Policarpo Quaresma e Capitão Nascimento

6 de Novembro de 2010, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Policarpo Quaresma, a peça, apesar de causar risos aqui e ali, ao final me deixou um gosto de tristeza na boca. A politicagem barata, a corrupção e as soluções psicodélicas propostas por Policarpo são ainda hoje um retrato relativamente fiel do Brasil de hoje.

Não pude deixar de associar a peça ao filme Tropa de Elite. Ainda que possuam características muito distintas no que diz respeito às personalidades, Policarpo Quaresma e Capitão Nascimento se posicionam de maneira similar em relação ao País. Ambos procuram soluções para os problemas que assolam a sociedade, são incorruptíveis e encontram na política, ou nos políticos, seus grandes inimigos.

Os dois tentam, por assim dizer, fazer justiça com as próprias mãos – Policarpo com a agricultura e o Capitão Nascimento com o saco plástico – e ambos se sentem impotentes quando tentam combater os problemas se aliando ao Estado. Seria possível listar vários outros personagens semelhantes, tais como Ricardo e Matias ou Bustamante e Rocha.

Policarpo nasceu no início do século XX e Capitão Nascimento cerca de cem anos depois. A peça e o filme são ótimo, mas é uma pena que contem a mesma história.



Sem Título

26 de Setembro de 2010, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

O original encontra-se neste link, pode ser modificado e reutilizado para fins não comerciais desde que o original seja citado e que seja liberado sob essas mesmas condições.

 

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Medindo o que interessa

11 de Agosto de 2010, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Um dos grandes limitantes quando se discute medidas para melhorar a educação é definir quais delas, de fato, tem um resultado positivo. Mais computadores elevam as notas? Lanche mais saudável ajuda na concentração? Projetos interdisciplinares ajudam a formar um cidadão mais crítico? Não faço a menor idéia. O grande problema, no entanto, é quando as pessoas que tomam as decisões sobre os os rumos da educação sabem menos do que eu.

Não é uma missão simples medir a eficácia de determinados projetos, especialmente os voltados a educação, afinal, envolvem aspectos complicados quantificar. É difícil, mas não é impossível. Um grupo de pesquisadores fundaram, em 2003, o J-PAL (The Abdul Latif Jameel Poverty Action Lab), que conduz pesquisas com o intuito de trazer respostas à questões críticas para o alívio da pobreza no mundo. Em outras palavras, eles medem quais medidas funcionam, quais não funcionam e quão efetivas elas são. As pesquisas são conduzidas em diversas partes do mundo e abordam diversos assuntos tais como saúde pública, educação, mercado de trabalho e administração.

O método de Avaliação Randomizada é o ponto comum entre os quarenta e nove professores de todo o mundo que compõem o laboratório. É um metódo que exige coordenação entre os pesquisadores e o órgão responsável pela implementação da medida a ser estudada. Não conheço a metodologia a fundo, mas arrisco dizer que, de maneira bastante simplificada, consiste em aplicar a medida que se vai estudar de forma randômica num determinado número de lugares de modo que, ao final de um certo tempo, seja possível comparar os resultados nos locais afetados pelo novo recurso com o resto das localidades, que serviriam como grupo de controle.

Apesar de trabalhosas, as avaliações randomizadas exigem uma quantidade moderada de recursos por parte dos pesquisadores e, diz-se, é o método que traz os resultados mais precisos. No site há uma grande quantidade de estudos publicados que podem ser acessados gratuitamente. Pelo menos cinquenta deles tratam do tema educação e, dentre esses, alguns tratam da questão da tecnologia como auxilio/meio para o aprendizado.

Certamente existem estudos similares produzidos no Brasil. Seria interessante, em tempos de eleições, checar as propostas dos candidatos para a educação e ver se são justificáveis, se foram baseadas em algum estudo, em experiências de outros países, ou se, no pior cenário, são proposições absolutamente randômicas.



Educação - TED

7 de Agosto de 2010, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

De uns anos pra cá tenho usado incansavelmente o www.ted.com. É um site dedicado a divulgar gratuitamente palestras que ocorrem de tempos em tempos (anuais e semestrais, acho) em conferências organizadas por um cara chamado Chris Anderson. A sigla significa Tecnologia, Entretenimento e Design, mas, ao primeiro contato com o site, percebe-se que a abrangência é muito maior, e que os mais diversos temas são abordados.

Duas palestras de um cara chamado Sir Ken Robinson servem para o início dessa discussão sobre tecnologia educacional. Na primeira delas, ele diz que a escola mata a criatividade. Na segunda, defende que não faz sentido uma reforma do sistema educacional, o que deve ocorrer é uma revolução.

Ele fala de um futuro utópico, de assumir que nos desenvolvemos de forma orgânica e não linear, que os talentos são extremamente sub aproveitados. Mas nunca vi uma discussão sobre educação que não fosse utópica e idealista, e o futuro proposto por Sir Ken Robinson me parece o mais interessante. As novas tecnologias são componentes essenciais para essa revolução. A grande questão que fica, a meu ver, é como implantar uma mudança tão abrupta?

Ou quem sabe esse tal futuro já não esteja mais próximo do que imaginamos, afinal, ver um nobre inglês falando tornou-se uma coisa bastante simples que qualquer zé mané com acesso a internet pode fazer. De qualquer modo, vale a pena assistir a essas pequenas palestras. Sir Ken Robinson, além de tratar de um tema que muito nos interessa, o faz de uma maneira extremamente britânica, colocando o humor em seu devido lugar, no meio de assuntos sérios.