Inclinação Política e Religiosidade


Por: Jocax, 19/04/2011

 

 

Resumo: Uma observação estatística rápida e poderemos verificar que pessoas que pendem para a direita política tendem a ser mais religiosas do que as que pendem para a esquerda. Este ensaio pretende fornecer uma possível relação causal desta aparente correlação.

 

A religião é um dos fenômenos culturais mais antigos que existe. Acredita-se que a religiosidade pode ter influenciado a seleção natural, via pressão seletiva [8], de modo que genes e religião co-evoluíssem na historia humana. Por esta razão fala-se também em “genes da religiosidade” [1] [2] [3] [4]:

 

Até 25 anos atrás, os cientistas diziam que o comportamento religioso era produto da socialização ou da criação da pessoa. Mas estudos recentes, incluindo este, realizado com gêmeos adultos que foram criados separadamente, sugerem que os genes contribuem em cerca de 40% na religiosidade de uma pessoa.” [3]

 

A religiosidade e os genes podem contribuir favoravelmente para uma co-evolução próspera de varias maneiras:

 

1-Cultos e Cerimoniais

Cultos religiosos tendem a unir as pessoas. Pessoas que, por exemplo, não gostavam de tais cultos e, portanto, não participavam deles poderiam ser consideradas anti-sociais, serem menos conhecidas, e terem sua capacidade de conhecer e conquistar parceiros sexuais, diminuída em relação às pessoas mais participativas de tais cultos.

Observamos assim um forte fator de pressão seletiva para que indivíduos gostassem e participassem de cultos e cerimônias religiosas: Uma maneira de encontrar parceiros para a reprodução.

 

 

2-Crentes tem mais filhos

 

A religião, atualmente, também favorece a natalidade:

“...Rowthorn citou o World Values Survey, que abrange 82 nações de 1981 a 2004, que
descobriu que as pessoas que frequentavam os cultos religiosos mais de uma vez
por semana tinham uma média de 2,5 filhos. Os adultos que frequentaram o culto
uma vez por mês tinham dois, e aqueles que nunca frequentavam tinha 1,67 filhos
em média
....” [6]

 

3-A União faz a Força

 

O homem sempre foi muito beligerante, conflitos e guerras tribais existem desde mesmo antes do homem moderno existir. As tribos vencidas e dominadas costumavam virar escravas ou mesmo serem canibalizadas:

 

“...Algumas tribos eram canibais como, por exemplo, os tupinambás que habitavam o litoral da região sudeste do Brasil. A antropofagia era praticada, pois acreditavam que ao comerem carne humana do inimigo estariam incorporando a sabedoria, valentia e conhecimentos...” [5]

 

Desta forma, existiu -e existe- uma pressão seletiva para que a união das tribos (ou povos) em época de conflito ou guerra gere uma maior probabilidade de vitória e, portanto também de sobrevivência. Neste caso, a religiosidade pode ser um fator muito importante para a união destes povos em momentos em que a dispersão ou desunião poderiam significar a morte. E o potencial da união só surte efeito se houver uma ordem, e esta ordem precisa ser dada por um líder, por uma hierarquia. 

 

4- Hierarquias

 

Mesmo em tempos de paz, uma sociedade organizada e ordeira pode ser mais próspera que uma desorganizada e sem liderança. De forma que existe e existiu uma pressão seletiva para que o povo seguisse uma liderança, para que houvesse respeito a uma hierarquia estabelecida.

 

Quando perguntado sobre as razões da Fé, o eminente E. Wilson respondeu :

 

Em primeiro lugar, precisamos concordar que não há nenhuma evidência da existência de uma vida transcendental. Já os estudos sobre o comportamento humano indicam que nossa inclinação para a religião pode ter evoluído do comportamento de submissão animal. Explico: em bandos de macacos rhesus, por exemplo, o macho dominante do grupo caminha firmemente com a cauda e a cabeça erguidas, enquanto os macacos dominados mantêm a cabeça e a cauda baixa, em sinal de respeito ao líder do bando. Estar subordinado a um líder dá a esses animais mais proteção contra os inimigos e garante a eles maior acesso aos alimentos e ao abrigo. Qualquer cientista comportamental que viesse de outro planeta estudar o homem perceberia facilmente a semelhança entre esse comportamento de submissão e a tendência humana de se submeter a um Deus.” [1]

 

 

Inclinação Política

 

As palavras de Wilson são a chave para entendermos a provável ligação da religiosidade e inclinação política: A propensão genética para seguirmos líderes!

 

Em todos os traços psicológicos ligados aos genes, existe uma variabilidade no grau em que um traço se manifesta. Dessa forma, uma alta propensão de seguir uma liderança, de gostar de uma hierarquia social e respeitá-la, poderia estar ligada a esta variabilidade genética. Podemos concluir que quanto maior a propensão em seguir uma liderança e respeitar uma hierarquia, maior a probabilidade em seguir uma religião, que possui em Deus seu líder máximo.

 

A Direita política é caracterizada por uma rígida liderança, pois os donos de empresas e dos grandes oligopólios, (que, em geral, forma os líderes dos partidos de direita), por exemplo, são os senhores absolutos de suas organizações com poderes totais para contratar e demitir, sem necessidade de uma razão social, lógica ou mesmo racional. Da mesma forma querem que o “mercado” seja “livre” isto é, que impere a “lei do mais forte”, rejeitando qualquer controle estatal que visaria o bem social e não o lucro das grandes empresas ou a vontade das forças que o controlam. Quem possui uma tendência maior à religiosidade teria também uma tendência a acreditar e a aceitar pessoas poderosas para liderar, não apenas as suas empresas e negócios, mas para dirigir o povo de sua região ou nação. Pois, talvez acreditem que sejam lideres natos, talhados para governar, pessoas tão necessárias a uma ordem social.

 

Por outro lado, a Esquerda política é caracterizada pelo desejo de um controle estatal (social), onde a ordem deve ser dada por leis, e não necessariamente por pessoas. E que o controle social deve estar ligado à própria sociedade e não ao particular caráter da liderança do momento.

 

Desta forma os esquerdistas estão menos ligados a uma hierarquia pessoal, crêem menos em uma liderança pessoal e, pelas mesmas razões genéticas, estariam menos propensos a aceitar uma liderança religiosa tendo Deus como seu líder absoluto.

 

 

 

Referências

 

[1] Religião ligada aos genes?

http://www.genismo.com/psicologiatexto7.htm

 

[2] A Fé está nos Genes?

http://groups.yahoo.com/group/Genismo/message/1939

 

[3] Genes contribuem com inclinação religiosa.

http://groups.yahoo.com/group/Genismo/message/3721

 

[4] Religião? A culpa é dos genes!

http://groups.yahoo.com/group/Genismo/message/4642

 

[5] Índios do Brasil
http://www.suapesquisa.com/indios/

 

 

[6] Crentes tem mais filhos que não crentes
http://groups.yahoo.com/group/Genismo/message/7736

 

[8] Pressão Seletiva

http://www.genismo.com/geneticatexto23.htm