Porque eu li/leio a Bíblia

15 de Dezembro de 2008, por Desconhecido - 1616 comentários

Disclaimer: da série: salve seus posts do orkut. O Tom postou um tópico na comunidade da USP no orkut perguntando se as pessoas liam a Bíblia, com que frequência e porque. Eu dei várias respostas nesse tópico, que versou desde razões para ler até boas traduções, passando por outras coisas. Aqui faço uma compilaçãozinha ajeitada e colada para parecer um texto sobre o assunto.

Já li o conteúdo todo a Bíblia diversas vezes por diversas razões diferentes e continuo lendo. Acho fantástico ter acesso a um texto de milhares de anos de idade que fala sobre assuntos tão variados. Já teve valor religioso para mim, hoje tem apenas valor intelectual.

 
Li em português e em inglês. É difícil achar boas traduções críticas para o português. Talvez uma alternativa seja a tradução do antigo testamento para o inglês feita pela Jewish Publication Society, que é uma tradução bem mais secular e menos forçada a ajustar na visão cristã do novo testamento, que é o que inevitavelmente acontece com as traduções católicas e protestantes. Em português há a tradução da Sociedade Bíblica de Jerusalém que é boazinha, apesar de ser católica. Li uma parte do genesis em latim mas dava muito trabalho. Boa parte do começo dá para entender de boa só com um dicionário. O resto eu precisava de ficar consultando gramática. Daí eu desisti porque não sei lhufas de latim e porque a Vulgata Latina já é uma tradução, não apresentando muita vantagem às traduções feitas diretamente dos originais.
 
Eu acho a bíblia iluminadora sobre o homem.
 
Há um grande diálogo na bíblia, entre ''escolas'' rivais querendo mostrar seus pontos de vista. Para mim é meio perturbador entender porque os caras que editaram essa coleção de livros pela primeira vez resolveram manter todas essas vozes contrárias e essas dissonâncias. Ali estão fragmentos de texto que são os mais antigos textos escritos que têm distribuição ampla e acessível na humanidade. Há fragmentos do genesis que certamente remontam tradições antiquissimas que foram primeiro escritas logo após a invenção da escrita no oriente próximo. Eu não consigo não me sentir atraído por isso.
 
Imagine alguém daqui a 5 mil anos lendo o Wikipedia e dizendo: essas são tradições que antes eram apenas escritas em papel e foram colocadas na internet poucos anos depois da invenção da rede. A bíblia é um dos Wikipedias do oriente próximo. Além disso eu me interesso pela história daquela região do mundo. As duas grandes tradições que culminaram na civilização ocidental moderna são a grega e a judaico-cristã. É inevitável procurar essas fontes se você interessa pelo mundo como ele é hoje.
Tom asked:

Rafael, e a sua curiosidade sobre, digamos, algumas obras dos gregos e o alcorão, por exemplo, existe? Os diálogos de Platão, por exemplo, seriam menos relevantes para uma busca que você faz lendo a bíblia?
 
Claro que sim. A questão é que esses textos são fundamentalmente diferentes e muito posteriores. A Torah em sua versão atual existe desde 700 a.C. e é uma compilação de textos cujos mais antigos são de antes de 1000 a.C. e apresentam tradições orais encontradas também em outros textos do oriente próximo ainda mais antigos. O Corão (note que 'O Alcorão' é reduntante. 'Al' é o artigo definido em árabe) é mais de mil anos mais jovem. Platão é do século IV a.C. apenas. A única coisa grega comparável com a bíblia em antiguidade e influência é Homero, talvez. Claro que eu me interesso por essas outras coisas também, mas a Bíblia tem características específicas sui generis pela sua origem e pela sua idade. Além disso a cultura do antigo oriente próximo é muito diferente da grega e as duas devem ser entendidas para entender o ocidente.
 
(edit)Outra coisa em que cabe analogia com a Wikipedia: nenhum outro texto antigo que eu conheço pode ter esse status de produção coletiva de um povo. A maioria dos textos que conhecemos tem uma autoria mais ou menos bem definida, mesmo que desconhecida. A bíblia foi o primeiro wiki colaborativo e o primeiro mash-up da história! As pessoas que editaram a Torah, aproximadamente 2700 anos atrás, fizeram exatamente um mash-up adicionando, adaptando e comentando uma série de outros textos que para eles já eram antiquissimos. E depois mais foi adicionado e comentado até termos a versão da Tanakh (Torah, Neevim e Ketuvim, os livros judaicos que no ocidente são chamados de antigo testamento) que sobrevive até hoje e ficou pronta provavelmente entre 2000 e 2200 anos atrás.
 
Quando você lê a bíblia é preciso realmente se esforçar para abandonar séculos de tradição racionalista grega que estão no seu software de interpretação de texto. O antigo testamento foi escrito em uma cultura pré-racionalista pré-helênica e é muito importante entender isso. E o novo testamento, apesar de Paulo ter a formação de filósofo helênico, é muito influenciado também por essa cultura.

Em primeiro lugar, quem inventou esse negócio de precisão fática da história foram os gregos e os autores hebraicos não se preocupam com isso. Eles acham perfeitamente natural usar de hipérboles e de atribuir a personagens que estão descrevendo feitos que certamente são anteriores.

Em segundo lugar é preciso entender os estilos literários hebraicos. Há o estilo apocalíptico, encontrado no apocalipse de João, no livro de Daniel e em outros. São escritos muito figurativos, cheios de sonhos e visões, que são usados como forma de passar mensagens ocultas que seriam muito claras aos leitores alvo dos livros de justamente porque eles partilhavam um background cultural. Para nós são textos de muito difícil interpretação porque nós não temos esse background. É o primeiro tipo de criptografia antiga, digamos assim. E era exatamente tornar de difícil leitura para não-hebreus que os levava a escrever assim. É comum nos períodos de dominação estrangeira (império de Antíoco no caso de Daniel, dominação romana no caso de João).

Outro estilo é o de adotar a identidade de um herói antigo para escrever uma mensagem, novamente exemplificado pelo livro de Daniel. Daniel era um herói histórico que teria vivido no século VII a. C. bastante cultuado entre os judeus no século II a.C. e alguém usou o nome dele para escrever um monte de coisas. Não que seu objetivo fosse tentar convencer as pessoas de que Daniel tivesse escrito aquilo, mas mais como uma ferramenta de estilo - o que Daniel escreveria sobre o que está acontecendo agora. Isso é tremendamente comum nos escritos do oriente próximo e é preciso tomar cuidado ao ler. 
 
Recomendo fortemente as aulas-vídeo desse curso de Yale sobre a bíblia judaica:
http://oyc.yale.edu/religious-studies/introduction-to-the-old-testament-hebrew-bible/
 
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 Update:
Tom,
vi que você anotou no seu del.icio.us a skeptic's annotated bible. Eles pegaram uma versão qualquer da bíblia e vão anotando versículo a versículo dizendo onde estão as contradições e as besteiras. Ok.

Se o que você quer refutar é a versão religiosa ingênua da leitura bíblica, ok, way to go. 

Agora, para qualquer um que tem uma visão da bíblia menos ingênua isso é ridículo. Primeiro porque versículos individuais são meaningless, segundo porque a bíblia não é, e nunca tentou ser, um corpo uniforme de doutrina e qualquer zé mané com dois neurônios percebe isso.

A maioria das anotações são bobas e qualquer um percebe que foram feitas sem um conhecimento amplo do livro que está sendo anotado, do seu contexto histórico, da platéia endereçada pelo autor e nem do corpo de textos da bíblia como um todo.
 
Ele marca alguns trechos como contradições com outros trechos. Há trechos da bíblia que foram especificamente escritos para refutar outros trechos de outros livros. Há trechos que são de fato comentários de um autor posterior sobre o trecho imediatamente anterior e alguns comentários são de fato negativos. É claro, portanto, que há contradições no texto bíblico!!! Qualquer pessoa que não é um fanático religioso e tem alguma mínima capacidade interpretativa percebe isso.
 
Há trechos que ele marca como violentos ou que incitam crueldade. Claro que há esses trechos!! É um texto de milhares de anos de idade. Violência e crueldade foram a regra em grande parte da história da humanidade e ainda é em toda parte. Também há trechos que louvam a violência e crueldade de Aquiles em Homero!!!!
 
Antes de fazer uma anotação do texto bíblico tem que se ter essas coisas em mente.
 
 


Add-ons interessantes para o firefox

12 de Dezembro de 2008, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Ontem a falta de sono me fez finalmente instalar alguns add-ons que me sugeriram tempos atrás e realmente fiquei impressionado com alguns deles. Daí resolvi fazer um pequeno review do que eu tenho usado no meu firefox.



Vimperator:

O vimperator remove as barras inúteis do seu firefox (barra de favoritos e barra de endereços) e as substitui por um terminal como o do editor de texto vim. O que normalmente você faria com o mouse pode ser feito com comandos rápidos de teclado que facilitam demais a sua vida.

Por exemplo: usando a tecla 'F' você pode dar um highlighting em todos os links da tela, adicionando um número a cada um. Digitando o número aquele link se abre em um novo tab!! Praticamente toda a funcionalide do browser pode ser controlada por comandos customizáveis como os do vim.

Ubiquity:


O Ubiquity é um add-on para fazer mash-ups dinâmicos de forma automática. Por exemplo, através de um simples comando 'map this' você pode selecionar um endereço, puxar automaticamente o mapa do google maps e inseri-lo como figura no e-mail que está mandando. Mandar o texto selecionado via e-mail também envolve apenas um 'email this to fulano'. O ubiquity automaticamente reconhece sua lista de contatos do g-mail e envia e-mails. Combinações de comandos permitem interagir simultaneamente com o gmail, twitter, facebook, friendfeed, last.fm, ... (em suma: qualquer outro serviço que suporte rss ou xml). Possívelmente até com o stoa!!

Também é totalmente customizável e novos comandos podem ser criados usando javascript.

ScribeFire:

O ScribeFire é um editor de blogs off-line no seu firefox. Escreva posts no seu blog sem ter que abrir o site, fazer log-in et cetera. É o que eu estou usando agora!! E usando o ubiquity, enviar mapas e figuras para o seu blog fica trivial. Você pode fazer previews, aplicar CSS, salvar off-line e pode editar multiplos blogs.

TwitterFox:

O TwitterFox é um add-on para twitteiros. Veja suas mensagens no twitter e envie facilmente respostas.

Sxipper

Gerenciador inteligente de senhas e open-id. Ainda não sei direito se funciona bem, mas estou testando.

Delicious

Delicious é um serviço de bookmarking social e esse add-on auxilia o uso do site. Eu estou pensando em substituir os bookmarks do firefox pelo delicious, que fica online e permite interação entre os usuários, favorecendo a troca de bookmarks e uma avaliação baseada no número de pessoas que adicionaram aquele url.



Futebol

6 de Dezembro de 2008, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Clubes de futebol são supervalorizados. Torcer não é tão divertido quanto acompanhar o jogo. Eu não tenho tesão nenhum por torcer. Apesar de ter um time nominal, eu nunca acompanhei o meu time em um campeonato, nem quando ele estava bem e ganhou.

Eu gosto de futebol. É um jogo muito divertido. Gosto de assistir, de entender a estratégia, de acompanhar os jogadores habilidosos e tal. Mas o comportamento de torcedor não me alicia nem um pouco.

Eu realmente diminuo muito meu respeito por uma pessoa quando vejo ela se comportar como torcedor. É um comportamento imbecil. Parece que o grau de racionalidade de pessoas que você sabe que são melhores do que aquilo cai a níveis caninos.Parece que a pessoa cede parte do seu mecanismo cerebral de decisão à uma entidade externa, formada pela manada à qual ela pertence.
 
A maioria das pessoas perde completamente a capacidade de julgamento. Muito mais do que quando estão apaixonadas por alguém. Associam ao próprio time qualidades que ele não tem, honestidade que não existe no futebol brasileiro e associam aos adversários perversão e desonestidade que se observa no time deles também.
 
Eu sempre acompanhei futebol, gosto de jogar (apesar de eu ser o jogador mais grosso que eu conheço). Mas isso de sentir necessidade de escolher um e dedicar afeto e emoções e paixão nunca me ocorreu. Eu escolhi um time para ser o meu porque todo mundo tem um e então eu escolhi o que a minha familia torcia. Mas nunca tive paixão. E talvez por não ter isso é que seja tão difícil para mim entender como uma pessoa inteligente começa a se comportar de forma tão estúpida quando está sob a influência desse sentimento.
 
Não venham me dizer que esse é um comportamento saudável. Não é!! Claro que é natural ter paixões, dedicar-se a algo, divertir-se. Mas não com algo tão vazio, tão inócuo, tão sem conseqüência. E daí dar consequências emocionais tão absurdas a uma coisa que deveria ser tão inócua. 



Verve-Earth

2 de Dezembro de 2008, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Site interessante.

 Linka o seu blog em um mapinha mostrando onde você está no mundo. Muito legal.

 



Micromotivos e macrocomportamento

30 de Outubro de 2008, por Desconhecido - 33 comentários

Estou recolocando aqui alguns posts que eu também faço no blog coletivo Ars Physica. Esse post é o primeiro de uma série de dois (ou mais). Não sei se vou colar o próximo aqui pois pretendo que ele tenha uma série de equações e a tradução do formato wordpress do latex para o do stoa vai ser chata. Mas enfim... ao post!

Escolhendo como título o nome do livro famoso de um laureado pelo prêmio Sveriges Riksbank de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel [1], Thomas Schelling [2], pretendo discutir um pouco a minha área de pesquisa recente: modelagem quantitativa em ciências sociais e economia. Apesar de parecer um assunto novo, esse tipo de modelagem é na verdade bastante antigo, remontando a  Pierre de Laplace, Thomas Malthus,  David Ricardo, passando por Léon Walras, John Von Neumann e companhia. Essa é no entanto uma área de modelos bastante primários e ainda muito qualitativos. Ao longo desse período de história da modelagem quantitativa de fenômenos sociais houve um diálogo intenso (e negligenciado pelos dois lados)  com a física, particularmente a termodinâmica e a nascente mecânica estatística no final do século XIX. Ao longo das últimas duas décadas essa relação se intensificou novamente e o paradigma da mecânica estatística passou a integrar um programa de pesquisa em ciências sociais e economia com a criação de modelos microscópicos para diversos aspectos como dinâmica de opiniões, tráfego de automóveis,  negociações no mercado financeiro e outros.

A mecânica estatística é a área da física que lida com a ponte entre a dinâmica microscópia dos constituíntes da matéria e as observações macroscópicas que fazemos sobre ela. Por exemplo ela é capaz de, assumindo-se as leis de Newton para o movimento das moléculas de um gás, mostrar que as propriedades macroscópicas do mesmo devem satisfazer certas equações de estado (por exemplo a famosa lei dos gases ideias [tex]PV = nRT[/tex]). É importante notar que essa ponte é feita admitindo-se um certo grau de ignorância sobre o estado microscópico do sistema e a forma correta de se fazer isso é associar uma distribuição de probabilidades aos possíveis estados microscópicos.

O primeiro problema na direção de um modelo estatístico para problemas economicos deve ser então identificar qual é a dinâmica microscópica - a forma com que cada agente economico se move no espaço de configurações. Para as moléculas dos gases temos leis newtonianas de movimento, para partículas menores temos a mecânica quântica. O que temos para pessoas tomando decisões de consumo e poupança, empresas tomando decisões de produção, governos intervindo e bancos decidindo taxas de empréstimo?

Nesse ponto é que paramos para a primeira grande crítica a esse tipo de modelagem. Partículas microscópicas não são conscientes, não aprendem, não tomam decisões racionais nem usam critérios objetivos para mover-se. São diferentes das pessoas. São mesmo? A história da modelagem das decisões economicas começou no século XIX com Léon Walras, Vilfredo Pareto e uma analogia com a mecânica. Walras criou uma teoria de equilíbrio, em analogia com o equilibrio mecânico. Claro que ninguém está propondo que pensemos nas partículas como pequenos seres racionais, mas a analogia com a mecânica e com a termodinâmica levou os economistas a admitir a idéia de que decisões racionais são tomadas através de problemas otimização (maximização de lucros, minimização de custos, etc.).

Na teoria microeconomica neoclássica as pessoas agem segundo escalas de preferência ordenadas através de um função chamada Utilidade. Construiu-se um modelo segundo o qual as pessoas agem para maximizar uma função que diz quão "felizes" elas estão com a decisão que tomaram, sujeito a vínculos que dependem das decisões das outras pessoas. A evolução dessa linguagem levou à construção do modelo de agente econômico ubíquo: o chamado Homo economicus, um agente ultra-racional, capaz de maximizar uma função  utilidade complicada de diversos parâmetros e escolher dentre todas as estratégias a que mais lhe traz benefício. Esse agente ideal tem poder computacional infinito e completo conhecimento de seu espaço de possíveis estratégias.

Esse modelo, apesar de ter bem servido à economia por um século, passou a ser questionado através de problemas em que era claro que, mesmo que houvesse um agente com esse grau de racionalidade, não há estratégias ótimas a se seguir diante da limitada informação disponível ao agente. Um desses modelos é o El Farol Bar. Hoje há modelos de agentes economicos tendem a ser mais realistas e focam-se na capacidade de aprendizado e desenvolvimento de estratégias "on-the-fly", trocando o agente ultra-racional por um com racionalidade limitada.

Mas mesmo que nos mantenhamos no problema de agentes ultra-racionais, ainda resta a pergunta: como ligamos os modelos microscópicos de maximização de utilidade ao comportamento macroscópico da economia? Nesse campo a análise economica ofereceu poucas respostas. Há poucos estudos teóricos [3] anteriores à década de 90 por exemplo sobre quais são as propriedades de uma economia de escambo de duas mercadorias com muitos agentes neo-clássicos - que maximizam a utilidade em cada transação atingindo um equilíbrio local de Pareto. Os livros clássicos de microeconomia tratam de um problema com dois agentes e os de macroeconomia usam esses resultados para tirar conclusões globais (!). Hoje em dia é um exercício trivial simular isso em computador, mas esse é um problema que  deve ter solução analítica - não passa de um gás de agentes que quando se chocam trocam mercadorias conservadas segundo uma regra de espalhamento bem definida com taxas de transição conhecidas ainda que a regra de maximização de utilidade seja razoavelmente relaxada.

Depois desse blablablá todo (parece mesmo que estou virando economista: em dois posts usei apenas uma equação, e a mais simples que eu conheço :P), permita-me ao menos deixá-los com um tira gosto. No meu próximo post vou comentar um pequeno modelo com solução analítica em que se pode ilustrar o uso de agentes com racionalidade limitada e uma agregação que remete à mecânica estatística - apesar das analogias imperfeitas. É um pequeno modelo de decisão de tráfego, baseado no jogo da minoria. Apesar do contexto diferente, é um modelo que possui claras analogias com problemas de decisão binária que podem ser observadas no mercado financeiro (comprar ou vender?) e que possui a característica fundamental de que o agente gostaria de estar sempre na minoria.

 

Notas:

[1] Com freqüência denominado erroneamente de Nobel de Economia.

[2] Micromotives and Macrobehavior, Thomas Schelling.

[3] Talvez o problema não seja a escassez de resultados teóricos, mas uma falta de capacidade minha de encontrá-los.

Update:

Dias atrás o físico Jean-Phillipe Bouchaud, pesquisador do Service de Physique de l’État Condensé no CEA em Saclay, França, e Chairman do fundo de investimentos francês CFM, enviou um artigo para o arXiv apontando a necessidade desse tipo de modelagem:  Economics need a scientific revolution.