Central é o nome popularmente dado ao principal restaurante da Universidade de São, no Butantã. Localizado no inicio do CRUSP (Conjunto Residencial da USP), o famoso local de refeição dos estudantes é composto por dois grandes espaços que são abertos de acordo com a necessidade de uso. O restaurante costuma abrir as 7:00 da manhã para que os estudantes possam tomar seu café, às 11:30 ele fica aberto para o almoço e 17:30 para o jantar. Para os Uspianos, o pagamento pode ser feito através de créditos colocados no próprio cartão de identificação e ser utilizado para pagar pelas refeições no detector. As refeições são muito baratas, custando R$ 0,50 (cinquenta centavos) o café e R$ 2,00 para o almoço e jantar. Aqui não se utiliza os termos jantar, almoçar e tomar café. Tudo é bandejar, pois o restaurante também é conhecido como Bandejão. Não se surpreenda com o uso da palavra para substituir por seus termos habituais (fora da USP).

A refeição funciona como nos self service, onde as pessoas têm a possibilidade de colocar sua própria refeição pela quantidade que quiserem, contudo, a carne é controlada, e existe a opção de ser servido pelos “tios(a)” (apelido carinhoso dado aos servidores), com arroz feijão e carne. Quanto ao suco, pãezinhos, molhos e guardanapos; estes podem ser escolhidos e utilizados pelo estudante de acordo com a necessidade enfrentada no momento da refeição. Também existe a opção de arroz integral e PVT (uma opção vegetariana, de soja).

O Central também é um dos restaurantes mais cheios da Universidade, as filas chegam a dobrar os blocos do CRUSP. A movimentação se intensifica ainda mais quando as refeições são: frango assado, lombo ao molho, estrogonofe de carne e sobremesas, que não sejam as habituais frutas (maçãs, bananas e mexericas). A formação de filas, quase sempre atrapalha até mesmo os moradores habituais, dado o intensificado tráfico de estudantes. Bicicletas reclamam da falta de infraestrutura e as plantas chegam a pedir silêncio pela gritaria de estudantes mais empolgados.

Por fim, os funcionários ajudam a manter organizado, calmo e alegrar o dia de alguns alunos, que não tem familiares na cidade. Quase toda manhã recebemos um “bom dia” acompanhado de um sorriso, e quem sabe um “como você está (tá)?”. Essas perguntas ajudam a criar um clima mais amigável e familiar, como se de fato, tivesse um parente esperando para tomarmos café e querendo saber como foi nosso dia (isso é bom, mesmo sendo superficial, é bom). Alguns alunos sempre esquecem seus cartões e atrapalham a dinâmica das filas, que sempre são de grupos maiores de estudantes falando sobre a vida, suas fantasias (fica ao seu critério classifica-las), os desafios do dia-a-dia e a próxima baladinha. Existe também um caderninho com uma urna no restaurante, onde podemos depositar nossos pedidos, reclamações e sugestões. Acredito que a urna me conhece muito bem. Os dias mais vazios são quando há ovo como opção, quase ninguém aparece lá, são poucos os corajosos que enfrentam comer ovo por um preço muito acessível. No final das refeições, depositamos nossos pratos e colheres em um espaço, onde há funcionários da cozinha; eles sempre estão trocando ideias e não é difícil você ficar no vácuo, ao dizer “obrigado”. Saímos por uma catraca giratório (tipo, aquelas de Chaves em Acapulco), lá fora (bem na porta mesmo), há livros, brigadeiros e sobremesas diversas para quem não ficou tão satisfeito com as oferecidas durante a refeição.