Um dos grandes limitantes quando se discute medidas para melhorar a educação é definir quais delas, de fato, tem um resultado positivo. Mais computadores elevam as notas? Lanche mais saudável ajuda na concentração? Projetos interdisciplinares ajudam a formar um cidadão mais crítico? Não faço a menor idéia. O grande problema, no entanto, é quando as pessoas que tomam as decisões sobre os os rumos da educação sabem menos do que eu.

Não é uma missão simples medir a eficácia de determinados projetos, especialmente os voltados a educação, afinal, envolvem aspectos complicados quantificar. É difícil, mas não é impossível. Um grupo de pesquisadores fundaram, em 2003, o J-PAL (The Abdul Latif Jameel Poverty Action Lab), que conduz pesquisas com o intuito de trazer respostas à questões críticas para o alívio da pobreza no mundo. Em outras palavras, eles medem quais medidas funcionam, quais não funcionam e quão efetivas elas são. As pesquisas são conduzidas em diversas partes do mundo e abordam diversos assuntos tais como saúde pública, educação, mercado de trabalho e administração.

O método de Avaliação Randomizada é o ponto comum entre os quarenta e nove professores de todo o mundo que compõem o laboratório. É um metódo que exige coordenação entre os pesquisadores e o órgão responsável pela implementação da medida a ser estudada. Não conheço a metodologia a fundo, mas arrisco dizer que, de maneira bastante simplificada, consiste em aplicar a medida que se vai estudar de forma randômica num determinado número de lugares de modo que, ao final de um certo tempo, seja possível comparar os resultados nos locais afetados pelo novo recurso com o resto das localidades, que serviriam como grupo de controle.

Apesar de trabalhosas, as avaliações randomizadas exigem uma quantidade moderada de recursos por parte dos pesquisadores e, diz-se, é o método que traz os resultados mais precisos. No site há uma grande quantidade de estudos publicados que podem ser acessados gratuitamente. Pelo menos cinquenta deles tratam do tema educação e, dentre esses, alguns tratam da questão da tecnologia como auxilio/meio para o aprendizado.

Certamente existem estudos similares produzidos no Brasil. Seria interessante, em tempos de eleições, checar as propostas dos candidatos para a educação e ver se são justificáveis, se foram baseadas em algum estudo, em experiências de outros países, ou se, no pior cenário, são proposições absolutamente randômicas.