Essa é uma tradução do post em inglês que fiz em meu blog.

Há poucos dias eu assisti novamente o excelente filme Contágio, de Soderbergh, lançado em 2011. O motivo foi que isso passou na TV logo depois da divulgação do primeiro caso de SARS-CoV-2 e da declaração de pandemia pela OMS. Não creio que tenha sido proposital, mas foi certamente interessante. Os paralelos são impressionantes, mas há também diferenças importantes.

Em primeiro lugar o filme relata o surgimento de um doença viral, sua transformação em uma pandemia e as consequências disso. O vírus fictivo do filme, chamado MEV-1, causa uma meningoencefalite muito cruel. As cenas de morte são muito drásticas e ajudam a criar suspense no filme.O caso do vírus SARS-CoV-2 é diferente: na maioria das vezes ele causa uma infecção leve, semelhante a um resfriado ou uma gripe e mata alguns pacientes por pneumonia e falência de órgãos. O filme ajuda, entretanto, ao mostrar o principal protagonista como imune ou assintomático, como ocorre para o CoViD-19.

O filme também é excelente ao mostrar como as autoridades de saúde lidam com a infecção, em mostrar como as autoridades tradicionais (politicos) atrapalham, a busca pelo "paciente zero" e o papel da midia (representada por um blogueiro teórico de conspiração). No filme aprendemos de forma muito didática o que e R0, o MEV-1 do filme e R0 4, o CoViD-19 é R0 2,8, Claro, o objetvo do filme é entretenimento, assim existem passagens dramáticas em que oficiais de saúde agem de forma heróica (mas improvavelmente idióta). Se ignorarmos esses recursos de enredo, entretanto, teremos uma descrição bastante realista. A boa noticia é que a epidemia atual não é tão crítica como a que é mostrada no filme.

Há uma parte do filme que, entretanto, tem potencial de se tornar verdade: a completa destruição de nossa sociedade. o CoViD-19 já está afetando a economia mundial e tem portencial de afetar nossa vida de forma bem mais próxima. Boa parte do problema vem da cobertura da midia. Existe a tendência de parte da midia em exagerar os efeitos da doença para obter audiência. Não é toda a midia que faz isso, meu primeiro contato com o assunto foi por uma reportagem da Deutsche Welle e a mensagem lá era: não entre em pânico! A pandemia é séria, mas a autoridades estão tratando disso seriamente (como os profissionais da China estão fazendo), se infectar pelo CoViD-19 é sério, mas não é o fim do mundo. Não ajuda nada, entretanto, que autoridades tomem medidas polêmicas como o fechamento da Itália

Mesmo declarações bem intencionadas são distorcidas fora do contexto pela mídia. Quando Angela Merkel vem em público dizer que 70% dos Alemẽs terão SARS-CoV-2, ela não quer espalhar o pânico. Ela é uma cientista e o chamado dela é um chamado de solidariedade e compaixão. A mídia entretanto trata como alarmista.

Eu também sou um cientista. Não sou biólogo, muito memos infectologista, portanto fui buscar a opinião dos especialistas. Li e escutei a entrevista que David Uip deu ap Jornal USP. Ele é o coordenador do Centro de Contingência para o Coronavirus em São Paulo. Aprendi que as autoridades estão preparadas para a chegada da epidemia, que as estatísticas são favoráveis (por exemplo, de acordo com ele 80% dos infectados terá apenas sintomas leves ou será assintomático), que a instrução agora é para a prevenção, lavando as mãos frequentemente e evitando acúmulo de pessoas, que os sintomas em crianças e adolescentes são esperados em ser fracos.

Algumas decisões, entretanto, não são favoráveis. Ontem, por exemplo, o Governador do Estado decidiu suspender as aulas a partir dessa semana. Isso é questionável e se destina a aliviar os medos da população, mas coloca os jovens (prováveis portadores assintomáticos) em contato com os avós (potenciais pacientes de risco).

A mensagem importante é: não entre em pânico. Escute os que as autoridades (no presente caso, os cientistas) tem a dizer. Siga as instruções para prevenção, repetindo: lave as mãos com frequência, evite locais com acúmulo de pessoas, evite tocar a face. Procure os hospitais apenas quando os sintomas forem severos (febres persistentes, febres que vão e voltam, dificuldade de respiração), ou se você for paciente de risco (com mais de 60 anos). Eu pedi instruções à fisioterapeuta que me atende sobre o que fazer se os sintomas forem leves e a instrução é clara: fique em casa. Sobrecarregar os hospitais com pacientes que não necessitam de atendimento médico de emergência pode ser mais perigoso que a oença em sí.