Policarpo Quaresma, a peça, apesar de causar risos aqui e ali, ao final me deixou um gosto de tristeza na boca. A politicagem barata, a corrupção e as soluções psicodélicas propostas por Policarpo são ainda hoje um retrato relativamente fiel do Brasil de hoje.

Não pude deixar de associar a peça ao filme Tropa de Elite. Ainda que possuam características muito distintas no que diz respeito às personalidades, Policarpo Quaresma e Capitão Nascimento se posicionam de maneira similar em relação ao País. Ambos procuram soluções para os problemas que assolam a sociedade, são incorruptíveis e encontram na política, ou nos políticos, seus grandes inimigos.

Os dois tentam, por assim dizer, fazer justiça com as próprias mãos – Policarpo com a agricultura e o Capitão Nascimento com o saco plástico – e ambos se sentem impotentes quando tentam combater os problemas se aliando ao Estado. Seria possível listar vários outros personagens semelhantes, tais como Ricardo e Matias ou Bustamante e Rocha.

Policarpo nasceu no início do século XX e Capitão Nascimento cerca de cem anos depois. A peça e o filme são ótimo, mas é uma pena que contem a mesma história.