário é minimalista, com bonecos de papel colorido. A coisa toda é meio poética. Passa uma forte mensagem de que nada é na natureza não há decoro ou indecência. As coisas simplesmente são, e são da forma que são. 

Eu achei o máximo, e fiquei profundamente frustrado por ter assistido tudo em 10 minutos. Dá uma vontade louca de que fossem 200 pequenos vídeos.