Existem mitos e lendas que dizem que pesquisadores na área da Ciência da Computação não gostam da área de Informática na Educação. Mesmo que essas lendas urbanas sejam verdadeiras, no cenários internacional isso é coisa do passado, pois atualmente o a coisa é muito diferente.

As pesquisas em Informática na Educação crescem em rítmo acelerado, principalmente em países que acreditam que a Educação é a chave para o crescimento econômico e social. Os problemas nessa área de pesquisa são extramemente difíceis de serem resolvidos devido a sua muiltidisciplinaridade e aos diversos fatores que influenciam a aprendizagem de uma pessoa. Contudo, o grande atrativo desta área é que pequenos resultados obtidos trazem grandes benefícios que podem ser utilizados em larga escala. 

Por exemplo, no passado, tutores inteligentes eram utilizados apenas para pesquisas em laboratórios com um número pequeno de alunos. Mas o resultados favoráveis, o espírito empreendedor e a vontande de auxiliar o máximo de alunos possíveis, fez com que tutores inteligentes fossem utilizados em larga escala. Atualmente nos EUA, existe uma empresa chamada Carnegie Learning criada por professores da Universidade Carnegie Mellon que atende mais 500 mil alunos utilizando tutores inteligentes em sala de aula. Os resultados são incríveis. Devido ao grande sucesso das pesquisas realizadas aqui na Carnegie Mellon, a universidade ganhou 25 millhões de dólares em 2004 e mais 25 milhões em 2009 para incentivar pesquisas nesta área. Isso sem contar os outros projetos de pesquisa (o projeto no qual faço parte ganhou 1.3 milhão de dólares).

No Brasil, me parece que esta área de pesquisa ainda enfrenta algum preconceito. As conferências internacionais de grande prestígio na área como o ITS (Int. Conference on Intelligent Tutoring System) e a AIED (Int. Conference on Artificial Intelligence in Education) não são considerados bons congressos no Brasil. Embora conferências com a marca IEEE como o ICALT (Int. Conference on Advanced Learning Technologies) e o FIE (Frontiers in Education) são consideradores bons no Brasil (só porque têm a marca IEEE).

O maior congresso de Informática na Educação, o SBIE (Simpósio Brasileiro de Informática na Educação), que recebe anualmente mais de 600 trabalhos completos (um dos maiores -- se não for o maior número de submissões para um congresso nacional) e com taxa de aceitação de 20%, não é considerado um congresso de alta qualidade. O mesmo vale para a RBIE - Revista Brasileira de Informática na Educação, que é uma revista de altíssima qualidade na área, mas que vem sendo discriminada no Qualis.

Para mudar esse quadro, eu acredito que não adianta a comunidade de Informática na Educação reclamar, reclamar, reclamar. É preciso se unir, conversar e discutir para criar projetos que atinjam mais pessoas (alunos, professores, diretores, etc). Somente mostrando resultados será possível modificar a mentalidade que ainda está presente no Brasil.

Engajar pesquisadores da área, e fazê-los sentir parte da comunidade é o primeiro passo. Fazer parceirias com outras entidades como a ABED (Sociedade Brasileira de Educação a Distância) é o segundo passo. E fazer com que resultados de pesquisa se tranformem em produtos que possam ser utilizados em large escala no Brasil afora é o terceio, e o passo mais importante para transformar a comunidade de Informática na Educação.

Acredito que essas mudanças vão acontencer e eu espero voltar ao Brasil para tentar dar minha contribuição para tranformar a educação no país.

Comentários são sempre bem vindos :-)

Seiji