Está sendo bem interessante a série de apresentações que Prof. Guédon está dando na ECA. O curso, intitulado "The Political Economy of Scientific Publishing as Revealed through Digitization and Internet" e dado no contexto do programa de  Pós-graduação em Ciẽncia da Informação da ECA dá uma visão histórica da comunicação científica e assim contextualizar as transformações pelo qual estamos passando.

Prof. GuédonGuédon está falando sobretudo sobre comunicação científica (a história de jornais científicos) mas esta história ensina muitas lições para quem é da área de ciência da informação ou educação. Um estudo (da história da) comunicação científica revela  sistemas de controle e poder. Investigando e discutindo alguns dos pontos de transição históricos será possível entender a grande transformação pelo qual o mundo de publicação está passando agora por causa da Internet e digitalização. Uma conseqüência destas mudanças é o movimento de Acesso Aberto.

O Prof. Guédon disse no início das aulas que não espera contribuições dos alunos que são meros resumos das suas aulas. Vou fazer mesmo assim porque não sou aluno matriculado e de qualquer maneira o resumo reflete a minha interpretação da apresentação. As apresentações do Prof. Guédon impressionam pela sua forma polida e seu conteúdo profundo. Claro que estes resumos são uma reflexão muito pobre disso mas sempre podem ler as palavras do próprio Guédon

A primeira revolução que discutimos é a invenção do Códice que substituía o rolo de pergaminho. Um dos primeiros a usar esta tecnologia nova era Orígenes  para recuperar textos cristãs por comparação de vários versões. Assim Orígenes é o primeiro de ler textos de uma maneira crítica, uma finalidade para qual códices são mais apropriados do que rolos.

OrígenesOs textos escritos em rolos são difícil de ler (não se usava muito punctuação ou outras tecnologias para facilitar a leitura) e estavam ainda firmemente na tradição oral. O avança para o formato livro e páginas levou a uma transformação do significado de "ler" e "texto". Ficou mais fácil usar o texto como instrumento de leitura crítica (ironicamente o Orígenes usou a tecnologia para criar os livros "canônicos" da bíblia).

Vamos ao início da revolução científico nos séculos 16 e 17. A imprensa já existe 200 anos mas é difícil usar para assuntos
controversiais (veja o caso Galileo). Cientistas começam se associar em sociedades, entre outras coisas para se defender do governo. Começam se comunicar mais usando o sistema postal (usando cartas). É permitido discutir ciência livremente (ao contrário de assuntos sensíveis como política e religião). Em 1665 Oldenburg cria Philosophical Transactions do Royal Society para lidar com o grande volume de cartas. Os novos jornais estão sendo usado também, além para comunicação, para estabelecer prioridade: cientistas querem ser reconhecidos como o dono das suas idéias, uma coisa difícil de fazer se a correspondência é privada, mas fácil em jornais abertas para todos.

Os jornais vão funcionar (junto com livros) como repositórios de conhecimento, uma memória coletiva (comparável com o que juristas já tinham com jurisprudência). Esta nova memória permanente leva à idéia de progresso científica. Cientistas começam usar uma nova noção de "Verdade". Veja o paralelo com o mundo jurídica: da mesma maneira que tortura era a maneira apropriado para chegar à verdade em questões legais, cientistas começam "interrogar" e "torturar" a Natureza. É necessário ter testemunhas (demonstrações) e publicá-las.

Veja os resumos das outras aulas:

Aula 2: surgimento de disciplinas, universidades, associações no século 19, explosão de jornais.

Terceira aula: século 20 e o science citation index

Na quarta aula, veremos os primeiros efeitos da digitalização de documentos e tecnologia de redes.

Na quinta aula veremos como as editoras, bibliotecas e pesquisadores reagiram às mudanças fundamentais do mundo digitalizado.

A sétima aula.

 

Nona aula.