O objetivo do blog configura-se como atividade de difusão de informações acerca da Universidade de São Paulo (USP), especialmente aquelas que dizem respeito aos estudantes de escola pública que ainda não estão aqui. Proponho por meio desta plataforma, localiza-los nas esferas da Instituição e acima disso convidá-los a estar neste lugar, que lhes pertence por direito. O blog é somente um elo de ligação entre o emissário e o receptor, cabendo a este decidir se a faculdade é o melhor lugar para que ele possa estar ou mesmo se ele deveria fazer uma faculdade. Estas e outras questões serão debates de nossas reflexões mensais, sempre brindadas com a dádiva do conhecimento e a sabedoria dos que querem muito mais do que aquilo que lhes está dado.

Por que ir à Palestras?

15 de Setembro de 2019, por Paulo Ricardo da Silva Borges Batista

Sou um daqueles estudantes, que tem um pé na sala e um olho nos cartazes. Estou sempre procurando atividades acadêmicas que ajudem a enriquecer meu currículo. Quando comento com meus amigos sobre as palestras da faculdade, alguns dizem que é bobagem e que “não vale a pena ouvir alguém por uma hora” sobre assuntos que desconhecemos. Quando ouço esse tipo de frase eu sempre paro de falar sobre o assunto, e começo a falar sobre coisas que a pessoa já conheça e que seja comum entre nós, pois sei que essa mentalidade não pode ser transformada por mim através de discussões rápidas e em 30 minutos. É preciso que essa pessoa decida se isso é bom para ela ou não, e até mesmo pense em ver uma palestra de seu interesse para entender a complexidade de cada evento e os assuntos abordados de forma delicada e sucinta.

Sendo assim, eu acredito que as palestras são parte essencial da vida de qualquer graduando, técnico e até mesmo alunos de nível médio. Aqueles que já se conscientizaram da relevância de uma palestra no currículo entendem que cada uma delas é imprescindível para sua área e deve ser escolhida a dedo. Os eventos podem ser organizados em um único dia e até mesmo em diversos meses. Então, cabe a cada pessoa entender sua necessidade de participação e verificar detalhadamente cada dado para a efetiva participação.

Ademais, se faz fundamental observar se a palestra oferece certificação, pois sem o documento você não terá como provar e validar a terceiros a sua participação efetiva, e pior, não poderá sequer citar isso em seu Currículo Acadêmico. Também é fundamental entender que não vale muito a pena colocar em suas redes a participação em palestras que sequer fazem parte de sua área de atuação, pois algumas pessoas podem entender que você foi a estas palestras e não sabe o que está fazendo da vida já que participa de eventos que sequer lhe ajudarão a aprofundar seus conhecimentos e provar seu interesse em manter-se atualizado nos temas do seu campo cientifico.

Para retomar nossos tópicos aqui trabalhos, irei citar os passos para que você possa aproveitar dessas ocasiões e garantir contribuições para sua carreira. O primeiro passo é selecionar as palestras de seu interesse e campo de atuação. Em segundo lugar, você deverá verificar cada detalhe sobre o mesmo e checar a possibilidade de emissão de certificado; ademais, cabe ligar no espaço e perguntar se é preciso inscrição prévia ou somente no dia, pois em muitas palestras as inscrições são feitas no dia da mesma. A comunicação é um passo fundamental para garantir todas as etapas, sem ela você pode incorrer ao erro de ir para uma palestra e não conhecer o tema, participar sem saber a sala e até mesmo ir para uma palestra onde o público é totalmente diferente daquilo que você esperava. Por fim, espero que todas as dicas tenham sido bem absorvidas e que sua carreira seja duradora e repleta de valiosos conhecimentos científicos.



Pedagogia: Qual a diferença entre professor e educador?

30 de Agosto de 2019, por Paulo Ricardo da Silva Borges Batista

Paulo Freire dizia que se a educação de forma sozinha não tem a capacidade para mudar a sociedade, sem ela outrora a sociedade não teria nem o poder para transformar-se. A frase do patrono da educação brasileira nos leva a questionar nossas próprias convicções acerca das percepções de educação e ensino, nos fazendo refletir acerca do tema e da importância de um educador.

Educador é aquele que não necessariamente sente a necessidade de ter uma formação para ensinar ou mesmo passar o seu conhecimento aos demais, ele não tem o treino para transformar a sociedade em que vive, mas a necessidade de fazê-lo. As técnicas e habilidades de educação serão desenvolvidas através do fazer cotidiano e da elucidação de problemas que lhe levam a crer na mudança de uma situação ruim para algo melhor. A transformação social é a principal perseguição dessas pessoas, e diferentemente de um profissional CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), ele atua onde acredita que tem de atuar, mesmo quando não há remuneração.

No outro espectro temos os professores, profissionais estes; que se dedicam ao fazer educativo através das técnicas de determinada área do conhecimento que foram adquiridas através de um curso de formação superior. O professor é aquele que ensina como fazer alo da forma certa e busca viabilizar as lacunas do domínio da língua, dos números e até mesmo dos grandes pensadores seculares. Contudo, há uma distância entre ambos os profissionais, que nos faz pensar sobre a plenitude da educação e como podemos trabalhar para alinhar a técnica e a vontade de transformação em uma mesma pessoa.

A convergência para essas perguntas encontra-se através da adoção de práticas inclusivas que visam ouvir o estudante, e entender seus conhecimentos como forma integrante de sua formação pessoal, mostrando-lhe que é possível construir o conhecimento com o saber cientifico e a bagagem cultural-individual de cada pessoa. Através desses conhecimentos transformaremos não só a sociedade, mas o ser humano e romperemos com as barreiras dos preconceitos e amarras intelectuais, democratizando o conhecimento e formando práticas pedagógicas que atendam a todos.



Gestão de Pessoas: Como posso me capacitar para ser o melhor gestor de pessoas da minha empresa?

30 de Agosto de 2019, por Paulo Ricardo da Silva Borges Batista

Muito se pergunta acerca de como deve ser o profissional do futuro, e se ele estará pronto para os desafios que serão impostos através das novas tecnologias e ferramentas que possibilitam a globalização no mundo, estreitando as relações sociais e diluindo suas fronteiras a entrevistas por Skype, currículos virtuais e vídeo-vitae. Para viabilizar as alternativas que inquietam esses funcionários e suas carreiras é preciso pensar além da mera relação profissional da venda de produtos-serviços e do salário, focando na qualificação acadêmica com a preparação de bons gestores de RH (Recursos Humanos) que estarão capacitados e altamente treinados para melhorar os processos de seleção e adquirir com precisão esses novos profissionais.

Para Josiane da Silva, do RH Portal e pós-graduada em Gestão Estratégica de Pessoas, o processo de gestão é feito através da participação, capacitação e desenvolvimento do capital humano da organização. Usando-se da máxima, o profissional gestor de recursos humanos precisa estar preparado para capacitar e estar continuamente se capacitando, melhorando suas habilidades de desenvolvimento pessoal e utilizando-se das técnicas de relacionamento mais avançadas para captar os melhores colaboradores que cooperem de forma harmônica e contínua para o elevado grau de qualidade do negócio e desenvolvimento de novas competências que expandam os lucros, diminuam as despesas e otimizem os processos consolidando o nome da empresa no mercado.

A capacitação deste líder vai além das fronteiras empresariais, e deve estar conectada com as percepções e expectativas de médio-longo prazo dos servidores. O gestor terá de lidar com as pessoas de forma diplomática, respeitosa e igualitária. Seus desafios serão de acompanhar treinamentos, fazer cursos seguir as novidades de seu campo de atuação, constituindo boas relações de comprometimento no ambiente de trabalho que lhe ajude a consolidar a sua imagem e ampliar sua capacidade de motivação, liderança e confiança com seus subordinados. Assim, encarrando de frente os problemas que podem surgir, gerando produtividade e a melhor administração possível. Referências:

SILVA, Josiane da. O líder e os desafios de gerir pessoas. Acesso em: 14 de julho de 2019. Disponível em: .



O Programa Nuclear Brasileiro e a Amazônia Azul

30 de Agosto de 2019, por Paulo Ricardo da Silva Borges Batista

Em Vidas Secas, o clássico de Graciliano Ramos, a família de Fabiano se vê cercado pela fome e a falta de água. Recurso esse finito, que é buscado de forma incessante pela família, a fim de minimizar as dores físicas e saciar o corpo. Esse recurso é abrangente no território brasileiro, representado através da Amazônia Azul, área dos rios brasileiros que corresponde a cerca de 52% das terras continentais, segundo a Marinha do Brasil a Amazônia Azul é a zona do mar que percorre todo o litoral brasileiro e as ilhas oceânicas pertencentes. Os conceitos e limites para definir essa zona foram definidos no ano de 1982, em uma conferência que diz respeito aos direitos do mar. O território da Amazônia Azul é fonte de renda para muitas pessoas, em sua maioria povos ribeirinhos e ribeirinhas, que se alimentam e vivem através da pesca de peixes e da colheita que as terras Amazônicas podem produzir. Essa zona é responsável por matar a fome das pessoas, e ajudá-las a sobreviver, pois a coleta em mares possibilita a alimentação para subsistência das famílias da região.

Dentro desta área temos a chamada ZEE (Zona Econômica Exclusiva) que é totalmente controlada pelo Brasil, e visa assegurar os recursos minerais, naturais e animais dos binômios. A Amazônia Azul concentra seus valores nos aspectos econômicos, ambientais, científicos e da soberania brasileira acerca da área marítima. Dentro do território da ZEE também temos a segurança para que possamos aproveitar os nossos recursos de minérios da melhor forma possível. Exemplo dos seus usos podem ser revelados através do grande uso que s forças bélicas do Brasil utilizam para a fabricação de suas armas e também para seus investimentos em tecnologia. Parte da Amazônia Azul tem exploração de forma consciente e limpa, visando atingir de forma positiva, responsável e inteligente o meio ambiente, extraindo os minérios necessários para a tecnologia do país e impulsionando novas formas de investigação e pesquisa. Neste sentido, é importante salientar a importância do Programa Nuclear Brasileiro para disseminação do conhecimento e investigação dos conhecimentos sobre a zona marítima, pois através dele é possível contribuir para grandes investimentos, entre eles: a construção de reatores submarinos à propulsão nuclear para a proteção da Amazônia e os programas para domínio dos ciclos de combustíveis e da planta nuclear de energia elétrica.

A Amazônia Azul se constitui como patrimônio fundamental do território brasileiro e é uma das maiores zonas de fornecimento de àgua do planeta, sendo ela a responsável por 20% da água doce de todo planeta, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA). Ademais, seu território se constitui como fonte de renda, de ciência e de comércio sustentável. Junto a este fator temos o desenvolvimento das matrizes nucleares brasileiras, entre elas as energias nucleares que fortificam a pátria enquanto território de conhecimento e ciência. Através da zona azul é possível fazer pesquisas acerca de fármacos que beneficiarão os cidadãos e também todas as crianças que se enxergam fazendo pesquisas algum dia em suas vidas. Sendo assim, é fundamental que o Ministério da Defesa, juntamente com a Marinha fortifiquem ainda mais as relações de defesa do patrimônio aquático e salientam para seus riquíssimos recursos.

Para tanto, se faz fundamental ainda mais investimentos financeiros na Marinha por parte do Governo da Federação, a fim de que se pesquise e estimule ainda mais a produção e comércio em torno da região azul. Além disso, tornar a região ainda mais conhecida pela grande população brasileira ajudaria a salientar os projetos e estudos feitos no local, os mesmos poderiam ser descritos através do Ministério da educação e Cultural (MEC) que também ajudaria na parcela de divulgação e difusão dos projetos e integração nacional em prol das águas, do comércio sustentável e pela ciência. Assim, poderíamos ter uma maior visão de futuro, investimento no presente e lembrança de que somos humanos e devemos preservar e utilizar de forma consciente nossos recursos ambientais, mesmo sendo eles de vasta extensão. Pois, como dizia o ativista ambiental e cacique indígena, Raoni Metuktire “respiramos todos um só ar, bebemos todos a mesma água, vivemos todos em uma só Terra. Nós devemos protegê-la”.



Frankenstein: A síntese de um monstro

29 de Agosto de 2019, por Paulo Ricardo da Silva Borges Batista

Ficha Técnica

Título: Frankenstein Autora: Mary Shelley Tradutor: Ruy Castro Editora: Companhia das Letras Ano de Publicação: 1994

Frankenstein é um daqueles livros que todo adolescente já leu e conhece de cabo a rabo. A história do monstro de Mary Shelley foi inicialmente contada em um desafio, entre ela, seu marido e o amigo dele. Tudo se passou em uma noite de inverno nos Alpes, o amigo de seu marido, o poeta Lord Byron sugeriu que cada um deles elaborassem uma história de terror e contassem. Mary elaborou uma narrativa com um monstro e um médico, o enredo foi tão bom que aos seus 21 anos o livro já estava publicado.

Quando se fala em Frankenstein o que vem na nossa cabeça é um monstro, que não tem qualquer sentimento pelas pessoas e mataria qualquer um sem dó. No entanto, ao ler a obra descobrimos que Frankenstein é antes o nome de seu criador, Victor Frankenstein, que é estudante de química, biologia, filosofia natural e anatomia. O estudante tinha grande admiração pelos cientistas de sua época e reverenciava o saber científico já consolidado. Sua obstinação em busca do saber é excepcionalmente marcada pela ambição da criação de algo ou alguém, uma busca pela própria essência da vida humana.

Neste sentido, ele trabalha para que consiga criar uma das primeiras criaturas únicas, uma criação que não venha à vida por formas naturais, mas que seja um fruto da ciência e das pesquisas de Victor. Seu trabalho e sua vida se tornam esse desejo, e sob ele o estudante irá trabalhar dia e noite. Nos relatos, é possível perceber que o criador invade laboratórios de faculdade para fazer experimentos, e até mesmo cemitérios, onde ele tem a oportunidade de aproveitar peças putrefatas de diferentes corpos humanos. Com isso, sua atividade se torna estranha e irreconhecível aos propósitos iniciais que não pareciam ir tão longe; ele, então, sente a necessidade de mover toda a sua experiência para um laboratório pessoal, onde terá a oportunidade de trabalhar sem ter qualquer problema ou interferência de terceiros. Suas buscas também invadem o campo do mundo animal, e até mesmo alguns destes são mortos para que Frankenstein consiga saciar seu sonho e substituir os componentes que o corpo do monstro necessite. Os membros, como braços e pernas são facilmente encontradas pelo cientista sempre que haja uma escassez, pois, seus títulos acadêmicos lhe possibilitam fácil acesso a diferentes locais.

O monstro ganha vida numa noite turbulenta, quando um raio atinge o laboratório pessoal de Frankenstein, e transforma seu sonho em uma realidade infernal. Ele (o monstro), não tem nome e Victor fica cada vez mais intrigado com a sua cobaia, afinal, os sentimentos são aflorados no monstro que começa a perseguir seu criador e querer para si uma parceira, já que ninguém o aceita, e sequer aguenta ficar perto de uma criatura que é cheia de retalhos humanos, e também carnes podres que ajudaram a constituir seu corpo. As brigas entre a criatura e o criador são constantes e no final da narrativa a morte de um também representa a morte do outro. Quando Frankenstein morre procurando vingar-se da criatura, ela também não vê mais motivo para sobreviver, pois seu objetivo era forçar o cientista a criar um ser semelhante a ele; para que enfim ele pudesse passar sua vida ao lado de alguém, que pudesse vê-lo com respeito e ao mesmo nível de igualdade.

Frankenstein como todas as obras de ficção se destaca pelo seu grau de conexão com elementos do cotidiano, em essencial, os sentimentos humanos e a nossa vontade de criar e descobrir novas formas de vida. O clássico, consolidado no tempo e na história inglesa pode ser facilmente encontrado em qualquer livraria do país, podendo ser lida sob diferentes perspectivas e observações. A leitura é valida não só pelo seu enredo envolvente e encantador, mas pela grandeza e simbologia de sua representação à época. Shelley, conquistou uma geração de fãs em diferentes países, nos fez refletir sobre os efeitos de nossas ações sobre os outros seres, e nesta obra, nos convida a visitar nossos mais profundos sentimentos, entre eles: a monstruosidade em nós.