Na quinta aula tratamos das orígens do movimento de Acesso Aberto e como sempre houve duas visões de como melhor chegar ao objetivo de acesso universal à literatura científica. Na sexta aula foi discutido o caminho do aprimoramento do modelo de publicação via revistas científicas (o chamado "caminho de ouro"). Prof. Guédon discutiu empreendimentos como PLOS, Hindawi mas ressaltou que estes modelos onde o autor paga (até $3000 por artigo) seriam no máximo uma fase de transição. Um modelo melhor para o caminho de ouro é a iniciativa Brasileira Scielo, onde tanto a pesquisa como a sua publicação é financiada publicamente.

Nesta aula investigaremos o chamado "caminho verde": o modelo de repositórios onde o autor deposita o seu trabalho (talvez após ser revisado por pares e publicado numa revista tradicional).

Todo mundo e cientistas em particular compartilham idéias naturalmente. A tradição de compartilhamento, aliado à necessidade de cientistas de ser visível e estabelecer prioridade fazem de repositórios candidatos naturais para ter um papel importante no diálogo científico. Mas não foi isto que ocorreu. Apesar da vantagem de maior visibilidade, cientistas não colocam os seus artigos voluntariamente em repositórios institucionais (em contraste com pequenas e homogêneas comunidades como a de físicos de altas energias que usam repositórios especializados).

Uma explicação para este contradição é a história de repositórios institucionais. Sendo pago com dinheiro da instituição, os administradores começaram colocar todo tipo de conteúdo digital neles, de teses, relatórios, material didático, etc. etc. tornando o repositório menos útil para o pesquisador buscando literatura. Uma recomendação importante para o desenho de repositórios (institucionais em particular) é tornar fácil separar pelo menos três tipos de conteúdo: artigos que passaram pelo processo de revisão por pares, teses e o resto.

Tem várias outras maneiras de melhorar a interface dos repositórios, mas um fator de extrema importância para cientistas é o seu lugar num ranqueamento, já que empregadores, comissões decidindo sobre promoções etc. não gostam de avaliar qualidade em sua forma multi-facetada e preferem usar simples indicadores numéricos. Revistas tradicionais, com a sua reputação, fator de impacto, etc. exercem este papel muito bem. A pergunta para desenvolvedores e administradores de repositórios é como reproduzir a função de ranqueamento.

Na verdade, repositórios representam uma oportunidade para deixar os rankings mais transparente e honestos. Já vimos que a reputação conferida via as revistas tradicionais era altamente influenciado e até determinado pelas escolhas do Science Citation Index. Assim, os rankings favorecem pesquisa em língua inglesa, no mundo occidental, feito segundo os critérios do Thompson, etc. etc.

Repositórios poderiam reverter este quadro. Poderiam publicar as suas estatísticas de acesso, criar outros mecanismos para chamar atenção em determinados artigos, criar sistemas de recomendação. Acesso Aberto se trata de mais do que somente acesso: pode melhorar o nosso sistema de produção de conhecimento e reverter os sistemas de poder que atualmente determinam quem tem acesso a conhecimento e dizem o que vale a pena saber.

Após a pausa Prof. Guédon  discutiu a interessantíssima questão dos mandatos, sistemas onde pesquisadores são obrigados pelos seus financiadores ou instituições de depositar o seu trabalho em repositórios com Acesso Aberto, mas não pude ficar infelizmente.