Ficha Técnica

Título: Frankenstein Autora: Mary Shelley Tradutor: Ruy Castro Editora: Companhia das Letras Ano de Publicação: 1994

Frankenstein é um daqueles livros que todo adolescente já leu e conhece de cabo a rabo. A história do monstro de Mary Shelley foi inicialmente contada em um desafio, entre ela, seu marido e o amigo dele. Tudo se passou em uma noite de inverno nos Alpes, o amigo de seu marido, o poeta Lord Byron sugeriu que cada um deles elaborassem uma história de terror e contassem. Mary elaborou uma narrativa com um monstro e um médico, o enredo foi tão bom que aos seus 21 anos o livro já estava publicado.

Quando se fala em Frankenstein o que vem na nossa cabeça é um monstro, que não tem qualquer sentimento pelas pessoas e mataria qualquer um sem dó. No entanto, ao ler a obra descobrimos que Frankenstein é antes o nome de seu criador, Victor Frankenstein, que é estudante de química, biologia, filosofia natural e anatomia. O estudante tinha grande admiração pelos cientistas de sua época e reverenciava o saber científico já consolidado. Sua obstinação em busca do saber é excepcionalmente marcada pela ambição da criação de algo ou alguém, uma busca pela própria essência da vida humana.

Neste sentido, ele trabalha para que consiga criar uma das primeiras criaturas únicas, uma criação que não venha à vida por formas naturais, mas que seja um fruto da ciência e das pesquisas de Victor. Seu trabalho e sua vida se tornam esse desejo, e sob ele o estudante irá trabalhar dia e noite. Nos relatos, é possível perceber que o criador invade laboratórios de faculdade para fazer experimentos, e até mesmo cemitérios, onde ele tem a oportunidade de aproveitar peças putrefatas de diferentes corpos humanos. Com isso, sua atividade se torna estranha e irreconhecível aos propósitos iniciais que não pareciam ir tão longe; ele, então, sente a necessidade de mover toda a sua experiência para um laboratório pessoal, onde terá a oportunidade de trabalhar sem ter qualquer problema ou interferência de terceiros. Suas buscas também invadem o campo do mundo animal, e até mesmo alguns destes são mortos para que Frankenstein consiga saciar seu sonho e substituir os componentes que o corpo do monstro necessite. Os membros, como braços e pernas são facilmente encontradas pelo cientista sempre que haja uma escassez, pois, seus títulos acadêmicos lhe possibilitam fácil acesso a diferentes locais.

O monstro ganha vida numa noite turbulenta, quando um raio atinge o laboratório pessoal de Frankenstein, e transforma seu sonho em uma realidade infernal. Ele (o monstro), não tem nome e Victor fica cada vez mais intrigado com a sua cobaia, afinal, os sentimentos são aflorados no monstro que começa a perseguir seu criador e querer para si uma parceira, já que ninguém o aceita, e sequer aguenta ficar perto de uma criatura que é cheia de retalhos humanos, e também carnes podres que ajudaram a constituir seu corpo. As brigas entre a criatura e o criador são constantes e no final da narrativa a morte de um também representa a morte do outro. Quando Frankenstein morre procurando vingar-se da criatura, ela também não vê mais motivo para sobreviver, pois seu objetivo era forçar o cientista a criar um ser semelhante a ele; para que enfim ele pudesse passar sua vida ao lado de alguém, que pudesse vê-lo com respeito e ao mesmo nível de igualdade.

Frankenstein como todas as obras de ficção se destaca pelo seu grau de conexão com elementos do cotidiano, em essencial, os sentimentos humanos e a nossa vontade de criar e descobrir novas formas de vida. O clássico, consolidado no tempo e na história inglesa pode ser facilmente encontrado em qualquer livraria do país, podendo ser lida sob diferentes perspectivas e observações. A leitura é valida não só pelo seu enredo envolvente e encantador, mas pela grandeza e simbologia de sua representação à época. Shelley, conquistou uma geração de fãs em diferentes países, nos fez refletir sobre os efeitos de nossas ações sobre os outros seres, e nesta obra, nos convida a visitar nossos mais profundos sentimentos, entre eles: a monstruosidade em nós.