Sumário da edição especial de Veja sobre tecnologia.

 

No mês passado a Veja lançou uma edição especial sobre tecnologia, tal qual vem fazendo todos os anos, onde li uma matéria sobre o cientista Gordon Bell, que para se livrar de montanhas de papel ele arquiva no disco rígido de um computador tudo o que ouve, diz, vê – ou sente. Ele é um dos precursores da era da digitalização total, em que todas as experiências de uma vida podem ser convertidas em bits.

 

Gordon Beel, um dos pioneiros da era digital, foi descrito pela revista New Yorker como o Frank Lloyd Wright dos computadores, numa alusão ao genial arquiteto americano. Agora, quer ser digital

 

Este cientista de 74 anos, pesquisador da Microsoft Research, serve de cobaia ao projeto MyLifeBits (Minha Vida em Bits). Ele digitaliza tudo o que faz, embutiu toda a sua vida no disco rígido de um computador. Transformado em bits, Gordon Bell ocupa um espaço de 180 gigabytes (GB). Ou seja, pode ser armazenado num PC convencional. Os registros feitos pelo cientista incluem conversas com amigos, fotografias de viagens, documentos, artigos, cartas, telefonemas, recortes de jornal, livros e – surpreendentemente – detalhes de sua navegação na internet. Há cópias de 176 733 páginas consultadas na web e de 136 675 e-mails trocados. Outras 800 páginas oferecem um perfil da saúde do pesquisador, com informações sobre a duração da bateria de seu marca-passo. São mais de 460 000 itens. Bell digitaliza sua vida desde os anos 90. No início, a curiosidade o motivou. "Eu queria saber qual o tamanho da minha memória em bits", comentou na reportagem.

 

* Última conta feita por Bell no início deste ano.

 

Interessante como tudo isso pode nos auxiliar num futuro próximo na área de saúde por exemplo. O cientista-cobaia Bell já recorreu ao HD pessoal para fornecer a um grupo de médicos detalhes de uma cirurgia de ponte de safena feita 25 anos atrás, o pesquisador imagina que a digitalização maciça possa ser útil nos estágios iniciais de doenças como Alzheimer. Nesse caso, os registros em bits ajudariam as pessoas a ter uma idéia clara de uma determinada seqüência de eventos.

Agora nos resta aprender a utilizar estes recursos de maneira saudável, sem que nos tornemos obcecados pela digitalização, sem que isso nos tome mais tempo que de fato possa parecer.

 

Quem não gostaria de saber qual o tamanho da sua memória em bits?