Em 12 de abril de 1961, plena guerra fria, Yuri Gagarin teria pronunciado essa frase ao vislumbrar o espaço de dentro da sua nave orbitando o planeta terra. No entanto, tal frase não aparece nas gravações de sua comunicações com a terra (ver, por exemplo, no artigo Iury Gagarin, Wikipedia, Inglês, acessado em 27/06/09).

Qual seria então a causa da difusão dessa informação aparentemente falsa? O artigo citado anteriormente fornece uma resposta. Mas o meu objetivo não é especular a respeito do que realmente aconteceu. Já não há fontes que possam fornecer respostas definitivas, pois Yury Gagarin, morto a 41 anos, já não pode mais ser consultado. Talvez exista algum documento de autenticidade comprovada registrando a sua versão a respeito da sua própria frase, mas não tenho informação a respeito de qualquer documento desse tipo.

Meu objetivo é investigar o conteúdo da frase e as suposições que poderiam levar alguém a pronunciá-la
em tais circunstâncias. A primeira suposição, sem a qual ninguém em sã consciência poderia fazer tal comentário, é a de que Deus estaria localizado no céu físico. Se Deus está no Céu, e o homem vai para o Céu, logo o homem que vai para o Céu deveria ve-Lo, a não ser que Ele estivesse se escondendo. Uma mente brilhante capaz de fazer tal raciocínio imagina Deus com as mesmas propriedades de uma criatura qualquer, limitada em extensão e com localização bem definida no tempo e espaço. Mas ignora algo importante a respeito de Deus: é Criador, distinto das criaturas, e portanto não pode estar sujeito à nenhum tipo de limitação.

Alguém poderia objetar argumentando que só faz sentido falar em criatura se há Criador. É bem verdade; se não há Criador, não há por que esperar que esteja no céu físico. O que quero mostrar é que se há Criador, também não há por que esperar que esteja no céu físico.

Acreditar que Deus estaria localizado no céu físico é uma postura análoga à de todos os que afirmam que não acreditam em Deus por que nunca o viram. O que é que nós vemos? Naturalmente, o homem não pode ter experiência de nada que não lhe é impresso aos sentidos. Essa impressão aos sentidos tem como ponto de partida algum tipo de interação física. Por exemplo: as células da retina dos nossos olhos contém substâncias que interagem com os fótons refletidos pelos objetos do mundo exterior. O conhecimento do mundo exterior só é possível quando as coisas são capazes de provocar diretamente ou indiretamente efeitos físicos passíveis de serem detectados por nossos sentidos. Portanto, pensar que Deus poderia ser conhecido dessa forma, isto é, como se fosse uma criatura material, com a propriedade de refletir a luz, por exemplo, para que nós a pudéssemos enxergar, conduz necessariamente à uma óbvia contradição; pois se assim fosse, Deus não seria Criador, mas criatura. Está claríssimo que Deus não pode ser conhecido do mesmo modo como conhecemos as criaturas materiais.

Isso significa dizer que Deus transcende às criaturas. Qualquer investigador, antes de encontrar uma solução a um problema, busca também os métodos pertinentes ao seu campo de estudo. O investigador conhece a natureza do seu método: por essa razão, um matemático, por exemplo, sabe que não chegará a provar nenhum teorema utilizando um método empírico. Imaginem por exemplo, Pitágoras construindo triângulos retângulos de diversas dimensões, medindo-os, e depois concluindo por indução o Teorema de Pitágoras! É análogo ao caso do sujeito que pretende ter a prova de que Deus existe pela experiência sensível! Antes deveria procurar conhecer mais a respeito da natureza do seu campo de estudo. Então qual será o método mais pertinente à ciência que pretende estudar Deus?