Criança Esperança. Desde 1986, o projeto já apoiou cerca de 5 mil projetos sociais, proporcionou atendimento a mais de 32 mil crianças, ao longo de todos os anos foram R$ 161 milhões em arrecadações, 3 milhões e 700 mil crianças beneficiadas. Esses dados são exibidos em destaque no site do projeto. São números realmente dignos de orgulho por parte da emissora. Mas o que move uma ação como esta, é realmente a preocupação com o ser humano?

Existe por trás do lindo espetáculo de Didi Mocó, e os astros globais, uma realidade um tanto quanto decepcionante para você doador! A jogada genial da Rede Globo, é uma sacada de Marketing que passa despercebida, iludida meio aos fantásticos números, as estonteantes atrizes e os charmosos atores, que apresentam seus sorrisos e ajudam a manipulação da massa. Essa estratégia é baseada nas oportunidades do macroambiente de marketing, mais especificamente no Marketing Engajado Socialmente. Nancy Arnott destaca em seu livro: “… os analistas temem o fato de o marketing engajado socialmente ser uma estratégia mais para vender do que para doar, ou seja, na verdade marketing explorador. Assim, as empresas que o utilizam estão na tênue linha entre obter vendas maiores e boa imagem ou acusações de exploração”.

O projeto Criança Esperança é muito bem sucedido, não só pelo fato de contribuir para a sociedade, como ainda contribuir para a imagem social da Rede Globo. Tanto que a cada ano os megashows são mais produzidos, as arrecadações constituem recordes, e o Didi é mais feliz. Mas, destaco novamente, infelizmente os incentivos que fazem os olhos do Trapalhão brilhar, não são os rostinhos felizes da molecada, e sim os benefícios financeiros para a Globo.

A Receita Federal concede abatimento no imposto de renda da emissora por projetos de ação social. Ou seja, as arrecadações do Criança Esperança são convertidos em descontos no IR da Rede Globo. Na revista Caros Amigos deste mês, Hamilton Octaviano destaca: “Há anos a Rede Globo explora a economia popular utilizando poder da comunicação e a influência dos artistas sobre as pessoas. No Big Brother, a emissora fatura estimulando a participação telefônica, e no Criança Esperança ganha uma fortuna na dedução do imposto de renda com o montante entregue ao Unicef. O dinheiro arrecadado é tirado de cada cidadão, mas o abatimento é da Globo. Não é um caso típico de estelionato?”

Estelionato segundo o Aurélio: “Ato de obter, para si ou para outrem, vantagem patrimonial ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo em erro alguém.” Pesquisas na internet demonstram um abatimento na casa de R$ 20 milhões. Ou seja, basicamente quem contribui com o Criança Esperança, contribui sim com as crianças carentes, mas conseqüentemente acaba pagando o IR da Rede Globo.

A legislação brasileira deixa brechas para manobras dessa natureza. A emissora apenas utiliza-se das ferramentas e da genialidade de seus diretores. Explora sem piedade a imagem da pobreza brasileira do alto de seus blindados. Objetando o que toda a pequena fatia rica faz com a massa carente, transformar a miséria em uma indústria rentável. E eles são extremamente competentes nisso.