O dia antes da nona aula o Prof. Guédon visitou os escritórios do Scielo. Resumiu o que aprendeu: Scielo quer ser uma editora de revistas científicas com acesso aberto sério e internacional. Já tem 500 títulos, o que é um número respeitável, mesmo comparado com Elsevier (~2500 títulos). Segundo Guédon Scielo é o único projeto do "caminho de ouro" ao AA coherente, por ser financiado publicamente.

O fato é que um editor de uma revista Latino-Americana tem que fazer uma escolha bem claro: se adequar às normas de qualidade do Scielo ou procurar o seu próprio financiamento. O Guédon tinha duas sugustões: o Scielo usa uma linha de produção que inclui o uso de um monte de recursos humanos para transformar arquivos do tipo Word, QuarkExpress, etc para arquivos usando linguagens de marcação. O uso de um sistema de publicação baseado em XML é obrigatório (para poder re-usar e analisar os textos por meio de algoritmos) mas seria melhor de convencer os autores usar ODF e folhas de estilo para deixar o processo de conversão menos penoso. A segunda sugestão seria tentar envolver mais a comunidade (de editores, autores, etc.).

A questão da publicação baseado em XML e o uso de linguagens de marcação se insere muito bem no tema principal das aulas, acesso aberto. Recursos digitais naturalmente são "acesso aberto". Pode tentar fechar ou restringir o acesso, mas sempre vai ser um esforço. Tristemente, muitas publicadores ainda preferem usar uma "imitação digital' de papel, que não oferece todas as possibilidades de re-uso e análise de documentos verdadeiramente digitais.

Os desenvolvimento ainda mais importante do que acesso aberto decorrente da transção para o mundo digital será o uso computacional dos documentos recém liberados. Veja por exemplo a visão do Science Common expresso neste vídeo embutido embaixo. No futuro, não vamos necessariamente publicar em forma de "artigos". De qualquer maneira, a restrição ao numero de páginas é um resquício da era analógica, quando espaço físico ainda era uma limitação. 

Em vez de artigos, teremos "canais" ou um seminário virtual global e contínuo. Com a transição para a era digital temos uma oportunidade de modelar o diálogo científico. Podemos incentivar ou desincentivar determinados tipos de interações. O movimento de acesso aberto está no centro destas transformações.

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