Esse post contem uma crítica às idéias essenciais do post  A FÉ da CIÊNCIA de Helder Gonzales.

Helder,

Fiquei extremamente interessado pelo assunto abordado no seu post e gostaria de fazer uma crítica das suas idéias essenciais, muito bem resumidas na sua primeira resposta.  Comentarei uma por uma:

1) A ciência e a religião nascem para responder às dúvidas do homem quanto à realidade na qual estão inseridos.

Falso. A religião não nasce para responder às dúvidas do homem quanto à realidade, mas para colocá-lo em relação com a divindade.

No que diz respeito à ciência, é necessário pelo menos entender a que nos referimos quando usamos o termo ciência. Constantemente se cai no erro de definir ciência tomando como modelo uma ciência particular, geralmente a física, excluindo automaticamente outras ciências particulares, cujos métodos são distintos. É o caso da definição do Abdo.

Uma definição geral de ciência é a clássica, dada por Aristóteles: conhecimento certo pelas causas (Anal. Post. I 2, 71 b 9). É verdade afirmar que a ciência nasce para responder às dúvidas dos homens, mas é necessário matizar essa afirmação. A ciência tem caráter prático e especulativo. As dúvidas não são apenas quanto à realidade, mas também quanto ao melhor modo de agir nessa realidade. A ética, a engenharia, o direito são exemplos de ciências práticas, ao passo que a matemática pura e a metafísica são ciências especulativas.

2) Ciência e Religião postulam a existência de uma ordem que não pode ser demonstrada, mas que serve de ponto de partida para seus enunciados.

Concordo inteiramente.

3) A existência da tal ordem não é construída pela razão, mas, sim, pela experiência. O costume cria em nós uma crença. “Princípio da uniformidade da natureza”.

Formulo de outra forma. A razão humana é capaz de captar pela experiência a ordem inerente à própria natureza. É falso afirmar que a ordem é imposta pelo cognoscente ao conhecer; ao contrário, conhecer significa captar a ordem da natureza tal como ela é(correspondência veritativa).

4) Ciência e Religião se valem da imaginação para inventar explicações. A diferença é que a ciência tem (ou é) um método para testar suas explicações e descartar as que são contrariadas pela experiência. A verdade nunca pode ser comprovada. Já a falsidade pode.

Ciência e Religião se valem da imaginação para encontrar as explicações. Uma explicação inventada não é explicação, mas invenção.

A ciência é mais do que um método; ela se vale de vários métodos, dependendo da ciência particular, para testar suas explicações. Nem toda ciência precisa da experiência para ter as suas conclusões "testadas"; é o caso da matemática. Ela tem um método próprio para testar as suas conclusões. Nem todas as ciências são experimentais. 

De fato a verdade nunca poderá ser comprovada, mas pode ser conhecida.

Isso é tudo. Estou ansioso por receber críticas ferozes; mas que estejam centradas nas idéias e não no envólucro. Argumentos do tipo "Aristóteles já está superado", "o que você fala é besteira, ninguém mais pensa assim" ou "leia tal coisa e esqueça tudo o que você disse", são manifestações claras de preguiça mental e ignorância.

Abraço!

Marco A. Ridenti