AS INCERTEZAS SÃO UMA ILUSÃO- Edgar Morin

18 de Setembro de 2020, por DOUGLAS MANOEL ANTONIO DE ABREU PESTANA DOS SANTOS

 [1]Claugildo de Sá

                                                              [2] Rosangela de Fátima Guimarães de Oliveira

                                                                        [3] Douglas Abreu

Resenha crítica do texto “AS INCERTEZAS SÃO UMA ILUSÃO”, de Edgar Nahoun, pseudônimo Edgar Morin, Filósofo, Antropólogo, Sociólogo Francês, nascido em Paris, judeu de origem sefardita e pesquisador emérito do CNRS (Centre National de la Recherche Scientifique). Durante a Segunda Guerra Mundial, Morin participou da Resistência Francesa; autor de mais de trinta livros, entre eles: “O método”, (em seis volumes). Das idéias do filósofo, as mais notáveis foram “O Pensamento Complexo, Paradigma da Complexidade”. Ele era filho único e nasceu em 08 de julho de 1921, vindo a falecer com 99 anos de idade. Edgar Morin tinha formação em Direito, História e Geografia. O filósofo também rememora princípios históricos em que temas como “O Breve Século XX”, “A era dos Extremos”, “A era das Revoluções”, entre outras obras de outro autor admirável como Eric Hobsbawm, em que seus textos constituem uma celeuma no mundo contemporâneo para qualquer historiador. Rememoro esse historiador, porque ele também nos deixou um legado importante, conduzindo-nos a uma longa reflexão quanto à justiça social em alguns países do mundo, sobretudo no Brasil.

Em entrevista ao G1, concedida na data de 01/10/2012, Eric Hobsbawm sustenta a idéia de que “a injustiça social ainda deve ser denunciada e combatida, já que o mundo não vai melhorar por si só”. (Robsbawm, 1995). Quando se versa especificamente das pandemias que assolaram o mundo, desde a Gripe Espanhola do Século XX, até a Pandemia da Coronavírus nesse ano de 2020, as transformações no campo das ciências não evoluiram satisfatoriamente; por essa razão há que se falar em ilusão.

As incertezas, conforme Edgar Morin são as mesmas em se tratando de avanços científicos. O filósofo, inclusive faz alusão a Eduard Jenner, o sanitarista que nos salvou da terrível varíola, apesar de essas doenças permanecerem sendo uma ameaça constante na nossa sociedade. É possível imaginar que a paz social que tanto ponderamos, não será possível com essas armas biológicas criadas em laboratórios pelo homem e que até então se considerava seguro. Estamos falando de uma bomba conservada em arquivo; e considerando o tamanho do valor econômico que isso representa, o capitalismo mundial continuará dominando, de modo que é quase impossível falar em paz, pensar em justiça social, em solidariedade.

O que mais nos sobressalta é o comportamento da sociedade, que a todo o momento nos sinaliza que não compreendeu o tamanho da gravidade desse vírus, e de outras pandemias virais que certamente virão. É perceptível que aos poucos as pessoas vão se acostumando com a doença; aos poucos se acostumam com os fétidos cadáveres, com os sepulcros silenciosos sem despedida.

As autoridades políticas por sua vez têm sido os principais responsáveis pela pandemia, porém, a sociedade brasileira não tem uma cultura voltada para a prevenção, para a responsabilidade pelas suas escolhas. No Brasil, por exemplo, acreditam e apegam apenas em uma solução mágica que resolveria, a princípio, o problema da humanidade. A vacina em massa daria liberdade momentânea. É como se individualmente, as pessoas esperassem a vacina apenas para me salvar; sem se importar com as conseqüências de um novo normal, de perdas humanas em números alarmantes, que não se recuperam mais.

É bom que se diga que o rigor científico não permite que em um passe de mágica a vacina esteja pronta e capaz de exterminar uma arma biológica letal, tão terrível como essa coronavírus, invisível, e sobremaneira, catastrófica. Ademais, devemos admitir que em países como o nosso, os investimentos que os governantes fazem em educação, ciência e tecnologia, tem sido tão parcos, não permitem celeridade nas pesquisas. Mas como salienta Morin, em seu artigo, é preciso abraçar as esperanças. É preciso ainda se iludir, pois a ilusão conduz a certeza de um mundo melhor. É de se notar, portanto, que vai mais além de abraçar as esperanças; necessário se faz “calçar a sandália da humildade”, praticar o amor ao próximo e sermos mais solidários uns com os outros. Para quem não sabe, a empatia é mais ou menos alguém pedir os olhos do outro por um instante, objetivando enxergar o mundo com eles. Daí as pessoas poderão compreender melhor a posição do outro.

Sabemos que a ciência e a religião nunca andaram de mãos dadas, porém prevalece ainda à concepção religiosa apocalíptica; o que não agrada muitos cientistas é claro. Mas nesse mérito, não é lícito adentrarmos, pela sua complexidade e a laicidade do nosso estado. É possível verificar que a ciência está sendo colocado em prova a todo o momento, e provocando uma corrida desesperada dos países que se propunha produzir a vacina contra a COVID-19 para sair na frente com a marca do capitalismo. Contudo, o texto de Edgar Morin é feliz quando nos propõe a dúvida que a ciência nos apresenta, apesar de que sem a vacinação eficaz, ela poderá se transformar numa ineficaz ciência. As verdades absolutas não são mais confiáveis; é apenas um fio condutor em busca de novas descobertas, que naturalmente carecem prudências e responsabilidades. Nos últimos meses, um medicamento denominado cloroquina tem estado no cenário das discussões científicas e políticas, deixando a população em estado de desconfiança e atritos sociais, pois as controvérsias trazem opiniões diversas e descontrole social. Não nos esqueçamos que nosso país é de uma cultura educacional de informação com qualidade de inesgotáveis questionamentos, bem como a saúde. Vivemos em uma sociedade que o elegante é ignorar o óbvio, inclusive, partindo de premissas ideológicas das nossas próprias autoridades políticas, que negam a doença, em detrimento de disputas pelo poder, desorientando a ciência e a população. 

A ciência é uma construção do saber através de controvérsias; é uma construção paulatina, criteriosa. O método sem rigor científico; sobretudo, se tratando de questões sanitárias é um risco para a sociedade, inclusive quando pensamos que as controvérsias não conduzem a uma verdade absoluta.  O comportamento do vírus que também ainda é desconhecido nos direciona a grandes incertezas, medo; e do ponto de vista socioeconômico, falta investimentos na pessoa humana através de políticas públicas de qualidade, não só em benefícios sociais emergenciais, mas também em relação às prevenções através de terapias, lazer, psicologia, psicoterapia, psiquiatria etc. A sociedade sai de fato fortalecida dessa pandemia, porém com graves problemas, de ordem psíquica, que, precisam ser avaliadas assim que acabar, ou até mesmo antes. A resistência nos coloca no caminho de nos reinventarmos sempre, e enfrentarmos as próximas adversidades, mas necessariamente, será primordial a participação dos governantes como parceiros, cumpridores dos deveres constitucionais e pacificadores sociais.

O destino do mundo parece trágico, enquanto o lucro exacerbado estiver acima de qualquer valor que a vida tem; a vida é um bem maior. Falar em bens de consumo é muito fácil; difícil mesmo é pensar que parte desta sociedade não desfrutou o mínimo desses bens para consumir, precisamente porque vivem na miserabilidade absoluta. Vivemos a era da nano tecnologia, da pós-contemporaneidade, onde estamos conectados a distância pela falta de confiança na ciência e também pelo medo. É quase impraticável, o despertar da solidariedade planetária da sociedade. Muito pelo contrário, não seremos mais os mesmos, pois estaremos sempre com medo um do outro. Antes, em razão da violência, agora também por causa do vírus. A humanidade passa a ser o segundo valor em detrimento ao capitalismo. É demasiadamente desenfreada a ganância pelo poder econômico. Os países correm para serem potências bélicas ao invés de potências humanas, com investimentos na escolarização de nossas crianças, e a preocupação em salvar vidas.

 

[1]Professor do Ensino Fundamental e Médio da Rede Pública de Ensino de Minas Gerais;  Graduado  em  História  pela  Faculdade  do  Noroeste  de  Minas,  Especialista em Docência do Ensino Superior.

[2] Professora da Rede Pública de Ensino de MG, é graduada em Pedagogia pela UNIMONTES, Letras pela UNIMES e Especialista em Gestão Escolar.

[3] Neuropsicopedagogo, Membro da Rede Nacional da Ciência para a Educação- CPe. Membro da Associação Brasileira de Autoimunidade. Docente Pesquisador em Educação e Neurociência aplicada. Associado(a) na categoria de Profissional, Nº de matrícula 15713, da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC) que e filiada no Brasil, à Federação das Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e no exterior, à International Brain Research Organization (IBRO) e à Federação das Associações Latino Americanas e do Caribe de Neurociências (FALAN)



DA RELAÇÃO COM O SABER ÀS PRÁTICAS EDUCATIVAS

21 de Agosto de 2020, por DOUGLAS MANOEL ANTONIO DE ABREU PESTANA DOS SANTOS

CHARLOT, Bernard. Da relação com o saber às práticas educativas. 1. ed. São Paulo: CORTEZ, v. 1, f. 93, 2014. (Coleção docência em formação : saberes pedagógicos).

DOUGLAS ABREU 

O Brilhante educador Parisiense Bernard Jean Jacques Charlot, nascido na Europa no ano de 1944. Graduou-se em Filosofia e mais tarde assumiu por convite a matéria de Ciências da Educação na Universidade de Túnis, na Tunísia.  Ao voltar à França, em 1973, exerceu brilhantemente a função docente na renomada escola a École Normale, instituição especializada em formação de professores. No período de 1987 a 2003, tornou-se catedrático na Universidade de Paris, onde criou o grupo de pesquisa Escol (Educação, Socialização e Comunidades Locais), onde construía-se através de muitas discussões a teoria da relação com o saber. Atuando com vigor quando se aposentou ingressou no Brasil. Sempre pensou de modo urgente a educação e suas necessidades de se fazerem sentido ao indivíduo. 

A convite do CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico na Universidade Federal de Mato Grosso, participou ativamente em inúmeras pesquisas e tornou-se professor visitante na Universidade Federal de Sergipe, em Aracaju, coordenando as relações internacionais do grupo de pesquisas em Educação e Contemporaneidade com auxílio da CAPES.

Pontos importantes a se observar na obra de CHARLOT é que a educação era pensada por visão extremista e econômica sendo um período contrastante, assim grandes mudanças significativas começam a aparecer no período de 1960 e 1970 e, assim, vemos que este período precede a globalização. 

O filosofo no ensina a pensar educação de maneira social do desenvolvimento, nos faz refletir as teorias de um novo mundo onde imagina-se as escolas e as sociedades que se mantem em formato colaborativo em educação e sociedade.

É importantíssimo reforçar que, anteriormente a explosão da Segunda Guerra Mundial, o Estado, na sua relação com a educação, permanece um Estado Educador: construção da nação, paz, valores. Olhando a educação como um instrumento fundamental, a escola começa a ser sistematizada em seu inicio primário e secundário, assim a escola começa a ganhar mais força em muitas nações com didáticas culturais preservadas severamente durante a evolução da didática e da pedagogia.

Como tudo que se coloca para evoluir acontece com grandes percalços, a massificação da escola enfrenta grande problemática com a universalização da educação no sentido literal, problemas de ordem financeira começam a ser colocados como fatores impeditivos fazendo muitos países sofrerem grandes dificuldades e certamente as nacionalidades mais fracas monetariamente sofreram muito na superação de manterem fortes na promoção da educação e a escola diante da ideia da escola fundamental para todos com poucos recurso destinados. 

Para CHARLOT apesar de filósofo ele sempre pensou de modo incondicional e urgente aspectos de educação e sociedade sempre vislumbrou a necessidade de se reavaliar a cultura versus a política geral e educação pensando muito mais além incluindo aspectos imensamente relevantes como os direitos humanos como ponto de start para brigar pelas liberdade cidadã de paises culturalmente perdidos e sem condições de terem uma boa base educacional para a sua população diante do direito que se relutava a deferir como o acesso e a garantia de permanência na escola no capítulo 2 observa-se . A globalização neoliberal e seus efeitos na contemporaneidade  sobre a escola e suas particularidades.

Para o autor, “talvez, uma das coisas mais importantes a se ensinar aos alunos seja o que significa ir à escola, a especificidade da escola, o que se faz na escola”. (p. 161).

Em uma síntese bastante singela das inúmeras contribuições de CHARLOT nos faz refletir sobre os nossos próprios processos formativos e como formamos os professores do amanhã. Habilidades e competências, saberes e práticas para uma boa formação deste indivíduo, é justo repensar atualmente como isso ocorre.

 Quais competências devo aperfeiçoar no aluno e valorar suas impressões de mundo e como este se vê diante do professor? Diante de tantas discussões e inferências vindas de tantos profissionais com tantos saberes diferentes, talvez muitas respostas sejam difíceis de se ter com exatidão, mas ainda existem muitas lacunas a serem tampadas de uma vez por todas, ainda há muito a se repensar na docência e na formação de outros sujeitos. Como eu mensuro as reais ideias que o aluno faz com o que aprende comigo? Como eu repenso e penso a minha prática dentro do conceito de ensino e aprendizagem.  Tudo se faz mister colocar em questão de autoavaliação diante da obra intensa de sabiamente refletida de CHARLOT.