Autônomos FC

22 de Julho de 2010, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

O Autônomos FC é um time paulistano de futebol de várzea formado em 2006 por amigos que tinham em comum ideais libertários.

Conheci esse time pela revista esportiva Invictus, em uma reportagem que mostrava o time como uma autogestão, premissa não muito comum no futebol atual, tanto profissional quanto no amador. Aquela reportagem me chamou a atenção, até porque os integrantes do time tinham uma banda com um som que me agradava. Para mim era inusitado pessoas que gostavam de futebol, punk rock e com ideais libertários unirem todos esses ingredientes em um mesmo caldo, e me pareceu fantástica a concretização dessa proposta.

Tempos depois, acompanhando o blog Passa Palavra, ouvi falar novamente do Autônomos. Dessa vez, eles promoviam eventos em São Paulo com a participação de um time de futebol amador vindo de Bristol, Inglaterra, chamado Easton Cowboys & Cowgirls. O pessoal do Easton saiu do berço do futebol para conhecer de perto o time brasileiro que, assim como eles, levantavam bandeiras libertárias em seus jogos e atividades.

Na época, eu estava particularmente interessado em participar de um time de várzea qualquer, não apenas para jogar mais futebol, mas também para jogar futebol fora da universidade, buscando conhecer pessoas e ideias diferentes daquelas com que eu convivia até então.

A possibilidade de conhecer o Autônomos veio a calhar. Para completar, no blog há o seguinte convite: "se você sabe jogar e curte a idéia de um time autogestionado, se auto-convoque enviando um email". Não pensei duas vezes: procurei descobrir quando e onde seria o próximo jogo e fui conhecê-los. Na ocasião, já portando chuteira, caneleira e todo material necessário para entrar em campo, participei dos 15 minutos finais de uma partida contra o SPAC, em seu campo na zona sul. Desde então, tenho feito parte do plantel do Autônomos. Todo sábado e quase toda terça-feira me reúno aos outros jogadores em sua sede, o glorioso Bicudão, ou em outros campos da Grande São Paulo, em um ritual que mantém acesa a chama do futebol do povo e contra o futebol moderno - bandeira que o time não cansa de hastear. Devo dizer aqui que agradeço muito a todos do time por terem me aceitado e me acolhido, mesmo tendo eu chegado como penetra, sem convite algum.

Auto na Europa

Em agosto haverá um campeonato de futebol amador na Inglaterra, oYorkshire’s Alternative Word Cup 2010. O Easton Cowboys convidou o Autônomos para participar desse campeonato. É duro de acreditar, mas no dia 30 de julho, formando um grupo de 26 pessoas, embarcaremos para Bristol; lá seremos recebidos pelo Easton, com quem iremos à cidade de York no dia 6 de agosto para participar da Copa do Mundo Alternativa com outros times europeus de futebol amador.

Viajar para outro país para jogar futebol pelo Autônomos exige não apenas uma festa para comemorar essa oportunidade, mas também uma arrecadação para cobrir gastos com os quais teremos de lidar (apesar da ajuda dos ingleses). É com esse mote que haverá uma festa no sábado, 24/julho, no Espaço Impróprio, com shows de bandas convidadas e outras formadas por jogadores do Autônomos, além de outras atrações - sorteios de camisas do time, inauguração da sala de troféus e exibição de vídeos do Autônomos.

É uma oportunidade ímpar para conhecer o Autônomos, seus jogadores e confraternizar com todos, aproveitando esse inefável momento - talvez o mais importante da história do time de várzea autogestionado mais querido de São Paulo. Para mim, pelo menos, é o mais querido.

Para mais informações sobre o Autônomos FC, acesse autonomosfc.com.br. Há também um breve documentário de 2009 sobre o time, feito em um sábado em um jogo no campo do Vila Paulina. Para assisti-lo, basta clicar no vídeo abaixo.

http://vimeo.com/4132338

{{video:http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=4132338&server=vimeo.com&show_title=1&show_byline=1&show_portrait=0&color=&fullscreen=1@@400x220}}



A seriedade da pesquisa em Astrologia

4 de Junho de 2010, por Desconhecido - 1Um comentário

A Folha.com publicou uma reportagem sobre um departamento da Universidade de Brasília que dá o que falar no meio acadêmico: é o Núcleo de Estudos de Fenômenos Paranormais, que tem como objetos de estudo ufologia, astrologia e conscienciologia. Alguns acreditam que há problemas em financiar com verbas públicas um grupo de estudos como esse, pois o dinheiro para ciência não deve ser dividido com esse tipo de conhecimento. É raro encontrar algo dentro dos limites da universalidade da cultura humana que possa ser mais arrogante do que esse tipo de pensamento sectário e preconceituoso.

Há uma expectativa sobre a ciência atual, respaldada tanto por uma mentalidade cientificista quanto por uma suposta necessidade desenvolvimentista, que dá ao conhecimento científico status de verdade ontológica. Tal expectativa só se concretiza no contexto no qual nossa civilização se insere temporal e espacialmente. Tudo bem que a universidade foi pensada sobre ideais iluministas, racionalistas, positivistas e todo o mais – o que sustenta nossa crença cega em uma causalidade cartesiana, mas daí para dizer que a universidade não pode financiar astrologia é preciso um salto considerável.

Astrologia e ufologia, assim como as ciências, são formas de se representar o mundo. Expressam visões de mundo, nada além disso.  Pesquisas sobre esse tipo de conhecimento podem não ser interessantes para um cientista ordinário, ainda assim não são menos razoáveis para algumas pessoas, como aquelas com quem convivemos em nosso dia-a-dia. Essa justificativa deveria ser suficiente para aceitarmos a produção de conhecimento (não-científico) nesses campos de estudo. No entanto, o status de verdade das ciências parece ser inabalável e intocável.

Tanto astrologia quanto as ciências são embasadas em hipóteses. Embora algumas hipóteses sejam mais fortes do que outras, isso ainda não faz das ciências representações que excluam a validade das não-ciências em um certo domínio de vivência. O método científico é só uma hipótese, por mais sofisticada e eficiente que o seja. A Física explica muita coisa e por isso é genial. Experiência e observação são sim muito úteis e funcionam muito bem para o desenvolvimento do conhecimento científico. Mas não são verdades em si. Por mais fantásticos e fascinantes que sejam seus resultados, ainda são apenas hipóteses fortes.

A rigor, não faz sentido financiar uma ciência que estude o universo distante – do tipo a astronômica – só porque as teorias físicas funcionam aqui no nosso mundo. Ou não é questão de fé o fato de as leis físicas serem as mesmas em todo o universo?

Estudar teologia e astrologia na universidade é tão interessante quanto estudar filosofia. Se estudadas na universidade, a função da teologia e da astrologia não deve ser a de formar profissionais para o mercado, mas sim fazer pesquisa que ajude a construir esses saberes. Um teólogo pesquisador pode ser diferente de um padre ou bispo, assim como o João Bidu não deve morrer de amores pela pesquisa. Então qual o problema em pesquisar teologia e astrologia?

A universidade não pode ser meramente utilitarista, financiando uma fatia do conhecimento que pode ser produzido e desenvolvido pela sociedade contemporânea. Nesse sentido, astrologia e paranormalidade devem ter tanto espaço no financiamento de pesquisa básica quanto qualquer ciência. Não basta conhecimento científico para satisfazer os anseios das pessoas em toda sua diversidade; se assim o fosse, qual espaço se daria para o amor, uma poesia ou uma daquelas obras de arte que tocam nossos corações sem a justificativa de uma lei natural? Há humanidades incapazes de serem expressas por qualquer linguagem, nem mesmo a científica. Vetar financiamento à astrologia, ufologia, teologia ou qualquer que seja a área de conhecimento é mutilar uma parte importante da cultura construída ao longo de nossa história.



Quando a PM faz do mundo um picadeiro

7 de Abril de 2010, por Desconhecido - 88 comentários

É praticamente inquestionável a necessidade da Polícia Militar para nossa sociedade, principalmente quando se trata de sua função "legítima" de garantir a segurança e a ordem social. Inclusive corre-se o risco de ser punido quando se duvida da integridade moral de um policial ou até mesmo da própria Corporação. No entanto, pouco se questiona seu monopólio da violência e seu abuso arbitrário da força em situações diversas.

Se, de acordo com o artigo 1° da Constituição Federal, todo poder emana do povo, por que as manifestações políticas são reprimidas violentamente? Manifestações não são garantias do povo reivindicar do governo a postura que achar necessária? Ou a "festa da democracia" se resume àquela piada que acontece a cada dois anos chamada de eleições? Se existem orientações para se reprimir/dispersar uma manifestação e agredir qualquer pessoa envolvida em passeatas, por que a polícia mente e esconde esse objetivo?

Refiro-me ao ocorrido nas proximidades do Palácio dos Bandeirantes: a polícia infiltrou um PM à paisana (P2) na manifestação dos professores estaduais, na sexta-feira dia 26 de março, e tentou de todas as formas mentir sobre esse policial infiltrado.

A foto do P2 foi publicada nos jornais, que acreditavam que o cidadão barbado (como raramente se encontra um PM) e carregando no colo uma policial ferida seria um professor.


A Secretaria de Segurança Pública desmentiu a imprensa, afirmando que o suposto professor era na realidade um policial à paisana em operação na região. Essa foi a primeira versão do governo frente ao fato.

A segunda versão da PM dizia que o P2 não estava em serviço, mas sim passando pela manifestação por acaso.

Na terceira versão, contrariando as duas anteriores, a assessoria disse que o P2 "estava no local, não disse o que estava fazendo".

Mas a Apeoesp jogou areia e apagou a mentira contada pela assessoria da PM, confirmando que o P2 estava em serviço, tanto que subiu em um ônibus de professores em Osasco que se dirigia à assembleia.

Por que todo esse esforço da Corporação para mentir sobre esse P2 em serviço? Se a PM  está seguindo a lei e obedecendo ordens, por que esconde a motivação de infiltrar um P2 na manifestação?

Esse é apenas dos episódios em que tentam fazer o povo de palhaço ao esconder vergonhosamente um fato de interesse público - como os familiares que tentam esconder às pressas aquela tia que só os envergonha, na ilusão de que as visitas nunca tivessem notado sua presença; como se fôssemos ingênuos a ponto de não percebermos a tentativa de criminalizar o movimento dos professores - ou haveria outro motivo para esconder a verdade sobre o P2? O papel da Polícia Militar deixa de ser meramente repressivo, passando a ser também cômico e revoltante ao mesmo tempo. Tentar esconder a verdade sobre o P2 de forma atrapalhada como foi feito não é apenas hilário mas também um insulto ao cidadão paulista.

A PM, que se esconde atrás da falaciosa defesa da ordem em favor de um progresso - enquanto existe para fazer valer a vontade de uma elite estabelecida - nos deliciou com essa cômica peça circense. Como se não bastasse, mostrou que não são apenas alguns de seus peões isolados os únicos sujeitos a desonestidade: não há garantia de que essa instituição tenha qualquer comprometimento com a verdade.

Se precisam de uma instituição para reprimir manifestações democráticas, abram o jogo e mostrem para que a PM foi criada e por que ainda existe. Mas não nos coloquem na plateia de uma ópera-bufa como essa. É um insulto à nossa inteligência.

==

Infiltração e repressão: Serra repete práticas de Yeda, da Agência Carta Maior



Criminalização do acesso à informação

5 de Julho de 2009, por Desconhecido - 0sem comentários ainda

Há poucos dias se noticiou a polêmica decisão da justiça estadunidense, que condenou uma mulher a pagar uma multa milionária por ter baixado 24 músicas na internet (80 mil dolares por faixa) utilizando um cliente P2P. Esse fato expressa como os líderes de governo têm lidado com uma questão social básica: como universalizar o acesso à informação na era digital?

Ao invés de permitir esse acesso a toda a sociedade, tem-se escolhido o caminho oposto: há uma série de medidas sendo tomadas para punir quem compartilha e usufrui da produção cultural patenteada, coibindo o acesso da população à informação. A Lei Azeredo, popularmente conhecida como AI-5 digital, é a mais clara expressão dessa ideologia no Brasil. De acordo com essa lei, toda troca de informação pela internet passa a ser fiscalizada para previnir a violação de direitos autorais; o texto prevê também pena de multa aos infratores. Outras medidas com o caráter de cercear a liberdade de troca de informação entre os usuários de internet têm sido propostas ao redor do mundo, como a lei Hadopi na França (já censurada por seu Conselho Constitucional) e o processo contra os responsáveis pelo Pirate Bay (site que viabiliza a troca de material protegido por direitos autorais).

Qual o objetivo da implementação de legislações contrárias aos usuários de internet que usufruam de bens culturais? Qual o intuito de se criminalizar quem não paga pela informação adquirida? Invertendo essa lógica, por que não é crime monopolizar o acesso à produção cultural e privar a população desse direito?

A justificativa legal é o respeito que todo cidadão deve ter com relação ao direito autoral ou propriedade intelectual; a forma com que os recursos eletrônicos vêm sendo utilizados violariam tais direitos. Na realidade, ainda não há nenhuma legislação que considere crime o usufruto de bens culturais por mecanismos digitais, por exemplo o compartilhamento de arquivos via internet. O que tem sido feito pelos governos é a busca por brechas na leis em exercício para punir quem recorre a tais meios a fim de ter acesso ao conhecimento privatizado.

Se o estado cumprisse seu papel, faria o máximo para adaptar a legislação ao interesse público, aproximando as pessoas do conhecimento que não poderia ser disponibilizado de outra forma a não ser eletronicamente (basicamente o mesmo princípio que prevê a criação de bibliotecas e museus públicos). É óbvio que facilitar tal acesso vai de encontro ao interesse privado, que reivindica não apenas o direito à propriedade intelectual mas também o monopólio dos meios de acesso a eles, mesclando convenientemente as duas exigências em uma e garantindo assim a capitalização do conhecimento.

É nesse sentido que o estado beneficia os proprietários dos meios de acesso à informação (grandes gravadoras e distribuidoras de cinema), pois criminaliza o consumo da produção cultural por vias digitais, ao mesmo tempo em que garante justificativas para fiscalizar ampla e permanentemente a população, tratando internautas como delinquentes em ação. Como resultado, a saúde das grandes editoras, gravadoras, distribuidoras e até revistas científicas é assegurada e quem busca informação sem contribuir com o mercado é encarado como bandido.

O público reivindica a facilitação de seu contato com a produção cultural. Prova disso é o crescente número de inscrições no Partido Pirata do Brasil, cuja bandeira é a liberdade de acesso à informação. Talvez a censura da lei Hadopi seja um sinal de que o interesse público esteja sendo atendido (ao menos na França). A criação do blog da Petrobrás (e o desconforto causado por suas publicações divulgando perguntas encaminhadas por repórteres a sua assessoria de imprensa) também pode sinalizar um enfraquecimento dos que possuem o monopólio do acesso a informação. Por outro lado, a condenação da americana citada no início do texto e a punição à qual os responsáveis pelo Pirate Bay foram submetidos pelo governo sueco são fatos que simbolizam o quão difícil é mostrar que não há crime em permitir o acesso universal ao conhecimento.

Será que o estado é capaz de defender a vontade da população em toda sua amplitude? Isso implicaria em um ponto final no processo de criminalização, seja da pobreza, dos movimentos sociais ou do acesso à informação.



Conhecimento e meio interestelar

30 de Junho de 2009, por Desconhecido - 0sem comentários ainda
Do blog Café com Ciência
--
NGC6543
Nebulosa Olho-de-gato

Minha experiência com o curso de licenciatura, limitada a duas disciplinas recém concluídas, foi excelente. Mostrou que nesse curso há espaço para reflexões sobre como acontece a construção do conhecimento, algo que me foi raro durante o bacharelado. Em uma dessas disciplinas fez-se uma importante (porém negligenciada) constatação de como evolui a ciência: por maior que seja a contribuição de cada um de seus agentes - tanto os gênios quantos os "meros mortais" - o conhecimento cinetífico se desenvolve agregando em si ideias pré-existentes, evoluindo de uma estrutura simples para outra mais complexa do que a primordial.

Veja por exemplo o conceito do éter, um meio material em que se acreditava ser essencial para a propagação da luz. Por que a luz não se propagaria no vácuo, por exemplo?  Durante muito tempo se buscou na Mecânica uma explicação para diversos fenômenos; com a interpretação da natureza ondulatória da luz não foi diferente. Todos os fenômenos ondulatórios conhecidos até então - som, ondas do mar, etc. - exigiam um meio material para sua ocorrência. Dessa forma, esperava-se que a luz, então encarada como uma onda, necessitasse também de um meio para sair de um ponto e chegar a outro. Com o surgimento do conceito de campo eletromagnético, a busca pelo éter onde a luz se propagaria deixou de ser necessária. No entanto, um meio etéreo ainda é evocado de forma recorrente na tentativa de se explicar outros fenômenos. É o que acontece atualmente com a expansão acelerada do universo, da qual se acredita que o éter (ou quintessência) seja o um responsável em potencial.

A tentativa mecanicista (pressupondo a existência de um meio material) de se explicar o comportamento ondulatório da luz representa muito bem como o conhecimento é construído a partir de ideias já concebidas, apenas apropriadas e organizadas criativamente. Nem mesmo Einstein, em sua elegante teoria da relatividade restrita, deixou de utilizar conceitos e ideias que já haviam sido formuladas por outros cientistas - como a constância da velocidade da luz, experimentalmente comprovada por Michelson e Morley, e a contração do espaço, interpretação dada por Lorentz. Ou seja, a produção do conhecimento nunca ignora o que já foi criado, apenas se apropria dos conceitos estabelecidos na cultura onde tal produção se insere. É nesse sentido que o conhecimento evolui de um estado simples para outro complexo, reciclando ideias de acordo com um dado contexto.

A evolução da ciência com base em um conhecimento já estabelecido é análogo ao processo evolutivo do espaço onde nascem e morrem as estrelas, o chamado meio interestelar.

As estrelas são as responsáveis pela reciclagem do meio interestelar: nascem de um gás composto por átomos de elementos químicos presentes naquele ambiente, transforma esses átomos em outros através de alguns processos de produção (assim como o Sol tranforma hidrogênio em hélio em seu núcleo) e antes de morrerem devolvem parte do material transformado ao meio ambiente onde nasceram (como fazem as nebulosas planetárias, objetos do tipo apresentado na figura acima). Tal transformação faz com que o meio interestelar evolua de uma composição química relativamente simples para uma mais complexa.

Ou seja, a humanidade recicla o conhecimento assim como as estrelas reciclam a composição química do meio interestelar. Curioso, não é? Pois isso é apenas uma parte do muito que ainda temos para aprender com as estrelas.