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Bandejão Central

28 de Agosto de 2019, por Paulo Ricardo da Silva Borges Batista

Central é o nome popularmente dado ao principal restaurante da Universidade de São, no Butantã. Localizado no inicio do CRUSP (Conjunto Residencial da USP), o famoso local de refeição dos estudantes é composto por dois grandes espaços que são abertos de acordo com a necessidade de uso. O restaurante costuma abrir as 7:00 da manhã para que os estudantes possam tomar seu café, às 11:30 ele fica aberto para o almoço e 17:30 para o jantar. Para os Uspianos, o pagamento pode ser feito através de créditos colocados no próprio cartão de identificação e ser utilizado para pagar pelas refeições no detector. As refeições são muito baratas, custando R$ 0,50 (cinquenta centavos) o café e R$ 2,00 para o almoço e jantar. Aqui não se utiliza os termos jantar, almoçar e tomar café. Tudo é bandejar, pois o restaurante também é conhecido como Bandejão. Não se surpreenda com o uso da palavra para substituir por seus termos habituais (fora da USP).

A refeição funciona como nos self service, onde as pessoas têm a possibilidade de colocar sua própria refeição pela quantidade que quiserem, contudo, a carne é controlada, e existe a opção de ser servido pelos “tios(a)” (apelido carinhoso dado aos servidores), com arroz feijão e carne. Quanto ao suco, pãezinhos, molhos e guardanapos; estes podem ser escolhidos e utilizados pelo estudante de acordo com a necessidade enfrentada no momento da refeição. Também existe a opção de arroz integral e PVT (uma opção vegetariana, de soja).

O Central também é um dos restaurantes mais cheios da Universidade, as filas chegam a dobrar os blocos do CRUSP. A movimentação se intensifica ainda mais quando as refeições são: frango assado, lombo ao molho, estrogonofe de carne e sobremesas, que não sejam as habituais frutas (maçãs, bananas e mexericas). A formação de filas, quase sempre atrapalha até mesmo os moradores habituais, dado o intensificado tráfico de estudantes. Bicicletas reclamam da falta de infraestrutura e as plantas chegam a pedir silêncio pela gritaria de estudantes mais empolgados.

Por fim, os funcionários ajudam a manter organizado, calmo e alegrar o dia de alguns alunos, que não tem familiares na cidade. Quase toda manhã recebemos um “bom dia” acompanhado de um sorriso, e quem sabe um “como você está (tá)?”. Essas perguntas ajudam a criar um clima mais amigável e familiar, como se de fato, tivesse um parente esperando para tomarmos café e querendo saber como foi nosso dia (isso é bom, mesmo sendo superficial, é bom). Alguns alunos sempre esquecem seus cartões e atrapalham a dinâmica das filas, que sempre são de grupos maiores de estudantes falando sobre a vida, suas fantasias (fica ao seu critério classifica-las), os desafios do dia-a-dia e a próxima baladinha. Existe também um caderninho com uma urna no restaurante, onde podemos depositar nossos pedidos, reclamações e sugestões. Acredito que a urna me conhece muito bem. Os dias mais vazios são quando há ovo como opção, quase ninguém aparece lá, são poucos os corajosos que enfrentam comer ovo por um preço muito acessível. No final das refeições, depositamos nossos pratos e colheres em um espaço, onde há funcionários da cozinha; eles sempre estão trocando ideias e não é difícil você ficar no vácuo, ao dizer “obrigado”. Saímos por uma catraca giratório (tipo, aquelas de Chaves em Acapulco), lá fora (bem na porta mesmo), há livros, brigadeiros e sobremesas diversas para quem não ficou tão satisfeito com as oferecidas durante a refeição.



A e B: Escritores!

16 de Agosto de 2019, por Paulo Ricardo da Silva Borges Batista

Passavam das 22:30, as janelas da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) estavam suando de frio, lá fora a lua acompanhava as árvores balançando, e tudo de tão escuro parecia valsa. A porta da sala se abria e nem o prego mais bem parafusado hesitava ranger e atrapalhar o raciocínio dos estudantes; a cada ida ao banheiro, os graduandos eram sugados para um saguão silencioso, onde já não se ouvia mais a voz veluda do mestre apoiado em uma cadeira e com seu livro na mão. A verdade é que nada era verdade, e que nem tudo era mentira, Letras tem dessas coisas, de fazer a gente pensar o impensável, imaginar o inimaginável e quando nos damos conta estamos como os personagens de um livro: paranoicos!

O tema da aula era “Interpretação, hermenêutica da desconfiança e paranoia”. Bolaño nos brindava com sua Aventura Literária (Uma Aventura Literária, do livro Chamadas Telefônicas), onde A e B são personagens quase que irmãos, quase que gémeos e também não. Sim, esse curso não é fácil, eu bem sei disso. Não bastasse a leitura, há também esse negócio de interpretação, que segundo o professor é sempre iniciado com a máxima exitosa de um estudante, que diz: “Não sei se estou viajando muito, mas será que…”. Ao ouvir esta frase me senti muito representado, pois mediante àqueles que detém mais conhecimento de vida, mundo e inteligência; o mais fácil seria iniciar com uma afirmação que traz em seu início um ato de humildade, quase que dizendo que não sabemos, mas buscando um rocha mais forte e alguém com propriedade intelectual que valide nossa fala rápida, trêmula e incerta.

A incerteza é mãe de muitos filhos órfãos; esses filhos se tornam céticos, inseguros, quiçá loucos, será que somos loucos? Ou tudo é uma paranoia? Será que B quando imagina que A tenha lido seu texto, e pressupõe diversas versões para aquietar-se de seus próprios demônios também estava louco? A obra de ambos estava equipada em bons valores e compartilhava da mesma máxima da escrita, esse ato de tamanha exposição. Contudo, B era um escrito sem leitores, escrevia e não era lido, já pensou o tamanho da frustração desse cara. A, era pomposo, tinha muitos leitores, seus textos vendiam como água e aos olhos da crítica ele era bem visto, bem falado e quisto por todos. B, passava seu dia no oficio de escriba, um ato involuntário, mas falho, pois não havendo dinheiro que lhe retribuísse sua arte, por que fazê-la. Não havendo leitores para lê-lo, por que escrever. A resposta não é simples, ela é complexa, e se você esperava que eu lhe respondesse, talvez precise perguntar ao próprio autor e seus anseios, pois eu não sou capaz de fazê-lo.

Sendo assim, B recebe um dia em sua humilde residência uma noticia de A, uma crítica deleitosa a seu tão árduo último livro publicado. O escritor fica atônito, feliz. Outrora, sua obra tratará de caçoar de A, um puritano! Criticava os devaneios de um homem que mais parecia ser seu próprio espelho, mas era ainda mais bonito, mais lustrado e fazia muito mais sucesso. Quais seriam as reais intenções de A ao fazer isso em tom tão melodioso, por que não o desprezara ou mesmo atacara o texto, será que não entendera a ironia que ele praticara, essas eram as questões que passavam pelo pensamento de nosso colega B.

Ele se vê motivado a continuar, e seu próximo texto é ainda mais elaborado e tem o mesmo efeito sob A; ele volta a elogiar seu ilustre colega desconhecido, B. A fúria, a desesperança e ilusão que o autor consagrado coloca sob o seu primo pobre é mais que um fardo, mas uma penitência rumo a perfeição inexistente, rumo ao caminho sem volta, o caminho da loucura e da alucinação. B, começa a telefonar à A querendo saber sobre suas resenhas e não consegue contatá-lo; certo dia, ele consegue um telefonema, e começa a imaginar pessoas falando no fundo, mas não sabia do que se tratava o assunto e qual seria o encaminhamento da conversa. Uma voz feminina chama seu nome e ambos começam um diálogo bastante amistoso, B é convidado a encontrar seu colega, e não hesita em dizer SIM, SIM, SIM. Ele consegue o feito, e faz mais e mais ligações, corta o cabelo, se arruma e vai ao encontro do desconhecido, buscando respostas, existentes ou não. Chegando lá, ele fala com a mulher ao interfone, ela o convida a subir; era o ápice, a glória e a queda também. B avista A e ele brevemente se decepciona, mas se recompõe, calcula as palavras para iniciar um diálogo, minimante interessante e proveitoso para ambos. Essa é a história e dela depreendemos aquilo que imaginamos sob perspectivas diversas, sob a recepção da obra, sob as intenções, sob as paranoias e nós mesmos.

O professor continua em pé, uma última pergunta – diz ele. Alguém é corajoso o suficiente para fazê-lo e entre bolsas coloridas levantando para enfrentar o saguão temos ideias, ideias e mais ideias. Era o fim de uma aula ou começo de um texto, ninguém sabe! Fomos pra casa, e certamente com mais dúvidas, e sem respostas. Eram muitas as possibilidades, tantas, tão infinitas que nem o resumo mais bem feito daria conta de sintetizar tanto conhecimento. Nem a caneta Bic, cor azul de um aluno sentado na primeira fileira teve capacidade de contar aqueles fatos. Não! aquilo sim foi uma aula, e como tal, só pode ser lembrada nas ideias, rememorada pelos alunos e comentada nos encontros extraclasse. Se um papel comum tivesse capacidade de ter sobre seu corpo tatuado toda aquela aula, ela seria só mais uma aula, e como tal, cairia no esquecimento, sujeita a rasuras, corretivos e o próprio descarte.



Por que fazer faculdade?

16 de Agosto de 2019, por Paulo Ricardo da Silva Borges Batista

Quando estamos no Ensino Médio nos perguntamos muito se seria legal fazer um curso superior, muitas vezes nem é o que desejamos, mas aquilo que nossa família e nossos parentes mais próximos anseiam para nós. Lá pro 3º ano, já estamos fartos de todo mundo falar de ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), e de nossos colegas que tem a certeza de quem querem ser médicos ou advogados. Não bastasse a pressão que temos na escola; começamos a ouvir nos debates de família e na convivência do dia-a-dia que está na hora de procurarmos algo para fazer, seja uma ocupação que nos renda dinheiro fácil e rápido ou mesmo uma faculdade boa que pudesse retornar o valor aplicado por nossos pais.

Para alguns, a frase: “E aí, você quer fazer o que?”, é facilmente respondida com o curso, a faculdade (pública ou privada) e mesmo a cidade que o estudante pretende fazer o curso, caso seja escasso. Para outros, essa pergunta não tem nenhuma resposta, e talvez, não precisemos tê-la na ponta da língua, mas precisamos entender que a faculdade, nos dias de hoje não é nada mais que uma extensão daquilo que vemos em nossa escola, se ela não representa a ascensão financeira rápida, ao mesmo representará um desejo de auto realização e busca por aquilo que somos ou pretendemos ser. No quesito de escolha do curso escolhido, se faz importante pensar naquilo que você mais gosta de fazer, o porquê fazer e se você teria disposição para sempre estar contente e feliz com isso. Talvez sua resposta não fique clara de cara, então seria bom buscar ajuda com os testes de compatibilidade, fazendo perguntas a familiares e amigos sobre aquilo que você faz de melhor e assim clareando seu caminho em busca de um curso. Além disso, se houver dinheiro sobrando, vale a pena ir a um psicólogo relacionado a questões de perfil e solicitar ajuda para a escolha do curso.

Resolvida esta etapa, os próximos passos irão definir a instituição de ensino que você busca estudar, alguns buscam a instituição pelo nome, outros por mero prestigio social e empregabilidade, mas o ideal é que você vá para aquela que lhe ajude a crescer como ser humano e te torne ainda melhor quando você sair. É importante lembrar que o nome de sua faculdade e o respeito frente a sociedade brasileira, lhe ajudará para melhor inserção no mercado, porém se você está numa faculdade que odeia e não acredita no seu potencial é bom reavaliar suas escolhas. Leve em consideração que ela será seu principal local de ensino, e a provedora de um profissional único e plenamente habilitado para exercer suas funções quando concluir a graduação. Por fim, ainda que você tenha escolhido o melhor curso (na sua opinião), e a melhor instituição (a seus critérios), as escolhas terão sido em vão caso seu foco e sua determinação para com seus estudos não estejam centradas em você mesmo e nos seus objetivos de vida. Sem priorizá-los você estará jogando tempo, dinheiro e suas esperanças no lixo, pois uma prova que você consiga tirar dez não será suficiente para suprir suas lacunas de conhecimento; antes ela servirá como um teste comum, mas não será capaz de repassar a você aquilo que você não aprendeu (e nem se esforçou para tal).