OBJETIVOS

Em sua primeira parte, o curso tem um viés econômico e político. Visa enlaçar os processos de transformação econômica e social da Europa Ocidental na segunda metade da modernidade com as convulsões políticas. Toma por base a Revolução Puritana de 1640 na Inglaterra, assumida como a revolução mater do processo revolucionário que culmina, na Inglaterra, na Revolução Industrial. Assumida como revolução burguesa, as transformações havidas no século XVII preparam o caminho para o aceleramento das transformações econômicas dos fins do século XVIII, posto que a revolução política criou duas bases fundamentais para o lançamento da Revolução Industrial: a profunda transformação da estrutura agrária que criou as condições sociais internas indispensáveis ao arranque da industrialização; a conquista dos mercados mundiais pela criação de um instrumento poderoso de dominação representado pela Royal Navy. Nesse contexto, buscar-se-á relacionar este fenômeno com a transformação industrial da França no contexto da Revolução de 1789, bem como o bloqueio da industrialização portuguesa via pressão sobre seu Império colonial, cuja resultante é a abertura dos portos brasileiros em 1808.

A segunda parte do curso, em que se articulam as esferas econômica, política e cultural, tem como foco Portugal, um contraponto ao caso inglês. Tomando como ponto de partida o longo movimento de laicização da cultura, que caracteriza a Época Moderna, buscar-se-á discutir a Ilustração, num âmbito amplo, e a Ilustração em Portugal, questionando as ideias de atraso e isolamento do pensamento português, frente às mudanças mentais ocorridas em outras partes da Europa. Tendo-se em conta que à Revolução Industrial foi fundamental, também, a preeminência da Inglaterra no teatro do mundo, e complementando análise sobre essa temática desenvolvida na primeira parte do curso, tratar-se-á da relação diplomática entre Portugal, uma potência de pequena grandeza, e Inglaterra em dois momentos: na segunda metade do século XVII e em princípios do século XVIII. A partir daqui, o enfoque será o processo de desenvolvimento manufatureiro em Portugal iniciado na segunda metade do século XVIII. Alguns pontos basilares a serem destacados são o impacto das mudanças próprias do período na noção que se tinha sobre a colonização; a relação entre fábricas do Reino e exploração colonial; os elementos impulsionadores das manufaturas portuguesas; e os fatores responsáveis pelo refreamento de seu progresso.

O curso se encerrará com exposição e análise dedicadas à Revolução Francesa, espécie de contrapé da Revolução Industrial Inglesa, na medida em que propalou pelo mundo valores que, depois, seriam o alicerce político da sociedade burguesa liberal.

 

CONTEÚDO

  1. Proposições teóricas, metodológicas e historiográficas.
    1. História econômica e história cultural: por uma nova síntese.
    2. Historiografia como consciência crítica da história.

     

  2. A Revolução Inglesa como revolução burguesa.
    1. Impasses historiográficos.
    2. Christopher Hill: texto e contexto Interpretativo

         

  3. A Revolução Industrial Inglesa.
    1. O conceito de Revolução Industrial na produção histórica.
    2. As explicações da Revolução Industrial: continuidade ou ruptura.
    3. A capitalização da agricultura: os cercamentos.

     

  4. A conquista do mercado mundial.
    1. Crescimento e bloqueio industrial na França.
    2. Fábricas portuguesas e mercado colonial brasileiro.

     

  5. Imperialismo britânico e abertura dos portos brasileiros.
    1. Guerras, bloqueios e contra bloqueios.
    2. A conquista do mar pela terra: a Guerra Peninsular.
    3. A conquista da terra pelo mar: o colapso dos Impérios coloniais.

     

  6. A Ilustração e a Europa.
    1. A crise da consciência europeia: tempos e espaços.
    2. Ilustração ou Iluminismo?

     

  7. Portugal e as Luzes do mundo.
    1. O debate sobre o atraso português.
    2. O reformismo ilustrado português: rupturas e continuidades.

     

  8. Duas potências desiguais no teatro do mundo.
    1. O tratado anglo-português de 1654 e o exclusivo do comércio com o Brasil.
    2. O tratado de Methuen e o primeiro surto manufatureiro português.

     

  9. A exploração colonial e as suas épocas.
    1. A colonização portuguesa: práticas e noções.
    2. Metrópoles e colônias sob o signo das Luzes.

     

  10. Portugal e a Revolução Industrial frustrada.
    1. Os dois surtos manufatureiros: diferenças e semelhanças.
    2. Crise geral e desenvolvimento manufatureiro em Portugal no século XVIII.
    3. Os freios ao progresso manufatureiro português.

     

  11. O lugar da Revolução Francesa na Era das Revoluções: história e historiografia.

 

METODOLOGIA

O curso se desenvolverá à base de aulas expositivas e seminários de interpretação de textos autorais ou documentais, que serão fornecidos aos alunos na sala de aula, buscando-se estimular a capacidade de leitura e interpretação dos mesmos.

 

ATIVIDADES DISCENTES

Leitura e fichamento de textos e de documentos, participação nos seminários e nas discussões em sala de aula, e prova escrita.

 

CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO

A avaliação terá por base: a presença nas aulas; o interesse demonstrado nas mesmas; pela participação nos seminários e discussões em classe e, sobretudo, pelo aproveitamento de todas as atividades do curso demonstrado na prova escrita que será realizada no fim do curso.

A prova final versará sobre uma seleção de documentos intercalados com interpretações historiográficas que os alunos deverão analisar em classe, sem consulta de qualquer tipo de material.

 

RECUPERAÇÃO

Somente serão aceitos para recuperação os alunos que atenderem às seguintes condições:

      1. Que tiverem tido frequência igual ou superior a 75%;
      2. Que tiverem participado dos seminários;
      3. Que tiverem feito a prova final

* Prova de recuperação seguirá os mesmos moldes da prova final.