Apesar da Lei12305/10 já ter estabelecido o setor de embalagens como uma de suas preocupações maiores, chegamos a 2015 sem nenhuma solução definitiva sobre o assunto.

Alguns setores resolveram dar sua própria solução e criaram mecanismos de recolhimento e destinação de suas embalagens, sem esperar pelo acordo coletivo.

Temos o caso da Johnson&Johnson , que já faz com as Cooperativas de São Paulo o recolhimento e destinação de embalagens aerosóis ( http://www.institutogea.org.br/projetos/logistica-reversa-para-aerossois/), a Scott brite com a s esponjas usadas ( http://www.scotch-brite.com.br/wps/portal/3M/pt_BR/GlobalScotch-BriteBrand/Scotch-Brite/Sustentabilidade/Brigada+de+esponjas+Scotch-Brite/).

 

 

Agora existe uma mudança nesse cenário.De acordo com artigo piublicado, pelo UOL o acordo setorial para o segmento de embalagens em geral, que instituirá os procedimentos de logística reversa, quando ocorre a coleta e a destinação adequada dos resíduos, deve ser assinado em julho. A informação é da coordenadora do Ministério do Meio Ambiente, responsável pelos acordos setoriais, Zilda Velloso.

 
A dirigente detalha que a questão engloba embalagens como a de alimentos, bebidas e pequenos bens de consumo feitas a partir de plástico, papelão, alumínio etc. Zilda considera o acordo setorial para essa categoria como o mais complexo de todos. Isso porque envolve muitos agentes: somente em associações industriais são 21.
 
A coordenadora do Ministério do Meio Ambiente calcula que cerca da metade do PIB brasileiro é abrangido pelo setor. A dirigente acrescenta que para a iniciativa ser bem-sucedida será fundamental a participação dos catadores. O grande desafio, segundo ela, será dividir com os municípios a tarefa da coleta seletiva.
 
Após o segmento de embalagens, o próximo a ter um acordo firmado deverá ser o de eletroeletrônicos. Por último, será preciso tratar com a cadeia de remédios. No entanto, sobre essa área, Zilda considera que está ocorrendo um retrocesso. "O setor não está querendo recolher todos os medicamentos ou atender às metas que fazem parte do edital", frisa. Zilda lembra que, no total, foram cinco acordos setoriais propostos, ao final de 2010, quando o decreto que regulamenta a política de resíduos sólidos foi publicado.
 
O primeiro cumprido foi o de embalagens plásticas de óleos lubrificantes (dezembro de 2012) e, em novembro do ano passado, houve a assinatura do acordo setorial de lâmpadas. "As pessoas sempre imaginam que, com o acordo setorial assinado, amanhã terá um ponto de coleta na esquina, onde será possível entregar as lâmpadas, e não é bem assim", admite Zilda.
 
A dirigente ressalta que a área precisa estruturar-se, ter unidades para operar essa logística reversa, pois cada fabricante não teria condições de colocar individualmente um ponto coletor. A ideia é contar com a parceria do segmento comercial para a ação dar certo. No caso das lâmpadas, mais de 90% dos produtos objetos do acerto são de fora do País, sendo preciso fazer o controle dessas importações.
 
O presidente da Associação Brasileira de Importadores de Produtos de Iluminação (Abilumi), Georges Blum, esclarece que o acordo setorial abrange as lâmpadas que contêm mercúrio. Ele ressalta que a logística reversa para esses itens terá um custo. A estimativa da entidade é que será de cerca de R$ 0,40 por lâmpada. O dirigente adianta que deverá haver algum repasse ao consumidor final, embora o setor esteja solicitando desoneração fiscal na atividade de transporte e reciclagem do produto. Blum afirma que, teoricamente, os pontos de coletas deverão ser concentrados em grandes lojas de materiais de construção.
 
Zilda e o presidente da Abilumi participaram ontem da 4ª edição do Seminário de Gestão Sustentável de Resíduos Sólidos: Cidade Bem Tratada, uma iniciativa da equipe Cidade Bem Tratada, da Câmara Municipal de Porto Alegre e da Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Câmara Municipal de Porto Alegre. O evento foi realizado no Teatro do Bourbon Country, em Porto Alegre.
 
CRVR investirá em recicladora em Minas do Leão
 
A Companhia Riograndense de Valorização de Resíduos (CRVR), empresa do Grupo Solví, que opera, entre outras unidades, uma central de resíduos em Minas do Leão, pretende instalar uma recicladora nesse município. O coordenador comercial da empresa, Leomyr de Castro Girondi, sustenta que é preciso mecanizar a prática da reciclagem, como aconteceu com a indústria automobilística. Dessa forma, serão aproveitadas ferramentas como leitores e separadores óticos, equipamentos magnéticos, entre outros, que dão velocidade ao processo.
 
O objetivo é alcançar uma separação de até 1,5 mil toneladas ao dia de resíduos e, para isso, a planta precisa ser automatizada. No entanto, Girondi enfatiza que a máquina não dispensará o uso de mão de obra e deverá propiciar em torno de 300 empregos diretos. O projeto tenta recuperar parte dos resíduos para serem novamente aproveitados e o que não for possível seguirá para o aterro sanitário também localizado no município. O investimento na recicladora é estimado em R$ 90 milhões. A expectativa é iniciar as obras em 2016 e concluir o empreendimento em menos de cinco anos.
 
Antes da recicladora começar as atividades, será inaugurada, no próximo dia 2 de junho, a termelétrica do Grupo Solví, que aproveitará o gás gerado no aterro sanitário de Minas de Leão. A usina terá capacidade instalada de 8,5 MW (cerca de 0,2% da demanda média do Rio Grande do Sul) e há planos para expandi-la para 15 MW. Outras duas térmicas que aproveitarão o mesmo tipo de combustível deverão ser construídas em São Leopoldo e Santa Maria, cada uma com capacidade para 1,5 MW.
 
De acordo com o diretor-presidente da CRVR, Mauro Renan Pereira Costa, o aporte para viabilizar a térmica em Minas do Leão foi de aproximadamente R$ 40 milhões, na sua fase inicial. Para a ampliação do projeto, deverão ser acrescidos entre R$ 10 milhões e R$ 15 milhões.
 
Girondi diz que a intenção é levar a experiência de geração térmica para todos os aterros do grupo. A produção de energia e a reciclagem não são os únicos investimentos que o Grupo Solví planeja no Estado. Atualmente, a CRVR conta com quatro aterros sanitários no Rio Grande do Sul (em Giruá, Santa Maria, Minas do Leão e São Leopoldo) que podem captar cerca de 5,3 mil toneladas ao ano de resíduos urbanos (domiciliares). A empresa pretende abrir três novos complexos, localizados nas cidades de Pelotas (500 toneladas diárias de capacidade), Victor Graeff (500 toneladas diárias de capacidade) e Viamão (1 mil toneladas diárias de capacidade). Girondi informa que cada um desses novos aterros sanitários deve absorver, na etapa inicial, em torno de R$ 30 milhões, e a meta é que a operação comece até o final de 2016.
Fonte: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=197133