Ficha Técnica

Título: João Gonçalves: Forte e Poderoso Gênero: Documentário País de origem: Brasil Ano: (?) Diretor: Toni Venturi Duração: 26 min

João Gonçalves Filho foi um nadador e jogador de polo-aquático brasileiro. Ele nasceu em Rio Claro (SP) em 07 de dezembro de 1934 e morreu em 27 de julho de 2010. Participou de diversas competições esportivas, entre elas os Jogos Olímpicos de 1952 e 1956, ambas edições como nadador; e também atuou em 1960, 1964 e 1968 como jogador de polo aquático. João também atuou como técnico da seleção de judô do Brasil nos Jogos de Barcelona em 1992.

Para o documentário do esportista diversos parentes próximos a ele são convidados para homenagear a pessoa que ele foi e contar detalhes da sua vida que são pouco conhecidos. A trajetória dele é narrada pelos irmãos e diversas fotografias pessoais são apresentadas, a fim de autenticar ainda mais a história contada. O narrador do filme ressalta principalmente o lado do esportista que o aproxima das pessoas comuns e revela que Gonçalves tinha uma vida muito simples e teve de trabalhar muito quando jovem. Ademais, seu irmão, Nivaldo Gonçalves, conta que desde pequenos eles iam para um rio (chamado de curvinha), onde eles podiam nadar. Sua irmã Antonieta Gonçalves confirma a história com uma risada tímida e eles dizem que até saltavam o muro da escola porque lá tinha uma piscina. O Horto Florestal de Rio Claro foi o principal local de aprendizado de todas as práticas esportivas.

Quando pequeno recebeu o apelido de “peixinho”, claramente identificado pelo seu amor pelos esportes aquáticos. Manoel do Santos relata que quando via o colega de profissão nadar percebia que ele não estava competindo com os outros nadadores e sim com ele próprio. Farid Zablith e Wilma Gonçalves complementam o documentário dando detalhes exclusivos da vida de atleta de João, e ressaltando que ele tinha grandes habilidades como nadador e era um homem muito bonito e assediado. Wilma conta que jamais deixaria um homem daqueles só e por isso se casou com ele.

Os participantes do documentário são todos atletas, ex-atletas e familiares do nadador. Um dos aspectos importantes a ser contado é que ele havia feito um curso de Jiu-Jitsu por cartas e levou essa modalidade esportiva para o interior de SP, onde podia mostrar aos seus amigos e incentivar homens a apostarem e ganhar dinheiro com isso.

O documentário se divide em algumas partes. Sendo a primeira a apresentação de João, a segunda relata o João – Aquapolista, onde é apresentado o lado dele futebolista nas piscinas, com muitas odes e elogios por parte de seus parentes e conhecidos. A terceira parte mostra Gonçalves no Judô, e os treinadores ressaltam que ele já tinha uma certa idade, no entanto era alguém muito forte e bem preparado fisicamente.

Por fim, é importante ressaltar que todas as imagens apresentadas no filme são belíssimas e até mesmo as reproduções são muito bem elaboradas. Recortes de jornais e os esportes praticados são colocados como plano de fundo para a fala dos parentes e ajudam a dar veracidade aos depoimentos prestados. Outrora, os grandes elogios por parte dos amigos e parentes e os relatos que contam de superação do atleta acabam por deixar o filme algo muito meloso e extremamente chato e cansativo. Pois, em alguns momentos parece que João sequer era humano e sim um deus. Os relatos parecem querer colocar o atleta em um pedestal, que não existe. Entretanto, se o documentário tivesse focado em uma parte mais biográfica do autor, revelando as nuances e contradições dele, talvez teríamos paciência e vontade para pesquisar e acreditar na história de um grande atleta e alguém que também tem aprendizados através de suas perdas e fracassos, no entanto o que nos resta no documentário de João é um lugar comum, falas bestiais e simplórias que não são e nunca colocarão esse atleta em um nenhum pódio. Também ressalto as falas que João tem em alguns momentos do filme, entre elas um grito de guerra: “EU SOU FORTE E PODEROSO”, repetido inúmeras vezes por um de seus alunos, e no final do filme ele fala que somente os melhores irão para a Olimpíada. Todas essas falas são ditas com um sorriso no rosto e um certo ufanismo.