Uma causa perdida

22 de Novembro de 2011, por Desconhecido - 1Um comentário

Você é contra a PM no campus? Ou a favor da liberação de drogas lúdicas? Se sua resposta for sim, meus pêsames. Digo isto pois, frente aos atuais acontecimentos, quaisquer que sejam suas idéias ou argumentos a favor por terra cairão frente a opinião pública graças a meia dúzia de alunos baderneiros que, infelizmente, levantam a mesma bandeira que você.

É importante frisar que os alunos que tomaram a reitoria e o prédio da FFLCH representam apenas a si próprios, não agem como a maioria dos alunos da USP e tampouco os representa, envergonhando todos os que infelizmente levantam as duas bandeiras citadas acima.

A baderna instaurada molda a opinião pública contra os dois temas e contra todos os alunos da USP por eles porcamente representados, o que é uma lástima. Mais um exemplo onde um idiota desqualifica toda uma categoria.

Os baderneiros são odiados pelos alunos da USP e não representam nem de longe o corpo discente da universidade. De quebra a fiança dos alunos presos pela PM foi paga pelo Conlutas (a quem o Sintusp é filiado) que desta forma assegura o apoio deles num futuro próximo (greve 2012?), perpetuando este comportamento sindical mafioso e corrupto que beneficia o bolso de alguns poucos companheiros (e seus aliados políticos) vendendo manifestações e desmerecendo causas legítimas a revelia do real bem estar de suas categorias.

Olha que legal: Ano que vem estes mesmos alunos irão demonstrar sua gratidão e votar seus interesses em assembléias não representativas organizadas por eles mesmos e recomeçar a zona toda perpetuando este ciclo e deixando os alunos cada vez mais desacreditados.

Enquanto isto quem realmente perde somos nós, alunos, e as causas relevantes. As bolas da vez são a presença da PM no campus e liberação do uso de drogas lúdicas, mas em outros momentos perdemos a chance de discutir a infra da FFLCH ou a relação de número de alunos por professor nos campi (e tantas outras causas) transformando problemas reais de nosso cotidiano em uma causa perdida.



Vida fora da academia: Nem tanta terra, nem tanto mar

7 de Abril de 2011, por Desconhecido - 1Um comentário

Depois de me graduar em física escolhi o mercado de trabalho ao mundo acadêmico. Embora muitas pessoas não compreendam, a decisão em minha cabeça foi muito simples: uma pós graduação em qualquer área (onde eu aprenderia cada vez mais sobre cada vez menos) não me interessava, muito menos num país onde não teria onde aplicar meu conhecimento. Até por conta disso escolhi fazer outra graduação, onde seria apresentado a um pouco de tudo em uma nova área.

Hoje no trabalho o pessoal faz piada toda a vez que faço comentários sobre linha mamilar, efeito Mpemba ou qualquer conhecimento que eles julguem estranho dizendo que ando lendo muito Super Interessante ou Planeta Bizarro.

Ao mesmo tempo muitos de meus amigos acadêmicos agem igual (ou pior) aos professores que eles condenavam e tornam uma simples conversa inviável pois todo e qualquer argumento só é válido se apresentado com uma referência, desmerecendo por completo o interlocutor.

E eu fico triste por ver o resultado: Um lado a rejeita por não a compreender e o outro assume uma postura tão arrogante a ponto de não fazer jus a ciência que tanto conhece, aumentando a distância como uma bola de neve.



A dura arte de discordar

16 de Janeiro de 2011, por Desconhecido - 22 comentários

 

Não discutir opinião foi, sem sombra de dúvidas, uma das maiores lições que aprendi em minha vida. Ela se resume a seguinte frase: "O problema de forçar sua crença ao outros é que um dia eles podem querer forçar a crença deles a você".

Opiniões não são verdades absolutas ou sequer possuem certo ou errado. Não há nada de errado em preferir amarelo ao azul, ser muçulmano e não budista ou preferir ir para casa pelo caminho que passa em frente a loja de brinquedos ao invés do que passa em frente a loja de relógios.

Mas me pego agora surpreendido pela difícil arte de discordar. Gosto do ter apoio dos meus ao tomar decisões mesmo quando eles discordam de mim. O problema é que tal apoio por vezes não ocorre. Como superar a frustração e não esperar o apoio de pessoas próximas? E o pior: Seria eu capaz de, ao discordar, dar tal suporte e não frustrar os meus?


 



No bandejão com um politécnico

26 de Agosto de 2010, por Desconhecido - 22 comentários

Não tenho nada contra engenheiros. Muito pelo contrário: tenho muitos em minha família e alguns admiro bastante. Mas tem gente que... Pede.

Estava eu sentando para comer no bandex da física quando, de repente, noto duas pessoas à minha frente. Um, assim como eu, estava chegando enquanto o outro estava saindo. Tudo parecia normal até o momento em que o que estava saindo virou para o outro e disse:

Politécnico: "Engenharia é melhor!"

BCÇÓIDE: "Não quero falar sobre isso." Respondeu o outro com cara de incomodado.

Politécnico: "Não quer falar sobre isso por que sabe que engenharia é melhor!" Retrucou com um sorriso jocoso e cara de superioridade.

BCÇÓIDE: "Ja disse que não quero falar sobre isso." Respondeu o bcçóide ameaçando-o ao empurrar sua bandeja cheia de comida na garganta do politécnico.

Politécnico: "Ok. Assim é claro que o IME é melhor."

E os dois deram aquela risada meio desconfortável para terminar a conversa. Ficou claro que eles já se conheciam, já tinham tido esta conversa antes e que o politécnico achava bacana esta forma infantil de se auto-afirmar (em público...?). Reconheci também que o que sofreu bullying era um biXo meu do BCC.

Meu biXo se sentou e começou a almoçar com a namorada enquanto o politécnico ia embora esbarrando sua enorme mochila nas pessoas sentadas... Mais um indício de preocupação e respeito para com o bem estar alheio. Foi o a gota d'água. A máxima "Fala o que quer, ouve o que não quer" passou pela minha cabeça, e segurei a mochila dele pela alça. Ele deu uma chacoalhada na mochila como que para se desvencilhar de um possível uspiano que estivesse em seu caminho.

Yoshi: "Oooo politécnico? Por que a engenharia é melhor?" Foi quando ele olhou para trás e percebeu que chacoalhando a mochila ele não iria muito longe.

Politécnico: "Por que ela é mais legal."

Yoshi: "Mas... Por quê?"

Politécnico: "..."

Yoshi: "Você fez ResMat?"

Politécnico: "Ainda não." Que trouxa. Era bixo e estava cantando de galo sem conhecimento de causa

Yoshi: "Então é da civil?" Neste momento o politécnico me olhou com o mesmo ar de superioridade de segundos atrás, abriu um sorriso largo, encheu a boca e disse

Politécnico: "Não. Sou da Engenharia de Computação" em tom jocoso

E eis que ele era realmente escroto... Perfeito. A vantagem desse tipo de gente é que dá pra dizer tudo que ele precisa ouvir e não sentir a menor dó depois.

Yoshi: "Se você quer aprender computação, por que gasta seu tempo fazendo matérias de engenharia civil?"

Politécnico: "..." 1, 2 segundos...

Yoshi: "E por que para isso deixa de fazer matérias básicas de computação, como Estrutura de Dados?"

Politécnico: "..." 2, 3 segundos...

Yoshi: "Que tipo de profissional de computação vira um cara como você?"

Politécnico: "..." 3, 4 segundos...

Yoshi: "É... Só podia virar um engenheiro." ... Minha vez de ser jocoso.

Depois disso não sobrou muito do sorriso que estava na cara dele. Ele continuou trilhando seu caminho vagarosamente e raspando sua mochila em todo mundo enquanto olhava pra sua bandeja. Eu me sentei e comecei a comer. Um tempo depois eu ouço

Politécnico: "Mas eu vou ganhar mais que você..."

Coitado... Mal sabe ele. Virei pra trás e ví que ele falou isto bem de longe, quase saindo do restaurante. O tom de voz estava longe de ser confiante como antes e ele se dirigiu rapidamente para a porta, talvez com medo da resposta. Era, além de tudo, um covarde. Vi de canto de olho a bonita namorada de meu biXo e percebi que o politécnico estava sozinho, provavelmente esperando encontrar o amor da vida dele na festa da porca e do parafuso deste ano. Me ocorreu que eu poderia ter acabado de diminuir o valor do único triunfo que ele tinha para ostentar... Bom, que se foda. Ele que aprenda a respeitar e ver mais valor nos outros. Enquanto isso... Desejo muitos outros Yoshis na vida dele.

É... Hoje meu almoço foi tumultuado. Mas já tive piores. Voltei a comer enquanto as pessoas ao meu redor agiam calmamente como se nada tivesse acontecido... Apenas mais um dia.

 



Cativado pela professora de Estatística 2

24 de Agosto de 2010, por Desconhecido - 22 comentários

Lá vou eu de novo. Consegui equivalência de estatística 1, mas não me deram equivalência de estatística 2. Isso foi em 2007 e agora, para me formar, tenho que cursar a matéria. Fiquei indignado com isso. Como pode? O IF (e provavelmente a comunidade física toda) possui nomenclatura e notação própria que, em geral, nada tem a ver com a dos matemáticos do IME. E o IME preza e cobra isto. Resultado? Terei que estudar Estat1 por conta para rever seus conceitos nos moldes do IME para Estat2.

E lá fui eu assistir as aulas. Para minha surpresa, paguei a língua... De novo. A professora consegue cativar os alunos e torna a aula muito legal. E agora a aula de Estat 2, que imaginei que seria um estorvo, está sendo um momento de recuperar forças para o semestre... Vai entender.

Um único problema: Uma aula boa merece uma dedicação especial. Com isso meus planos de empurrar com a barriga e passar com cinco bola foram por água abaixo.