Educação: Qualidade vs Quantidade - E agora Brasil?

23 de Março de 2010, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Apesar de viver aqui nos EUA, estou atentamente acompanhando o que acontecen no Brasil. Isso porque acredito no meu querido país. Mas quando escuto os políticos dizerem: "queremos triplicar o número de doutores e mestres no país" ou "queremos ter o maior número de pessoas formando o ginásio e colégio" ... me da uma SUPER, ULTRA AGONIA !!!

Ao invés de pensarmos em Qualidade, estamos pensando em quantidade. Segundo os diversos textos de revistas e entrevistas de políticos: quanto maior o número de pessoas na escola, maior o nível de conhecimento que a população terá. Seguindo o mesmo ponto de vista, quanto maior o número de doutores, maior será a produção tecnológica.

Como um bom cientista da computação vamos analizar logicamente a sentença:

SUPONDO QUE "quanto maior o número de pessoas na escola" SEJA VERDADE ENTAO ISTO IMPLICA QUE TEREMOS -> "maior o nível de conhecimento que a população terá"

Será que já não deu pra perceber que a premissa está incorreta?

Não é quanto maior o número de pessoas (quantidade), mas sim a Qualidade de ensino é o que deveria ser respeitada. Crianças e jovens podem passar anos em uma escola e não aprender nada. Estatísticamente isso é bom ... pois podemos dizer que temos mais pessoas com formação ... mas na realidade estamos camuflando a realidade. Atualmente começa surgir o problema dessa política: O analfabetismo funcional - a pessoa sabe ler, escrever, mas não entende o que está lendo/escrevendo. Isso já é objeto de estudo de alguns pesquisadores no Brasil. Ou seja, a criança sai do colégio e não aprendeu metade do que poderia ter aprendido.

Essa política considera que um aluno formado é um aluno formado, mesmo que ele tenha aprendido algo ou não. Por isso, professores do estado são obrigados a passar a crianças na marra. Para quem não sabe, repetir um aluno de ano é uma guerra ... só em último caso !!! Pois é ruim estatísticamente para o governo.

Agora vamos pensar numa solução. Ao invés de pensar em estatística. Por que não melhoramos a forma como as crianças e as escolas são avaliadas ?

Avaliando escolas:

Por exemplo, e algumas séries pré selecionadas do ensino fundamental e médio poderia ocorrer uma prova regional ou estadual ou federal para avaliar os alunos de todas as escolas da região/estado/país. Essa avaliação permitiria analizar quais escolas estão ensinando bem ou mal seus alunos. Introduzindo este mecanismo não existe a necessidade do professor ser pressionado para passar o aluno de qualquer jeito ... agora o professor é pressionado para fazer com que o aluno aprenda.

Além disso, o diretor sempre culpa o professor quando os alunos são ruins, barulhentos, etc. O diretor ao invés de jogar a culpa no professor deveria trabalhar como um bom administrador: entender a raíz do problema antes de julgar o professor.

Outra coisa que me deixa Put... da vida. A carreira de professor das escolas públicas do ensino médio e fundamental não tem progressão. Ou seja, você é professor e sempre será professor, não existe motivação para fazer o melhor, para subir de cargo, para fazer os alunos aprender mais e melhor. Não existe tal incentivo. Um professor de faculdade começa como professor assistente, depois sobe para professor associado e no fim pode virar titular e depois tentar ser diretor e etc. Ele também pode ir em congressos, se atualizar e tem incentivos para fazer o melhor. Professor de escola fundamental não pode ir a congressos e faltar nas aulas para se atualizar. Ele também não pode experimentar novas técnicas de ensino, pois outros professores vão reclamar que ele não está seguindo o currículo. Finalmente o professor é pago para trabalhar em sala de aulas, mas ninguém conta que ele precisa corrigir provas, tarefas, verificar cadernos, fora do horário de aula ... nos finais de semana. Esse trabalho extra nunca é levado em consideração e por isso ainda acham que o professor é bem pago no Brasil ... tsk tsk ...

Avaliando alunos:

Alunos são extremamente mau avaliados, todo os esforço do aluno acaba se consumindo a uma prova no inicio do bimestre e outra no fim. As provas também não são formuladas para avaliar o problema que o aluno possui ... elas são utilizadas apenas como uma forma de saber o quanto o aluno sabe. Assim, quando um aluno tira uma nota baixa na prova ... o professor não consegui identificar o problema do aluno. Por isso o uso da tecnologia produz bons resultados nas escolas, ao utilizar ferramentas educacionais é possível, passo-a-passo verificar qual o problema do aluno e como remediá-lo. Assim, antes de chegar as provas finals o professor já conseguiu ajudar o aluno a sanar seu problema. A diferença é muito evidente.

 

Universidade

Seguindo o mesmo caminho, estamos aumentando o número de mestres e doutores, sem saber como devemos avaliar a qualidade dos mesmos.Um departamento que forma 40 doutores é melhor do que um que forma 20, mesmo que estes 20 doutores sejam os melhores do mercado e realizem pesquisas que realmente tenham impacto na sociedade. Para quem não sabe um quesito muito importante no Qualis da capes para avaliar instituições é o número de mestres e doutores ...se não atingir o número esperado de formandos ... então a nota da Qualis cai 1`ou 2 pontos ... mesmo que comprovadamento os poucos alunos formados sejam melhores que os outros.

De novo é a luta entre Qualidade vs Quantidade ... já não tá na hora de repensar um pouco como formamos nosso alunos ??? Será que vamos fazer isso tarde demais ??

E agora Brasil ? Pra onde vamos ?

Ficarei rezando aqui para que alguêm como um pouco mais de interesse na educação ... que olhe o foco do problema e não na estatística esteja disposto a comprar essa briga :-) !!!

Seiji

 

 



Pesquisa em Informática na Educação - Onde estamos? Pra onde vamos?

9 de Janeiro de 2010, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Existem mitos e lendas que dizem que pesquisadores na área da Ciência da Computação não gostam da área de Informática na Educação. Mesmo que essas lendas urbanas sejam verdadeiras, no cenários internacional isso é coisa do passado, pois atualmente o a coisa é muito diferente.

As pesquisas em Informática na Educação crescem em rítmo acelerado, principalmente em países que acreditam que a Educação é a chave para o crescimento econômico e social. Os problemas nessa área de pesquisa são extramemente difíceis de serem resolvidos devido a sua muiltidisciplinaridade e aos diversos fatores que influenciam a aprendizagem de uma pessoa. Contudo, o grande atrativo desta área é que pequenos resultados obtidos trazem grandes benefícios que podem ser utilizados em larga escala. 

Por exemplo, no passado, tutores inteligentes eram utilizados apenas para pesquisas em laboratórios com um número pequeno de alunos. Mas o resultados favoráveis, o espírito empreendedor e a vontande de auxiliar o máximo de alunos possíveis, fez com que tutores inteligentes fossem utilizados em larga escala. Atualmente nos EUA, existe uma empresa chamada Carnegie Learning criada por professores da Universidade Carnegie Mellon que atende mais 500 mil alunos utilizando tutores inteligentes em sala de aula. Os resultados são incríveis. Devido ao grande sucesso das pesquisas realizadas aqui na Carnegie Mellon, a universidade ganhou 25 millhões de dólares em 2004 e mais 25 milhões em 2009 para incentivar pesquisas nesta área. Isso sem contar os outros projetos de pesquisa (o projeto no qual faço parte ganhou 1.3 milhão de dólares).

No Brasil, me parece que esta área de pesquisa ainda enfrenta algum preconceito. As conferências internacionais de grande prestígio na área como o ITS (Int. Conference on Intelligent Tutoring System) e a AIED (Int. Conference on Artificial Intelligence in Education) não são considerados bons congressos no Brasil. Embora conferências com a marca IEEE como o ICALT (Int. Conference on Advanced Learning Technologies) e o FIE (Frontiers in Education) são consideradores bons no Brasil (só porque têm a marca IEEE).

O maior congresso de Informática na Educação, o SBIE (Simpósio Brasileiro de Informática na Educação), que recebe anualmente mais de 600 trabalhos completos (um dos maiores -- se não for o maior número de submissões para um congresso nacional) e com taxa de aceitação de 20%, não é considerado um congresso de alta qualidade. O mesmo vale para a RBIE - Revista Brasileira de Informática na Educação, que é uma revista de altíssima qualidade na área, mas que vem sendo discriminada no Qualis.

Para mudar esse quadro, eu acredito que não adianta a comunidade de Informática na Educação reclamar, reclamar, reclamar. É preciso se unir, conversar e discutir para criar projetos que atinjam mais pessoas (alunos, professores, diretores, etc). Somente mostrando resultados será possível modificar a mentalidade que ainda está presente no Brasil.

Engajar pesquisadores da área, e fazê-los sentir parte da comunidade é o primeiro passo. Fazer parceirias com outras entidades como a ABED (Sociedade Brasileira de Educação a Distância) é o segundo passo. E fazer com que resultados de pesquisa se tranformem em produtos que possam ser utilizados em large escala no Brasil afora é o terceio, e o passo mais importante para transformar a comunidade de Informática na Educação.

Acredito que essas mudanças vão acontencer e eu espero voltar ao Brasil para tentar dar minha contribuição para tranformar a educação no país.

Comentários são sempre bem vindos :-)

Seiji

 

 

 

 



Carnegie Mellon Univ. e pesquisas em Computação na Educação: Impressões de um "Jovem" Pesquisador

13 de Outubro de 2009, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Em Julho de 2009 fui contratado como pesquisador (pós-doutor) na universidade de Carnegie Mellon em Pittsburgh, PA, USA. Apesar de estar trabalhando a pouco tempo gostaria de compartilhar algumas das minhas impressões sobre o processo de seleção de um pós-doutor aqui nos EUA. E também contar um pouco da vida de um pesquisador por aqui.

No Brasil posição de pós-doutorado ainda é uma posição temporária que normalmente não passa de 1 ano ou no máximo 2. O pós-doutor, não possui vículo empregatício com a universidade, mas é afiliado a ela. O grande problema é que por causa disso, o pós-doutor no Brasil não é considerado um membro do corpo doscente da universidade e perde as regalias como sala própria, possibilidade de dar aulas ou ser orientador de alunos de graduação, mestrado ou doutorado como qualquer outro professor.

No Japão são poucas as vagas de pós-doutorado na área de computação/engenharia. Normalmente um doutor sai da faculdade e consegue um emprego em uma empresa (a maioria das empresas possui setor de pesquisa) ou uma vaga de professor assistente. Contudo, para estrangeiros existem diversas vagas de pós-doutorado. Essa é uma das táticas utilizadas pelo governo Japonês para atrair pesquisadores de alto nivel e criar parcerias e novos projetos.

Nos EUA um pós-doutor é considerado um membro do corpo doscente tendo vículo empregatício com a universidade. A diferença é que o dinheiro para pagar o salário do pós-doutor vêm de fundos que não são da universidade (projetos de pesquisa, parceria com empresas, etc). Assim, um pós-doutor no EUA não é necessariamente uma posição temporária e dependendo do currículo do pesquisador a posição recebe nomes diferentes. Os níveis são os seguintes: (a) pós-doutor; (b) cientísta pesquisador; (c) cientísta pesquisador senior. Ou seja, para manter uma das posição mencionadas o pesquisador precisa estar sempre enviando projetos de pesquisa ou fazendo parceira com empresas, pois o salário depende disso.

Ser um pós-doutor aqui na Carnegie Mellon está sendo um privilégio para mim. O processo para conseguir a vaga foi super rigoroso. Primeiro foi a análise de currículo e recomendações. Graças a cartas de recomendação dos meus orientadores (Prof. Brandão, USP, e Prof. Mizoguchi, Osaka, JP) e um bom nível de publicações de qualidade (ainda bem que aqui no USA eles não usam o QUALIS) acabei sendo chamado para segunda fase. 

A segunda fase foi uma entrevista via Skype que durou mais ou menos 3 horas. O professor que me entrevistou apresentou o projeto no qual eu teria que trabalhar em detalhes!! E também fez diversas perguntas sobre a minha pesquisa de mestrado e doutorado. Nessa fase eu tive que convencer ele por A+B que eu era o melhor candidado e que meu background era perfeiro para a pesquisa que seria realizada (em Inteligência Artificial aplicada à Educação). 

A terceira fase foi uma entrevista pessoal onde o principal objetivo era verificar se o candidato conseguia achar as soluções para o projeto apresentado. Nessa fase, mostrar a forma de raciocínar foi fundamental. Copiando as palavras da vice-presidente do google Marissa Meyers: "what's important is not what Zeng knows, but how Zeng thinks" ... ou seja o importante não é mostrar o que você sabe, mas como você pensa. Segundo os pesquisadores que me avaliaram aqui na Carnegie Mellon: "We are sick of smart people! We don't want someone who knows everything, but we do want someone who can find solutions for the unknown. That's what research is about." ... Ou seja, para fazer pesquisa não adianta muito saber tudo o que esta escrito nos livros ou acertar 100% em uma prova, pois a solução para um problema não resolvido não está nos livros e sim na capacidade de inovar e achar novos caminhos que vão produzir novas soluções. Pra mim foi muita sorte eles terem este ponto de vista (no Brasil é ao contrário(?)), pois eu acho que meu cérebro é muito bom para achar novas soluções, mas terrível pra memorizar datas, nomes, etc ... acho que minha memória de longa duração não é das melhores Chorão

Estou apenas no inicio do projeto e eles já me pressionam bastante. Foi contratado para trabalhar em 1 projeto e, atualmente, já participo de reuniões de 3 projetos diferentes (apesar de terem alguma relação com meu projeto). O mais engraçado foi quando um dos professores que é o lider do projeto me disse: "Well ... this problem nobody could solve thus far, but it will be a good exercise for you to solve it, so you can learn our approach and tools.  And plus, if you can solve this one, you can probably solve any other problem in our list". Hahahaha ... Inacreditável ... tava mais pra piada de mau gosto ... se não fosse a pura verdade. Vamos ver o que acontece ... alguma solução eu encontro pra esse maledito problema Fixe

Eu poderia dar aulas, mas me disseram que pós-doutorado é o tempo que o pesquisador possui para só fazer pesquisa e tentar publicar resultados excelentes (alguns dizem que é o tempo para publicar em quantidade ... ai vai a briga quantidade vs. qualidade). Como também sou membro do corpo docente, tenho várias regalias, como por exemplo, uma sala própria, equipe de apoio para o projeto, ônibus de graça, academia de graça, etc. Mas também preciso tentar conseguir fundos para novos projetos de pesquisa, ter idéias para orientar alunos nos cursos de verão/inverno, etc. Welll ... it is a lot of fun Riso

No Instituto onde estou chamado Human-Computer Interaction Institute os professores e pesquisadores trabalham de forma bem unida. É uma sinergia muito forte entre todos. São pesquisadores de diferentes áreas e, por causa disso, as discussões são muito interessantes. Diferentes pontos de vistas são apresentados e os resultados são excelentes. Pra mim, pesquisa muitidisciplinar é a ferramenta mais poderosa pra resolver problemas reais da sociedade.

Atualmente trabalho com sistemas tutores inteligentes para ensino de matemática. Estão envolvidos no projeto, cientístas da computação, engenheiros, pedagógos, psicólogos, professores de matemática e educadores. Essa união realmente é a chave pra resolver os problemas no ensino.

Espero um dia poder retornar ao Brasil e continuar a realizar pesquisas nesta área para ajudar a educação das crianças no ensino fundamental e médio, principalmente nas escolas públcas. E o projeto em que trabalho na Carnegie Mellon segue esta direção, pois cria tutores inteligentes em larga escala para ajudar o máximo de alunos possíveis. Os resultados de pesquisa obtidos nesta área por professores da Carnegie Mellon criaram as bases de uma empresa chamada Carnegie Learning (http://www.youtube.com/watch?v=hl2eaQB2FuU) que já ajuda mais de meio milhão de alunos nos EUA e têm lucro líquida de aproximadamente 100 milhões de doláres anuais.

A idéia principal do projeto no qual estou trabalhando, chamado MathTutor é oferecer tutores que têm se mostrado eficientes no suporte ao ensino de forma gratuita na Web. O site do projeto está no endereço:www.wemathtutor.org. Caso alguém esteja interessado em produzir tutores inteligentes em larga escala para auxiliar alunos em escolas (seja em matemática, física, química, etc), podem me contatar (sisotani [at] cs.cmu.edu  -- substituta [at] por @ ) que ficarei muito feliz em tentarmos inserir esses resultados de pesquisa no Brasil. Mesmo morando nos EUA, espero ter a possibilidade de criar parcerias com pesquisadores, universidades e escolas Brasileiras. 

abrax,

Seiji

 

 

 

 

 

 



Dificuldade de Adaptação de Brasileros estudando no Japão como consequência lógica da falta de harmonia entre Educação e Computação

24 de Junho de 2009, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Hoje, eu estava revisando um capítulo de livro sobre cultura e IT (Information Technology) e me deparei com a seguinte afirmação: estudantes que recebem educação utilizando métodos convencionais de ensino, onde o professor é o centro da atenção e o aluno apenas assimila o conhecimento passado no quadro-negro, fica dependente de instrução (ou ser instruído) ao longo da vida (Reinecke, 2005).

 Isso me fez lembrar de muitos Brasileiros que reclamam do sistema de graduação e pós-graduação no Japão. As crianças de até 12 anos no Japão recebem uma educação baseada em participação. A criança precisa estar engajada no que está aprendendo. Dando opniões e discutindo com professores e colegas. O colegial no Japão é mais no estilo professor (the boss) e o aluno (empregado), mas a aprendizagem em grupo é constante.

 Nós Brasileiros recebemos uma educação bem antiquada. Pare para pensar: você aprendeu do mesmo jeito que seu pai aprendeu; e seu pai aprendeu do mesmo jeito que o pai dele aprendeu (seu avô) e assim por diante. São mais de 100 anos de avanços na área de educação (Pedagogia, Psicologia, etc) e de computação aplicada à educação que não são utilizadas de forma efetiva em sala de aula.

O problema: as universidades no Japão tem a seguinte filosifia "aluno deve aprender por si".Ou seja, na universidade você vai assitir uma aula onde o professor fala de um conteúdo complicado sem explicar muito ... e, portanto, cabe ao aluno estudar a fundo o conteúdo para realmente entender a matéria. As provas também não são difícieis, então mesmo um aluno que dorme todos os dias nas aulas consegue passar com um "C" no currículo.

 Particularmente, eu acho ruim esse sistema na graduação (já que também estudei de forma antiquada) e concordo com muitos Brasileiros que querem largar a graduação. Mas, na pós-graduação esse sistema é muito bom para gerar inovação.

 A Pós-graduação no Japão, principalmente doutorado,é extramemte forte. Ao invés do aluno de doutorado "perder tempo"assitindo aulas, que muitas vezes ele já assistiu na graduação, ele está tentando resolver problemas e criando novo conhecimento. Sim, no meu ponto de vista e de muitos pesquisadores (veja o currículo dos alunos da Carnegie Mellon's Entertainment Technology Center), alunos de mestrado e doutorado, não devem ter muitas aulas. Eles devem é trabalhar para criar, inovar e produzir resultados que podem ser aplicados para resolver problemas reais da sociedade. E isso as universidades Japonesas sabem fazer muito bem. Principalmente na área de tecnologia.

Os resultados de pesquisa de alunos de mestrado/doutorado na área de computação e engenharia são rapidamentente absorvidos pelas empresas gerando resultados de impacto na sociedade. Por isso o Japão é um dos países com maior inserção de tecnologia no cotidiano.

Nós Brasileiros temos grande dificuldade de gerar conhecimento por causa do sistema de ensino primário e secundário antiquados. E quando nos deparamos numa situação onde precisamos, por sí só, inovar, temos um deadlock mental.

O orientador no Japão, muitas vezes não diz o que você deve fazer, as vezes ele te dá um problema e desaparece do mapa. Cabe ao aluno tentar descobrir a solução do problema. Pior, as vezes o professor nem dá o problema e você precisa identificá-lo. Aqui no Japão, o aluno precisa gerar resultados e ir falar com o professor ... o professor apenas analisa o que você fez e te dá dicas, dizendo o que está certo e o que está errado. Se você não fizer nada, provalmente seu orientador não vai nem notar sua existência já que ele tem outros 10 alunos para orientar.

  Ou seja,para o Brasil crescer não adianta tentar mudar apenas as universidades. Temos que investir na educação básica. E principalmente no Brasil ainda existe uma forte resistência em conseguir auxílio financeiro para se fazer pesquisa na área de educação e computação. 

Veja o exemplo da Revista Brasileira de Informática na Educação (RBIE) e do Simpósio brasileiro de Informática na Educação (SBIE), ambos apoiados pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC). O SBIE reuni todos os anos entre 500 à 700 participantes, provavelmente é um dos maiores eventos relacionado com computação no país. O processo de aceitação dos paper é de altíssima qualidade e os trabalhos publicados têm resultados que podem gerar grande impacto no sistema educacional Brasileiro. Mesmo assim, por não ser um evento de impacto "Internacional" (o que ao meu ver está relacionado com o propósito do evento que é gerar conhecimento que possa ser aplicado no sistema educacional Brasileiro) o qualificação deste evento no QUALIS da CAPES é baixa na área de computação (mas não na área de Educação ou na área multidisciplinar). Isso é extramamente ruim já grande parte dos pesquisadores nesta área estão trabalhando em departamentos de computação.

 De modo similar a RBIE, apesar da qualidade dos trabalhos publicados e de ter uma história de duas décadas de publicações ininterruptas, o Qualis na área de computação é baixa (de novo na área de Educação e na área multidisciplinar é ao contrário). A RBIE é a única revista da SBC que pertence a um comitê específico e o processo de revisão dos trabalhos é realmente forte e competitivo. De novo, a RBIE falha em ser mais "internacional", segundo o comitê de computação.

Será que assim, ao invés de ajudar a Educação no Brasil a comunidade de computação está puxando o pé da sociedade Brasileira? Veja como universidades de renome em computação estão desenvolvendo programas de suporte a Educação (How computer science serves the developing world)

 Nós da computação Brasileira não deveríamos fazer de tudo para incentivar a aplicação da computação no ensino? Será que já não deu pra perceber que o número de alunos em computação está diminuindo porque a a comunidade de computação não está "enxergando" os problemas e desafios da sociedade no âmbito educacional?

 A Comunidade de Informática na Educação vem lutando a anos para ser mais valorizada perante ao comitê de computação, contudo este desafio ainda parecer estar longe de ser resolvido. Enquanto isso quem sofre é o Brasil, que poderia estar muito a frente da India ou China, mas continuamos andando a passos de tartaruga. Enquanto o comunidade de computação não abraçar a comunidade de informática na Educação e, juntos, lutar pela modificação no ensino, será dificil mudar o quadro educacional Brasilero. E nesse caso não é culpa do governo !!

 Resumindo, fazer doutorado no exterior sem ter uma formação boa dificulda no aproveitamento dos Brasileiros que estudam no exterior. E nesse contexto a computação pode fazer a diferença trazendo melhorias no ensino e fazendo com que a socidade Brasileira cresça em todos os níveis sociais.

 

 

 References:

Reinecke, K., & Bernstein, A. (2007). Culturally Adaptive Software: Moving Beyond Internationalization. Paper presented at the HCI International 2007, Beijing, China.

Dias, M. B. and Brewer, E. 2009. How computer science serves the developing world. Communications of ACM 52, 6 (Jun. 2009), 74-80. 



Crítica à avaliação do Qualis-Capes de Periódicos Nacionais na area de Ciência da Computação

11 de Março de 2008, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Já faz algum tempo que queria escrever sobre este tema, mas somente agora consegui um tempo adequado.

Algum tempo atrás estava verificando o Qualis-CAPES na area de Ciência da Computação para ver quais revistas nacionais de boa qualidade, com bom impacto na comunidade nacional, e que publicam trabalhos em Português e/ou Inglês. Devido ao nível de Excelência da Computação no Brasil, esperava encontrar pelo menos uma revista (para não dizer várias) com Qualis A Nacional. Contudo, para minha surpresa, temos apenas revistas com Qualis B Nacional.

Por quê isso acontece? Por quê algumas revistas que promovem a computação no Brasil e são consideradas Qualis A em outras áreas, não têm o mesmo impacto no Qualis na área de Computação? Que mistério é esse? Como um bom pesquisador, fui verificar mais a fundo o problema.

O Qualis da Computação se Baseia no seguinte:

Periódicos Internacionais : são considerados os índices de impacto dos periódicos
indexados no ISI/JCR (Journal Citation Records) e aqueles registrados pelo CS (CiteSeer -
Computer Science ResearchIndex -- http://citeseer.nj.nec.com/impact.html) em julho de
cada ano.
Regras:

  1. A classificação é baseada nos seguintes pontos de corte dos índices de impacto:
    • JCR: A: 60%; B: 30%; C: 10%
    • CiteSeer: A: 40%; B: 40%; C: 20%
  2. No caso de periódicos que constam tanto no CiteSeer como no JCR foi considerada a melhor classificação.
  3. periódicos das sociedades científicas da área: ACM, IEEE, INFORMS, SIAM que não estiverem indexados são classificados como B.

Periódicos Nacionais : por decisão do Comitê, o JBCS (Journal of the Brazilian Computer
Society) é classificado como Internacional C e a RITA como nacional. Periódicos nacionais não contemplados no JCR ou no CiteSeer não são classificados.

Periódicos de áreas afins e outras áreas (não-afins): recebe a maior classificação das
classificações atribuídas pelas outras áreas. As áreas afins são: Engenharia Eletrônica,
Matemática, Matemática Aplicada, Pesquisa Operacional e Estatística, quando detectada a
interface com a Computação. Faltando informação marca-se como impróprio.

Se basear ina ISI/JCR é comum em qualquer país (como no Japão), contudo se basear no CiteSeer acho um pouco arriscado, pois para quem sabe, o CiteSeer possui muitas falhas e atualmente o mesmo foi descartado (não é atualizado desde 2005 http://en.wikipedia.org/wiki/CiteSeer). Na tentativa de melhorar o sistema atual criaram o CiteSeerX (http://citeseerx.ist.psu.edu/ ) anda em versao inicial.

Mas o que mais me interessa neste artigo é realmente os periódicos nacionais !! Prestem atenção que apenas o JBCS e o RITA possuem algum tipo de classificação MANUAL. E todas as outras revistas nacionais precisam estar listadas no JCR ou no CiteSeer ???? Perai ... como ambos (JCR e CiteSeer) só indexam periódicos em Inglês, isso quer dizer que NENHUM PERIÓDICO NACIONAL COM PUBLICAÇÃO EM PORTUGUÊS PODE SER CLASSIFICADAS PELO QUALIS ATUAL NA ÁREA DE COMPUTAÇÃO.

Ou seja, um tanto quanto, Obsurdo !! Para salvar algumas revistas, existe a terceira opção que são periódicos de áreas afim e outras áreas. Está escrito que a revista receberá a maior classificação das classificações atribuídas pelas outras áreas. Contudo, parece que esta classificação também sofre alteração MANUAL pelo Comitê. Olhando, por Exemplo a RBIE - Revista Brasileira de Informática na Educação da SBC (Sociedade Brasileira da Computação). A RBIE possui Qualis A na área de Engenharia IV (Engenharia Elétrica e Engenharia Biomédica), contudo na área de computação a RBIE recebe Qualis B. Tentei procurar algo no critério de Computação que validasse esta atribuição, mas não encontrei.

Outros exemplos são a Revista IEEE América Latina e a INFOCOMP: Journal fo Computer Science. Ambas publicam trabalhos Nacionais (e internacionais) intrinsicamente relacionados a computação mas nem sequer recebem classificação na área de computação.

Identificar revistas nacionais Qualis A na área de Computação, que publicam trabalhos em PORTUGUÊS (e/ou Inglês) com o objetivo de desenvolver a comunidade nacional é de essencial importância para o desenvolvimento da Computação no Brasil. Publicar trabalhos na língua nacional é fundamental para agilizar e facilitar o processo de difusão do conhecimento no país.

O fato de publicar trabalhos na língua de origem se torna mais importante quando pensamos na multidisciplinaridade da computação. Seguindo o exemplo da RBIE, esta revista publica trabalhos relacionados a Educação no Brasil e como melhor o ensino utilizando técnicas de computação. Neste caso é fundamental que a publicação seja feita em Português já que os leitores da revista são professores que poderão utilizar os resultados de pesquisas em suas classes para melhorar a quailidade do ensino brasileiro. Caso esta publicação seja feita em Inglês, muitos professores, especialmente de nível fundamental e médio não terão acesso as tecnologias desenvolvidas no país e não poderão usufruir dos benefícios da tecnologia produzida no país.

Eu acredito que é dever do pesquisador Brasileiro, ajudar o país, divulgando resultados em Português e oferendo recursos que possam ser utilizados pela sociedade. E o Qualis da computação atual oferece um impecílio a realização desta tarefa. Claro que precisamos divulgar nossos resultados internacionalmente, mas temos que proporcionar o equilibrio adequado entre publicações em revistas nacionais e internacionais. Para mim o termo Nacional no qualis da computação deveria ser considerado de uma forma mais adequada.

Possível Solução:

O jeito mais simples de Melhorar a qualidade da análise de Periódicos e de Congressos Internacionais é criar grupos temáticos. É de meu conhecimento que alguns grupos foram criados, mas infelismente não foram utilizados efetivamente. A computação possui várias vertentes e alguma delas, multidisciplinares. Assim, os grupos temáticos precisam abrigir a realidade da computação.

Veja o caso de computação e Jogos, computação móvel ou a computação musical. Estas novas vertentes são intrinsicamente multidisciplinares e atuais. Contudo, por causa do Qualis da computação, pesquisadores tendem a não publicar e aplicar todos os seus recursos e esforços nestas áreas, pois estas novas areas nao possuim Qualis adequado e, nao tendo Qualis adequato, fica dificil pedir verba para o CNPq, Capes, FAPESP e outras FAPs, a menos que aja uma chamada para pesquisa temática. Ou seja se voce for realmente trabalhar nestas áreas e publicar artigos relacionados a um tópico específico, mesmo que seu trabalho tenha grande impacto internacional, para as entidades de fomento isso nao tera muita relevância na hora de pedir auxílio financeiro.

Então, o que normalmente acontece é: os pesquisadores no Brasil fazem pesquisas nas áreas em que é possível publicar artigos em conferências e Journals com Qualis A ou B e depois se desdobram para também publicar nas conferências que lhes interessam. Trabalho triplicado que dificulta a vida do pesquisador brasileiro.

Veja a diferença: No Japão, onde estou atualmente, pesquisas na área de ontologias e Web Semântica estão sendo realizadas a mais de 15 anos ... quando estes termos não eram nem conhecidos pela comunidade internacional. E à 15 anos o governo Japonês investe nestas tecnologias. Para quem não sabe, já se encontram em uso em celulares e outros equipamentos eletrônicos. ( O grande problema do japão é que a maioria das pesquisas são realidas em industrias e as publicações são realidazas apenas em Japonês com diversas restrições devido aos direitos autorais que as industrias possuem). No Japão também existe indicadores de produção de boa qualidade. Mas novas vertentes na computação são vistas de forma bem diferente a da Qualis atual, ou melhor, no Japão novos pesquisadores são incentivados a seguir novas vertentes da computação, pois assim estes se tornarão lideres e pioneiros de áreas que se tornarão consolidadas no futuro.

Resumindo, os grupos temáticos deveriam estar realmente engajados em identificar conferências e revistas de boa qualidade, principalmente nas áreas novas que estão em crescimento e não esquecendo a multidisciplinaridade que a computação oferece. Somente assim, as pesquisas realizadas no Brasil vão começar a proporcionar grande impacto e quem sabe algum Nobel ou Turing Award seja indicado para um Brasileiro que faz sua pesquisa no Brasil. 

A computação é um ramo de estudo realmente diferente dos demais. Tanto é que artigos em conferências na área de computação são tão importantes quanto publicar artigos em revistas (que as vezes demorar um ano passa sair publicado). Os avanços em nosso campo andam com passo acelerado e o Qualis precisa estar de acordo com este passo para garantir o bom desenvolvimento das pesquisas em Computação no Brasil.

Esta artigo é apenas uma crítica construtica que espero, humildemente, seja de benefício para as pessoas que o leiam e quem sabe abra os olhos das pessoas que poderão modificar o Qualis da computação em um futuro proximo.

Comentários e/ou sugestões são muito bem vindos.