Uma teoria hipotética de simulação pode partir dos conceitos de sincronia e diacronia. A sincronia corresponde a cada determinado "estado do mundo" e a diacronia corresponde à função sucessora de um certo "estado do mundo" para o "estado do mundo" imediatamente posterior.

Isto, é claro, quanto a simulações determinísticas. Uma simulação não-sequencial (estou pensando aqui especialmente numa simulação do tipo Monte Carlo) manteria a relação sincronia/"estado do mundo", mas e quanto à diacronia?

Obviamente que as funções geradoras de estados não-sucessivos não podem ser relacionadas com um conceito de diacronia de maneira razoavelmente similar (isto é, análoga) à maneira com que relacionamos a diacronia com as funções sucessoras das simulações determinísticas.

 Creio que a diacronia pode ser relacionada com as funções que selecionam estados possíveis e descartam estados impossíveis, na simulação montecarlina. Para afirmar que isto é análogo à relação diacronia/função sucessora, é necessário abstrair da implementação (afinal, no caso das simulações determinísticas tratam-se de funções sucessoras, enquanto que nas simulações montecarlinas tratam-se de funções comparativas).

 Enfim, os "estados do mundo" são sincrônicos pois correspondem a uma disposição estática de elementos, a um conjunto ordenado de elementos, a um 'espaço'.

 Enfim, a diferença entre cada "estado do mundo" é diacrônica pois corresponde a mudanças dos elementos sincronicamente enumerados, a movimento interno ao conjunto, a um 'tempo'.

 E portanto os conceitos de sincronia (espaço) e diacronia (tempo) permitem definir um esquema teórico para a simulação, desde que essa simulação seja uma simulação espaço-temporal.

 Um tipo de simulação que não é espaço-temporal é, por exemplo, a simulação linguística. Outro exemplo é a simulação psíquica. Nesses casos, e em casos simliares, a simulação espaço-temporal pode ser no máximo uma auxiliar: por exemplo, pode-se simular espaço-temporalmente o corpo que pensa ou fala, mas não a própria ação de pensar ou falar, pois estas ações são computacionalmente intratáveis espaço-temporalmente. Em outras palavras, simular o pensamento ou a língua "átomo por átomo" exigira computadores muito mais rápidos do que os computadores que nós, hoje, pensamos que será possível construir no futuro. Portanto, para fazer simulações desse tipo (que eu denomino "simulações semânticas"), hoje, devemos nos ater a abstrações, como por exemplo a psicanálise e a linguística.

 Concluindo, nem toda simulação é simulação "concreta" ou espaço-temporal, mas as que o são podem ser conceituadas como sincronias diacronicamente encadeadas.